Sob forte comoção, o velório da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, reúne familiares, amigos e colegas de farda na tarde desta terça-feira (7), em Campo Grande. A cerimônia tem fluxo intenso de pessoas, com viaturas chegando e saindo a todo momento, enquanto policiais de serviço passam pelo local para prestar as últimas homenagens. Durante a cerimônia, o coronel Nelson Antônio relembrou a trajetória da subtenente e destacou o legado deixado por ela na instituição. Segundo ele, Marlene foi uma das primeiras mulheres da Polícia Militar e sempre foi reconhecida pela alegria, dedicação e forma acolhedora de lidar com todos. “Era uma pessoa especial, muito querida, que sempre transmitia algo bom”, afirmou. O coronel também chamou atenção para a gravidade da violência contra a mulher, ressaltando que qualquer pessoa pode estar vulnerável, independentemente da profissão. Ele destacou a importância de denunciar abusos e de não aceitar nenhum tipo de violência, seja física, psicológica, moral ou financeira. Para ele, o caso deve servir como alerta e reflexão para a sociedade. Ao lado de Marlene por mais de 30 anos, a subtenente da reserva Rosângela de Oliveira Ramos descreveu a colega como uma pessoa “puro amor, caridosa e sempre alegre”. Segundo ela, as duas fizeram parte de uma das primeiras turmas femininas da Polícia Militar e ajudaram a abrir caminho para outras mulheres na corporação. “A Marlene era apaixonada pela Polícia Militar. Será inesquecível”, disse. Ainda segundo Rosângela, no início da carreira, as duas trabalharam juntas no policiamento de trânsito de Campo Grande. “Ela impunha respeito. Na rua, sempre foi muito profissional e fez a diferença na Polícia Militar”, completou. Amigos e colegas destacam não apenas a profissional exemplar, mas também a mulher forte que criou os filhos sozinha e construiu uma trajetória marcada por dedicação e superação. O velório segue movimentado, com homenagens constantes, em uma despedida marcada por emoção e reconhecimento. Nas primeiras horas, mais de dez coroas de flores enviadas por batalhões, turmas de formação e pela própria Polícia Militar foram dispostas na capela. Bastante abalado, o cunhado da subtenente relatou apenas que não foi ele quem recebeu a ligação do suspeito, mas sim a irmã de Marlene, esposa dele. Segundo contou, o homem ligou informando o que havia acontecido. A família preferiu não falar com a imprensa neste momento. Crime - A subtenente Marlene de Brito Rodrigues foi assassinada nesta segunda-feira (6), ao chegar em casa, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande. O namorado, Gilberto Jarson, foi preso em flagrante por feminicídio. A vítima foi encontrada caída no chão da sala, com ferimento provocado por disparo de arma de fogo no pescoço. Já o Gilberto estava com a arma do crime nas mãos ensanguentadas.