Bolsonarismo pode contrariar Michelle Bolsonaro e não apoiar Celina Leão para governadora
Pré-candidata a senadora no Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não apoia a pré-candidatura do senador Izalci Lucas a governador pelo PL. Deu um chega-pra-lá federal no ex-tucano.
Como não pode mais trocar de partido, Izalci Lucas está fora do jogo da disputa para governador do Distrito Federal. Talvez até para o Senado. Irá a deputado federal? Parece que é sua única saída.
Michelle Bolsonaro também tem dito a aliados que não aceita composição com o ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB (consta que planejam expulsá-lo se for preso).
O bolsonarismo teme, se ficar próximo de Ibaneis Rocha, ser contaminado pela corrupção, em alta voltagem, do caso Banco Master & Daniel Vorcaro. Por isso, o ex-governador é carta fora do baralho para o Senado. “Ibaneis é candidato ao ‘mandato de preso’”, ironiza um deputado. Pré-candidato a governador do DF pelo PSB, Ricardo Cappelli diz, com todas as letras, que ele será preso.
Ao defenestrar Izalci Lucas — que é ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto —, Michelle Bolsonaro mostrou quem manda no PL. São os Bolsonaros. Quer dizer, Jair Bolsonaro, via sua intermediária na política.
Por conta própria, Michelle Bolsonaro enfatizou que apoiará a reeleição da governadora Celina Leão (pP) — que, de acordo com deputados e ex-secretários do governo do Distrito, comporta-se como se estivesse inteiramente “perdida”. Há quem aposte que acabará não sendo candidata à reeleição.
Mas o apoio de Michelle Bolsonaro não equivale ao apoio de todo o bolsonarismo. O bolsonarismo mais articulado — Michelle Bolsonaro reage mais com base em amizades — vai esperar os desdobramentos das investigações do caso Banco Master antes de embarcar totalmente na canoa de Celina Leão. Se estiver “furada”, vai pular e navegar numa canoa mais segura — quem sabe a de José Roberto Arruda, pré-candidato a governador pelo PSD.
Qual é o grau de envolvimento de Celina Leão nas falcatruas do caso Banco Master? Até agora, não se apresentou nenhuma evidência de que tenha se locupletado. Mas como é que uma vice-governadora, que se apresenta como uma política bem informada dos bastidores, nada sabia da vinculação de Ibaneis Rocha com Daniel Vorcaro?
Celina Leão terá muita dificuldade de se desvincular de Ibaneis Rocha e, por consequência, do Banco Master. Aliados teriam recomendado que a governadora rompesse, de uma vez por todas, com Ibaneis Rocha. Porém, não se sabe por qual motivo, a governadora não o faz. Por que teme tanto Ibaneis Rocha?
O que, em caso de delação premiada, Ibaneis Rocha poderá revelar sobre Augusto Lima, Flávia Arruda, Arthur Lira (pP), Ciro Nogueira (presidente nacional do pP) e Celina Leão.
O bolsonarismo, independentemente das amizades de Michelle Bolsonaro, não ficará ao lado de Celina Leão se a história do Banco Master respingar diretamente na governadora. Chega-se a comentar-se, entre os bolsonaristas-raízes, que a senadora Damares Alves (Republicanos) pode ser candidata a governadora. Ela ou a deputada federal Bia Kicis, que, no momento, pleiteia uma vaga no Senado.
Quanto a Ibaneis Rocha, o que se diz em Brasília não é se será preso, e sim a respeito de quando será detido. O ex-governador estaria abalado e com a malinha pronta para ir para a Papuda. Depois da prisão do ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa, que negociou propina de 140 milhões de reais com Daniel Vorcaro, a prisão de Ibaneis Rocha, o poderoso chefão, avizinha-se. É iminente. (E.F.B.)
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