A bagunça no trânsito em frente às escolas, marcada por fila dupla, paradas irregulares e desorganização nos horários de entrada e saída de alunos, entrou no radar da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Em vez de anunciar medidas de fiscalização mais rígidas, o órgão lançou um programa que aposta na mudança de comportamento para enfrentar um problema recorrente em Campo Grande. SDMC (Sistema Dinâmico de Melhoria Contínua), chamado “Escola Segura”, leva a discussão sobre trânsito para dentro das salas de aula e envolve diretamente escolas públicas e privadas na tentativa de reduzir acidentes e organizar o entorno escolar. Embora o documento não cite situações específicas, o foco está justamente em práticas comuns nas portas das escolas. Fila dupla, parada em locais proibidos, uso do celular ao volante e desrespeito às regras de circulação fazem parte do conjunto de comportamentos que o programa pretende combater ao tratar de “desobediência às normas” e “uso inadequado do espaço público”. A proposta é simples no papel e complexa na execução. As escolas que aderirem ao programa terão que desenvolver atividades ao longo de todo o ano letivo, como palestras, campanhas, ações educativas e até abordagens em vias públicas, sempre com foco na segurança viária. Também precisarão registrar e informar acidentes envolvendo alunos no trajeto entre casa e escola. Na prática, a estratégia desloca parte da solução para dentro das instituições de ensino. Professores e equipes pedagógicas passam a assumir papel ativo na tentativa de mudar hábitos que, hoje, são alvo frequente de reclamações de moradores e motoristas, especialmente nos horários de pico em frente às unidades escolares. Como incentivo, a Agetran criou um selo de qualidade para as escolas que cumprirem pelo menos 70% das atividades previstas. A ideia é estimular adesão ampla, com meta de alcançar todas as instituições de ensino da Capital até o fim de 2026. O programa também prevê a coleta de dados sobre ocorrências no entorno escolar, o que pode ajudar a mapear os pontos mais críticos da cidade. Ainda assim, fica evidente a aposta em um caminho mais educativo do que punitivo.