Bolognesi deve fechar venda de projeto térmico em Rio Grande
O Grupo Bolognesi, que havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão no início de setembro , está "em evolução avançada para transferência do controle" de seus dois maiores empreendimentos na área de geração de energia, confirmou nesta terça-feira uma fonte ligada à empresa. Um desses projetos é a construção de uma usina térmica em Rio Grande, que seria abastecida a partir da regaseificação de gás liquefeito, transportado por navios.
O projeto em Rio Grande era orçado em cerca de R$ 3 bilhões, e poderia representar uma fonte importante de suprimento de gás para o Estado. A Bolognesi havia comprado o projeto da consultoria Gas Energy. No entanto, o projeto enfrentou demora no licenciamento e dificuldades na negociação de matéria-prima. Um dos obstáculos era a alta do dólar entre o planejamento da usina e a disparada no câmbio no início deste ano.
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Além da térmica de Rio Grande, estaria sendo negociada outro projeto "gêmeo", o de outra usina com a mesma capacidade, de 1,3 mil megawatts (MW) em Pernambuco. Ambas haviam sido bem-sucedidas na contratação da geração futura em leilão de 2014 e deveriam começar a entregar energia no sistema em janeiro de 2019 – prazo que dificilmente será cumprido diante do atraso. Existia até o risco de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cancelar os contratos antecipados de compra.
O mandado de busca e apreensão de setembro havia sido resultado de investigação sobre a compra, feita em 2012 pela Bolognesi, da Multiner, empresa de investimentos em energia montada por ex-dirigentes da Eletrobras com recursos de um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) formado por oito fundações, entre as quais Petros, Funcef e Postalis, algumas das investigadas na Operação Greenfield, que investigava desvio de recursos de fundos de pensão.
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