Ensino Médio requer conhecimento aprofundado e foco no futuro
2015 foi embora e levou com ele toda a mordomia de Victor Paim Ramos, 15 anos. O ciclo letivo que se inicia para o adolescente traz duas novidades: além de marcar o ingresso no Ensino Médio e uma rotina de estudos com foco no vestibular, é o ano em que o estudante deixa a casa dos pais, em Bom Jesus, na serra gaúcha, para viver em Porto Alegre.
Como o irmão já mora na Capital, e Victor vinha com frequência para visitá-lo, a cidade grande não chega a provocar espanto. Já se prepara, no entanto, para enfrentar um período de adaptação à nova rotina, no Colégio Marista Rosário.
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— Vou sentir bastante o impacto, porque vai ser bem mais puxado do que era em Bom Jesus. Todos falam que o ensino vai ser muito mais rigoroso, em termos de conteúdo e horários. E vai ter muita matéria que estarei vendo pela primeira vez — avalia Victor.
Para os pais, lá em Bom Jesus, as dificuldades serão outras.
— Ele vai morar com o irmão e terá o acompanhamento dele em tudo. E a gente vai ter de se acostumar com os dois fora de casa. Queira ou não queira, a gente prepara os filhos para a vida _ compreende o pai, o servidor público estadual Gilnei Ramos.
Foi pelo desejo de fazer a graduação na UFRGS — talvez Engenharia Elétrica — que o adolescente veio para a Capital. Até lá são ainda pelo menos três anos de muita química e física, matérias que Victor considera as disciplinas mais desafiadoras.
— Antes eu estudava para as provas somente na véspera delas. Agora terei de me sentar e estudar pelo menos três horas por dia para me adaptar ao conteúdo. Meus pais também conversaram comigo sobre isso e pediram que eu estude bastante — conta.
Durante as férias, acompanhado da família, Victor visitou o colégio novo e já conversou com orientadoras educacionais, que deram dicas e fizeram alertas sobre a etapa que se inicia. Parece que o garoto entendeu o recado:
— Quanto menos estudar, mais tempo ficarei depois do Ensino Médio tentando passar no vestibular. Então já tenho a consciência: vou fazer tudo o que for exigido.
Foco no presente, sem deixar de pensar no futuro
Adolescentes já passam por mudanças físicas, psicológicas, cognitivas... Em meio a isso tudo, vem o Ensino Médio, com disciplinas mais aprofundadas e uma missão nem sempre fácil: decidir o que se quer ser quando adulto — num futuro que já não está tão distante assim. São tantas dúvidas — e tantas certezas provisórias —, responsabilidades e experiências desconhecidas que o exemplo de alguém experiente certamente irá facilitar os novos caminhos.
— A carga horária aumenta em até 10 horas por semana, as disciplinas passam da média de 12 para 17, e os conteúdos, antes mais generalistas, agora exigem profundidade. É preciso de muita organização pessoal em um período de descobertas que facilmente tiram o foco da escola. Por isso, o apoio de pais e professores é fundamental — avalia Suzana Diemer, orientadora educacional do Colégio Rosário.
É no Ensino Médio que o aluno irá compreender que não se vive somente do presente, ainda que não se saiba bem certo o que ele quer do futuro. Nessa fase de seu crescimento, também será esperado que alimente cada vez mais a sua tolerância: vai ser preciso se relacionar com pessoas diferentes, dedicar-se a compromissos pelos quais não tem tanto interesse e esforçar-se para ir bem em matérias que lhe farão perguntar: "Por que raios eu tenho que estudar isso???".
— É um novo patamar de conhecimento. Nos primeiros anos da adolescência, eram trabalhados conteúdos de grande aplicação ao cotidiano. A partir do Ensino Médio, as relações começam a ser mais abstratas. E este é um grande passo para que possam ser os construtores de suas mentes, ter autonomia e fazer relações próprias — explica a pedagoga Luciana Facchini.
5 dicas para o aluno
1) Não entendeu a matéria? Esqueça a vergonha, levante o dedo e pergunte. Escola é lugar de aprender, e os professores estão ali para ensinar. Se sentir dificuldades que vão além das dúvidas de sala de aula, converse com professores e orientadores educacionais o quanto antes.
2) Seja tolerante: já é hora de aprender que as pessoas são diferentes e que nem tudo na vida é da maneira que julgamos ser a correta. Saiba que o diferente tem um poder incrível de acrescentar experiências e vivências.
3) A nova fase é de muito estudo, compromissos e interesses. Não será possível fazer tudo ao mesmo tempo. Por isso, organize-se! Saiba que é preciso estudar na hora de estudar. Se aproveitar este tempo com determinação, sobrará um longo período para se divertir e estar com amigos.
4) Permita-se pensar sobre o que você deseja fazer da sua vida. Tenha curiosidade e converse com profissionais sobre as rotinas de trabalho. E entenda: muito do que você terá de estudar nesses três anos parecerá não fazer sentido. No entanto, pode se tornar um conhecimento importante para você lá na frente.
5) Abra-se para o mundo: já pensou em ter experiência com voluntariado, ajudando de alguma maneira o mundo em que você vive? A dica é da orientadora educacional Suzana Diemer: "É uma experiência que abre o adolescente para o mundo, proporciona empatia. Ela mostra que o mundo é bem maior do que os problemas que ele tem. E isso ajuda a botar o pé no chão, arregaçar as mangas e enfrentar os desafios com coragem".
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3 dicas para os pais
1) A fase é de muitas mudanças. Alunos menos organizados ou preparados podem sentir mais o impacto de uma mudança de escola, de novos amigos, conteúdos desconhecidos, professores diferentes etc. E isso pode se refletir em notas abaixo do esperado. Se isso acontecer, abra o diálogo em casa e o estenda, levando aos educadores da escola.
2) Estimule seu filho a pensar sobre o futuro, sobre a profissão que quer seguir. Provoque o pensamento dele de maneira construtiva, levantando pontos positivos e negativos das opções apontadas. E, importante: não coloque seus desejos ou frustações sobre as escolhas que ele tiver. Respeite-as e discorde delas, se for o caso, com muita conversa.
3) Dê autonomia, mas imponha uma certa rotina de estudo. Nesta fase, o ideal é que o aluno possa estudar todos os dias um pouco, não deixando a missão para a véspera das provas. As responsabilidades do adolescente são cada vez maiores, e os pais devem estar sempre ao lado, orientando — e cobrando.
