Baixa do preço do leite gera atrito entre produtor e indústria
Celebrada pelos consumidores, a redução do preço do leite longa vida nos últimos dois meses reforçou o desânimo dos pecuaristas em relação à atividade. Resultado da maior oferta do produto, devido à recuperação das pastagens após o período de entressafra, a baixa é considerada excessiva pelos produtores – que chamaram as indústrias para expor a situação.
– Os preços estão caindo, mas os custos de produção continuam os mesmos. Isso está criando uma instabilidade muito grande no setor – reclama Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).
Nesta sexta-feira, a entidade irá se reunir com a Lactalis e a CCGL, duas das maiores indústrias de laticínios no Rio Grande do Sul. Na última reunião do Conselho Estadual do Leite (Conseleite), na semana passada, o preço de referência pago ao produtor em setembro ficou em 1,0054 por litro – quase 15% inferior ao mês anterior. Entre julho e setembro, a redução chega a 24%.
– Esse modelo de sobe e desce vai quebrar a cadeia. Se nada for feito, em pouco tempo, indústrias e cooperativas estarão brigando por leite, a exemplo do que ocorreu com o milho – critica Marcos Tang, vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Gado Holandes.
Tang lembra que a pecuária leiteira não permite que o produtor deixe ou retorne à atividade no momento em que os preços não estão favoráveis.
– A terneira que nasce hoje só vai dar leite daqui a dois anos. É preciso ter um mínimo de previsibilidade – argumenta o dirigente.
Secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado (Sindilat-RS), Darlan Palharini destaca que boa parte da redução sentida agora é resultado do aumento das importações do produto – especialmente do Uruguai. Além disso, o dirigente lembra que o período de alta do leite longa vida, com picos históricos em alguns meses, não tinha como se sustentar por muito tempo.
– O mercado regula os preços, não tivemos como conter essa baixa. Mas, ao mesmo tempo, entendemos que é necessário diálogar com os produtores – disse Palharini.
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