PLAYLIST: o imperdível Mississippi Delta Blues Festival
Há mais de uma década trabalhando nessa indústria vital, perdi as contas de quantos festivais de música já participei. De uma maneira ou de outra, todos foram importantes e aumentaram minha bagagem profissional. Mas só um me faria voltar: o Mississippi Delta Blues Festival. Que para minha completa felicidade, abre sua edição 2016 nesta quinta-feira.
Fundado em 2009 como uma consequência do Mississippi Delta Blues Bar, o MDBF é hoje uma instituição brasileira. Pelos seus palcos, instalados na histórica Estação Férrea de Caxias do Sul, já passaram blueseiros do mundo todo _ incluindo lendas, como Magic Slim e Robert "Bilbo" Walker, e incendiários contemporâneos, como Mr. Sipp. É também onde o passado, o presente e futuro do gênero no Brasil se encontram como em poucos lugares, graças a uma curadoria que entende do riscado.
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Este, pra mim, é o grande mérito do MDBF e razão pela qual tenho vontade de voltar todo os anos: o foco na música. Claro que é divertido. Claro que é um evento social. Mas se você está em busca de fazer girar seu contador de beijo na boca, bem, talvez não seja a melhor pedida. Porque diferentemente de festivais que priorizam o entretenimento e deixam a música em segundo plano, o Mississippi Delta Blues Festival é feito para quem gosta de música, para quem valoriza o artista que está em cima do palco.
E essa postura se reflete por todo o festival. Há uma preocupação em oferecer som adequado e ambiente limpo e saudável. Comidas e a bebidas são realmente boas e com preço honesto. A quantidade de pessoas circulando não excede a capacidade do lugar, ou seja, não tem empurra-empurra e as filas são suportáveis.
Resumindo: se puder ir, vá. Entre as atrações deste ano estão JP Soars and The Red Hots, James "Boogaloo" Bolden, Bex Marshall, Tail Dragger, Annika Chambers, Alamo Leal, Bob Stroger e Fernando Noronha, espalhados por sete palcos, de quinta a sábado, das 18h às 4h. Informações sobre valores e compra de ingressos estão no site oficial do evento .
LANÇAMENTOS
O BOBO E À BEÇA
De Victor Issler
De Pelotas, Victor Issler estreia em disco apostando em um folk pop mezzo rural mezzo urbano, tendo o violão dedilhado sempre como protagonista. Às vezes, o álbum puxa mais para a cidade – caso de Peixe Rei, que tem pegada de country moderninho; às vezes, vai fundo no mato, como em Linda Luzia e Bárbara. Mas há momentos que destoam completamente da proposta, caso de outra faixa-garota, Clarissa, que acrescenta certo peso ao repertório, com solo de guitarra distorcida sobre um piano etéreo. Em outros momentos, lembra os conterrâneos Kleiton & Kledir, em baladas cantadas com alguma teatralidade – Narciso e a faixa-título, por exemplo. É um belo começo para Victor. (Folk, independente, 10 faixas, disponível para audição nos serviços de streaming e para download em victorissler.com.br )
FANTOMÁTICOS III
de Fantomáticos
Banda que integrou o boom do rock alternativo em Porto Alegre no início dos anos 2000, os Fantomáticos chegam ao terceiro disco olhando para o futuro retrabalhando o passado. Há ainda um pouco da experimentação que norteou os primeiros dias do grupo, caso de Teimoso como um satélite e seus vários andamentos, mas também faixas que só poderiam ser feitas agora, como a dramática Tenso, ou a minimalista indie Te vi em Madri. Pergunte ao amor é puro Beatles (outra das influências marcantes dos Fantomáticos), enquanto Nervoso apresenta uma balada que remete aos anos 1950 de letra corrosiva: "quando os nervos explodem eu vou para o mato fumar e beber, pois a vida moderna é sobre jogar e jogar e perder". O show de lançamento do disco está marcado para o dia 25 de novembro, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. (Pop, Ué Discos, 12 faixas, disponível nos serviços de streaming)
