SRAG avança 80% em Goiás; “falta de ar e lábios arroxeados exigem atenção imediata”, alerta pneumologista
O avanço dos casos graves de doenças respiratórias em Goiás acendeu um alerta entre autoridades de saúde e especialistas. Nos quatro primeiros meses de 2026, os pedidos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) cresceram 80% no estado, totalizando 5.224 solicitações de leitos.
A pressão sobre o sistema público já levou unidades a operarem com 100% de ocupação, enquanto mais de 155 mortes foram registradas. Diante do cenário, marcado ainda pela decretação de emergência em saúde pública e pela proximidade do pico sazonal previsto para maio, médicos reforçam a necessidade de atenção aos sintomas iniciais e à prevenção.
Em entrevista ao Jornal Opção, a pneumologista Fernanda Miranda detalha os sinais de alerta e os riscos de agravamento. De acordo com a médica, sintomas como falta de ar, sensação de aperto no peito e alterações na coloração dos lábios ou unhas não devem ser ignorados.
“Os principais sinais de alerta são falta de ar ou dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito, lábios ou unhas arroxeados, sonolência excessiva ou confusão mental, febre persistente por mais de três dias ou que retorna após melhora inicial”, afirma.
Ela acrescenta que a queda do estado geral, com fraqueza intensa e dificuldade para se alimentar ou se hidratar, também exige atenção imediata. No caso das crianças, os indícios podem se manifestar de forma diferente.
“Chama atenção respiração rápida, esforço para respirar, como afundamento das costelas, e dificuldade para mamar ou ingerir líquidos”, explica. Segundo a especialista, esses sintomas podem indicar evolução para quadros mais graves e demandam avaliação médica urgente.
Embora a maioria das infecções respiratórias seja autolimitada, Fernanda Miranda alerta que determinados grupos apresentam maior risco de complicações. “Quadros gripais podem evoluir para formas mais graves especialmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas, como asma, DPOC, doenças cardíacas ou imunossupressão”, diz.
A pneumologista destaca ainda que o período entre o terceiro e o sétimo dia de sintomas costuma ser decisivo. “A piora costuma ocorrer nesse intervalo, quando pode surgir comprometimento pulmonar, como pneumonia viral ou bacteriana secundária. O esperado é uma melhora progressiva; piora ou surgimento de novos sintomas respiratórios são sinais de alerta”, pontua.
Em relação às medidas de prevenção, o uso de máscaras segue recomendado em determinadas situações. “Ela é indicada para pessoas com sintomas gripais, para evitar transmissão, e também para indivíduos mais vulneráveis em ambientes fechados, com pouca ventilação ou aglomerações, como transporte público, unidades de saúde e eventos com muitas pessoas”, afirma.
A recomendação se estende a profissionais de saúde e pessoas que convivem com grupos de risco. Sobre os próximos meses, a especialista prevê aumento na demanda por atendimento.
“Historicamente, os meses de outono e inverno concentram o aumento dos casos de infecções respiratórias no Brasil, e maio costuma marcar o início desse pico. A tendência é de aumento no número de casos e maior pressão sobre os serviços de saúde”, afirma.
Apesar do cenário, Fernanda Miranda ressalta que medidas simples podem reduzir o impacto. “Vacinação, uso de máscara em situações de risco, higiene das mãos e busca precoce por atendimento nos casos de sinais de alerta são fundamentais para diminuir complicações”, conclui.
Leia também:
- Pedidos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem 80% em Goiás em 2026
- Imunoterapia amplia sobrevida e pode levar à cura em alguns casos de câncer, mas acesso ainda é restrito
O post SRAG avança 80% em Goiás; “falta de ar e lábios arroxeados exigem atenção imediata”, alerta pneumologista apareceu primeiro em Jornal Opção.
