Com apenas 3 policiais penais para a custódia de cerca de 140 presos, o Estabelecimento Penal de Bataguassu, a cerca de 310 quilômetros de Campo Grande, é alvo de denúncia que aponta situação crítica na unidade. O relato inclui falta de efetivo, falhas graves de segurança, assédio moral e riscos à integridade de servidores e internos. O caso foi formalizado e encaminhado ao Ministério Público Estadual e à Corregedoria da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), e enviado ao Campo Grande News . Conforme o documento, o servidor relata que trabalhava sob sobrecarga devido ao baixo número de policiais penais, situação que teria sido comunicada à direção da unidade. Apesar disso, o pedido por reforço na equipe foi negado, mesmo com o reconhecimento do problema por parte da chefia. Segundo a denúncia, a unidade operaria em estado crítico, com a custódia de cerca de 140 presos sendo realizada por apenas três servidores plantonistas. Ainda conforme o relato, o plantão noturno frequentemente funciona com apenas dois policiais penais. Outro ponto destacado envolve a rotina de trabalho em um galpão dentro do presídio, onde internos realizam atividades de costura. De acordo com o servidor, apenas um policial penal fica responsável pela custódia dos presos no local, o que representaria risco à segurança. A denúncia também aponta que o policial teria enfrentado perseguição administrativa após solicitar remanejamento por questões de saúde. Um dos pedidos, segundo o relato, teria sido retirado do sistema interno, impedindo a análise por instâncias superiores. Além disso, o documento cita tratamento desigual em relação a outros servidores, com pedidos semelhantes sendo aceitos, enquanto o do denunciante foi negado sem justificativa formal. O servidor ainda relata falhas estruturais na segurança, como a condução de internos com número reduzido de agentes e ausência de condições adequadas de vigilância. Outro ponto envolve a denúncia de uso de viatura em condições precárias. Após alertar sobre problemas mecânicos no veículo, o policial afirma ter sofrido retaliações. Ao Campo Grande News, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que a unidade de Bataguassu é classificada como estabelecimento de custódia destinado a internos de menor grau de periculosidade, conforme critérios definidos a partir de avaliação técnica e classificação penal. Sobre o efetivo reduzido, a agência afirmou que o reforço é realizado por meio de horas extras dos policiais penais. “Em relação ao trabalho no galpão de costura, os internos permanecem em um espaço fechado e seguro, sem contato direto com o policial penal durante as atividades”, diz a nota. Ainda conforme a agência, o acompanhamento dos detentos que trabalham no galpão é feito do lado externo, com supervisão visual.