Há cerca de 15 anos, o que para muita gente tinha virado objeto esquecido ganhou novo significado nas mãos de Márcio Abreu, de 66 anos. Em um estúdio montado em casa, ele se dedica a “reviver” memórias que pareciam perdidas no tempo, transformando fitas VHS, cassetes, Mini DV e até películas antigas em arquivos digitais acessíveis. O trabalho atende a uma demanda crescente de pessoas que guardaram lembranças em formatos que já não podem mais ser reproduzidos. Com o avanço da tecnologia, aparelhos como videocassetes e tocadores antigos deixaram de ser fabricados, tornando impossível assistir a registros de décadas atrás. “Tem muita gente que tem fita em casa e nem sabe o que tem gravado ali. Não tem mais aparelho para ver, então fica tudo perdido”, comenta Márcio. Segundo ele, a digitalização exige paciência e técnica. Márcio explica que existem dois caminhos principais. Usar uma placa de captura ligada ao computador ou transferir o conteúdo primeiro para DVD e depois converter para formatos digitais, como MP4. No estúdio, ele utiliza diferentes equipamentos ao mesmo tempo e consegue converter até quatro fitas simultaneamente. Em poucos dias, consegue entregar grandes volumes de material. Além das fitas mais comuns, como VHS, ele também trabalha com formatos raros, como Super 8 e Betacam, usados em produções antigas e até em emissoras de TV. “Uma vez atendi um idoso de 84 anos que trouxe um rolo de Super 8 com imagens do próprio casamento, gravadas uns 50 anos antes. Ele nunca tinha assistido ao material e quando viu, começou a chorar. Foi algo muito emocionante”, relembra Márcio. Ele conta que histórias assim são comuns. São pessoas que descobrem vídeos de aniversários, momentos em família e até imagens da infância das quais nem se lembravam mais. “Tem gente que traz várias e diz que não faz ideia do que tem na fita. A curiosidade é grande”, comenta. O serviço varia conforme o formato e o tempo de gravação. Em média, a digitalização de fitas custa a partir de R$ 40 por unidade, com até duas horas de conteúdo. Já materiais mais antigos, como películas, têm valor mais alto. Um rolo pequeno de Super 8, por exemplo, pode custar cerca de R$ 100 para poucos minutos de gravação. “Não tem comparação com o valor emocional. As pessoas ficam muito felizes quando conseguem ver de novo”, afirma. Do banco para o audiovisual - Antes de mergulhar de vez no universo das imagens, Márcio trabalhou por 19 anos em um banco e chegou até a ser gerente. Mas, paralelamente, tinha a fotografia como hobby e isso acabou mudando a direção de sua vida. Foi nos anos 1990 que o interesse virou profissão. Após comprar uma filmadora, ele conta que começou a registrar festas e eventos. Tempos depois, o que era renda extra virou negócio e, em 1993, ele decidiu deixar o banco para se dedicar exclusivamente ao audiovisual. “Eu fiz isso pela paixão”, destaca. Desde então, Márcio acumulou experiências como cinegrafista, produtor e até passou pela TV Educativa, onde trabalhou com jornalismo e projetos documentais, incluindo produções no Pantanal e gravações de aulas durante a pandemia. Hoje, a maior parte do trabalho é na digitalização de arquivos, fazendo uma ponte entre essas gerações tecnológicas. “É um trabalho que devolve uma lembrança para a pessoa. Isso não tem preço”, finaliza. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .