Apesar de milhares de fãs em filas intermináveis para chegar e sair do Autódromo Internacional de Campo Grande, os órgãos responsáveis pelo trânsito e pela segurança pública optaram pelo silêncio sobre o que causou o colapso na BR-262 durante o show do Guns N’ Roses. Procurados desde ontem, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Polícia Militar e até o organizador do evento não responderam. O Detran (Departamento Estadual de Trânsito), por sua vez, limitou-se a afirmar que apenas deu apoio. A única via de acesso ao Autódromo teve congestionamento que ultrapassou 14 quilômetros e deixou o público preso por horas, tanto para chegar quanto para sair do evento que reuniu cerca de 35 mil pessoas. Mesmo com divulgação de público recorde nas semanas que antecederam o show, a preparação não evitou o caos. A falta de rotas alternativas, falhas em pontos estratégicos de controle de fluxo e a ausência de adaptação da rodovia para o alto volume de veículos resultaram em um colapso no trânsito cerca de quatro horas antes da apresentação principal. Equipes da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar, Detran e PRF estavam na região, mas não conseguiram reverter a situação. Para muitos, chegar ao local virou um teste de paciência e resistência física. Em alguns casos, motoristas e passageiros abandonaram os veículos e seguiram a pé pela rodovia. Durante toda a Avenida Ministro João Arinos, sequer havia viatura de qualquer órgão para ajudar no fluxo. Um veículo da PM esteve posicionado no lado contrário, sentido Centro, somente. Neste trecho já havia veículos pesados, como caminhão-cegonha completamente vazio, e outros caminhões de transportadoras. Os carros, motos e vans também disputavam espaço com ônibus do transporte coletivo. Na altura do pontilhão foi vista a primeira viatura do Detran, com dois agentes, porém sem qualquer menção em ajudar no fluxo. A alça de acesso da BR-163 para a BR-262 já estava congestionada, inclusive com veículos pesados. Posteriormente, já na BR-262, foram vistas viaturas da Agetran sob responsabilidade de guardas civis metropolitanos e da PRF. Quem saiu antes das 16h conseguiu escapar dos maiores congestionamentos. Ônibus fretados também enfrentaram dificuldades. Houve registros de coletivos que saíram por volta das 16h30 e permaneceram praticamente parados por horas, com passageiros descendo no meio do caminho e caminhando para tentar não perder o show. A empresária Dafyni Paz afirmou que a apresentação foi “incrível”, mas relatou que a experiência foi marcada por frustração. Segundo ela, o show demorou para começar e a impressão é de que houve atraso porque muita gente ainda estava presa no trânsito. “O povo estava tudo no trânsito, viram que não tinha quantidade de pessoas e atrasaram o show justamente para dar tempo de o pessoal chegar. Mesmo assim, muita gente não chegou. A próxima vez que tiver um show e for ali, eu não vou. Um evento dessa magnitude, Campo Grande não suporta. Tinha muita polícia, mas não organizou nada, um caos, e olha que eu saí 16h30 de casa”, desabafou. Ela ainda questiona o impacto para quem pagou caro e não conseguiu aproveitar. “Fica uma frustração, porque as pessoas pagaram caro para ver um artista que gosta, que é muito fã, e quando vão ter uma oportunidade de novo?”, completou. Um dos principais pontos de retenção foi o viaduto que liga a Avenida João Arinos à BR-163, com acesso à BR-262. No local, a estratégia adotada para controlar o fluxo não evitou a formação de um funil, concentrando um grande volume de veículos e travando o trânsito. A situação foi agravada pela presença de caminhões na rodovia. Mesmo com restrição de tráfego de veículos pesados até as 22h, entre os quilômetros 233 e 328 da BR-262, carretas continuaram circulando normalmente no trecho, contribuindo para o colapso. O problema não se limitou ao horário do show. Cinco horas após o fim da apresentação, fãs ainda tentavam deixar o estacionamento na manhã desta sexta-feira. Desde o início da madrugada, leitores relataram horas de espera para conseguir sair do local. No início da manhã, a confusão permanecia na BR-262, saída para Três Lagoas. Questionado sobre a operação, o Detran informou que o planejamento foi coordenado pela PRF e que o órgão apenas deu apoio. A Polícia Rodoviária Federal não respondeu até a publicação desta reportagem. A Polícia Militar informou que iria verificar balanço e outras informações, mas também não retornou até o momento. Já o organizador do evento, Valter Junior, não respondeu mensagens e nem atendeu ligações. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.