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Февраль
2016

Paulo Gleich: velhos amigos

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Não sei bem quando foi, mas não faz muito que começaram a surgir nos corredores dos supermercados as fraldas geriátricas. Primeiro, discretas, enfiadas em prateleiras escondidas; hoje em dia, ganham destaque com cartaz e chamadas em encartes de jornais. Não se trata apenas de um avanço do mercado e da tecnologia de fraldas, mas também de um sinal dos tempos: a velhice não só tem aumentado sua participação na composição da sociedade, mas tem também saído do armário.

Se a velhice é incômoda em uma sociedade que idealiza a juventude, e nos esforçamos o quanto podemos para camuflá-la e afastá-la, por outro lado está mais visível. Criou-se a tal terceira idade (e a famigerada “melhor idade”), proliferam produtos e especialistas em geriatria, e os velhos recusam-se a abandonar a vida ativa com a aposentadoria para dedicar-se apenas ao jardim e aos netos. A própria sexualidade, que se acreditava morta – sobretudo porque não era falada – passou a fazer parte dessa etapa da vida que se estende cada vez mais.

Outra mudança se deu no âmbito da família: até não muito tempo atrás, eram os filhos que se encarregavam de seus pais quando estes já não davam conta do dia a dia sozinhos. Era bem comum, em famílias com vários filhos, que um – geralmente uma – fosse criado para cuidar dos pais quando envelhecessem. As famílias mudaram, ficaram menores, se desfizeram e refizeram, e a vocação feminina para o cuidado deu espaço aos assuntos da pólis, que as mulheres passaram a dividir com os homens. Chegada a velhice, e passada a época em que conseguem manter sua autonomia, o que fazer?

Um destino cada vez mais comum para os velhos têm sido os lares de idosos. Mas essa escolha não é feita sem hesitação e culpa pelos familiares: a ideia de asilo ainda está fortemente ligada a ela, como se não passar o final da vida com a família fosse mostra de abandono e desamor. Às vezes pode ser, mas não sempre: cuidar dos pais em casa pode implicar renunciar à profissão ou pagar caro por cuidadores particulares, e pode acabar deteriorando uma relação antes amorosa. Isso sem contar o número crescente de pessoas que, por uma razão ou outra, não tiveram filhos, e terão de achar outra forma de dar conta de si na velhice.

Muitos amigos, já pela casa dos 50, têm começado a pensar nessa questão para o futuro. Não querem onerar seus filhos com o peso de serem cuidados, após os terem criado para ganhar o mundo. Tem me chamado a atenção uma ideia que se espalha entre eles, da qual também me tornei adepto: as repúblicas de velhos. Trata-se de uma versão grisalha das repúblicas dos tempos de estudante – com as devidas adaptações e confortos para a idade, claro. Após uma vida de trabalho e economias, e com o corpo já mais sensível, as instalações seriam melhores que os quartos improvisados dos jovens. A república contaria com uma boa equipe de profissionais – médicos, enfermeiros, cuidadores – escolhidos pelos integrantes, diferente de uma equipe de um lar, à qual o paciente tem de se adaptar. As regras da casa seriam estabelecidas entre os moradores, assim como eventuais novos moradores, e não impostas por uma direção. As fantasias e planos vão longe.

Acho que essa ideia tem futuro. A velhice não é a melhor idade coisa nenhuma, então vale tudo para torná-la um pouco mais agradável. Onerar os filhos e parentes com essa tarefa não é uma boa ideia para ninguém, e conviver com estranhos em um lar, à moda de um albergue de juventude (coisa que se deixa de frequentar na vida adulta), pode ser uma furada, dependendo dos companheiros. A expressão “família escolhida”, cada vez mais comum para se referir aos amigos mais próximos, fala da composição dos laços contemporâneos: são os vínculos amorosos e de amizade que cobram valor ante os de sangue, muitas vezes envenenados pelas neuroses familiares e pelo peso da obrigação. Assim, o futuro dos velhos mais privilegiados talvez seja em família, mas com aquela que construíram ao longo da vida e com quem vislumbram, para os derradeiros passos, um tempo um pouco menos árduo – e talvez até divertido. Velhos amigos.

Paulo Gleich escreve mensalmente no caderno PrOA.

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