As paineiras da Avenida Ricardo Brandão, em Campo Grande, rendem lindas fotos quando estão floridas, é verdade, mas sua presença ali vai muito além da estética. Um de seus papéis mais importantes naquele ponto da cidade é a contenção de enchentes. "Principalmente por estar à beira do Córrego Prosa, elas retêm o escoamento superficial. Em vez da água da chuva 'bater' direto no asfalto e escorrer rapidamente até o fundo de vale, ela primeiro tem contato com as copas das árvores, que acabam funcionando como uma barreira mecânica e retardam todo esse processo", explica a bióloga Gisseli Giraldelli. Mestre em Ecologia e Conservação pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e diretora regional da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, a especialista lembra de outra função relevante: a alimentação da fauna e de polinizadores. Periquitos, papagaios e outras espécies adoram comer frutos e sementes que a árvore oferece. A refeição depende da remoção da paina, uma proteção que lembra um pedaço de algodão-doce e a fibra utilizada no enchimento de almofadas. Quando os pontinhos brancos ficam pendurados nos galhos, o cenário na Avenida Ricardo Brandão fica ainda mais bonito. "O interessante é que são árvores nativas que conseguem cumprir todos esses papéis ecológicos. É uma importantíssima fonte de recursos para a fauna", reforça a bióloga. E não acabou. Outra funcionalidade é a prevenção do deslizamento das encostas do córrego. "As raízes dela fazem o trabalho de conter o talude, evitando o desmoronamento", acrescenta. Saúde - Pelo que Gisseli acompanha, as árvores estão com saúde "excelente" e não precisam de tratamento. "Ali, elas estão exatamente onde costumam ocorrer na natureza, perto de um curso d'água", aponta. Apesar do Córrego Prosa ser canalizado no trecho da avenida, o ambiente segue propício. As paineiras mais antigas têm mais de 40 anos. Elas foram plantadas na década de 1980 pelo paisagista Wisterman Chaparro, que faleceu no ano passado. Alguns exemplares originais morreram, mas foram repostos, segundo a bióloga. "Ainda mais que ela é uma espécie nativa e de crescimento rápido, essa reposição é tranquila", completa. Não recomendado - Por conterem espinhos no tronco e raízes que afloram, as paineiras não devem ser plantadas em calçadas. Canteiros, praças e parques são os locais ideais para plantá-las e embelezar outros pontos de Campo Grande, aconselha Gisseli.