Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (7), em Brasília, projeto que amplia a fiscalização sobre combustíveis ao autorizar a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) a acessar dados fiscais das empresas do setor. A proposta recebeu 381 votos favoráveis e dois contrários e segue para análise do Senado. Entre os deputados de Mato Grosso do Sul, votaram a favor Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL), Luiz Ovando (PP), Beto Pereira (Republicanos) e Camila Jara (PT). Vander Loubet (PT), Dagoberto Nogueira (PP) e Geraldo Rezende (União Brasil) não participaram da votação. O texto determina que empresas só poderão atuar no setor se autorizarem o acesso da ANP a informações de notas fiscais eletrônicas. A regra vale para novos registros e também para empresas já em funcionamento, que precisarão se adequar para manter a autorização. A agência poderá acessar, de forma permanente, dados de NF-e (Nota Fiscal Eletrônica), NFC-e (Nota Fiscal do Consumidor Eletrônico) e CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico). As informações permitirão cruzamento de dados, verificação de inconsistências e elaboração de estudos técnicos. O conteúdo seguirá sob sigilo. O projeto busca combater fraudes, como adulteração de combustíveis e descumprimento da mistura obrigatória de biocombustíveis. A proposta também mira irregularidades como sonegação e lavagem de dinheiro no setor. O relator, deputado Neto Carletto (Avante-BA), afirmou que o acesso aos dados permitirá identificar divergências entre compra e venda de combustíveis. Segundo ele, isso reforça a fiscalização e reduz práticas ilegais. O autor, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), disse que a medida combate fraudes na qualidade dos produtos. Ele afirmou que o texto não trata de controle de preços. A proposta prevê prazo de 180 dias para regulamentação e formalização de convênios com órgãos fiscais. A ANP deverá custear o acesso às informações e manter estrutura tecnológica para uso dos dados. Durante a tramitação, partidos retiraram pedidos de obstrução e liberaram a votação. O projeto também considera mudanças da reforma tributária previstas para 2027.