Добавить новость
123ru.net
World News in Portuguese
Март
2026
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Os novos caminhos da literatura em Goiás: nove escritores em foco

0

A literatura produzida em Goiás vive um momento silencioso, mas profundamente pulsante. Longe dos grandes centros editoriais do país, uma geração diversa de escritores tem construído obras consistentes, marcadas por rigor, experimentação e, sobretudo, por uma relação íntima com a experiência humana. Entre trajetórias consolidadas e vozes em ascensão, esses autores revelam um cenário literário que resiste às dificuldades estruturais e à escassez de leitores, insistindo na palavra como forma de permanência.

Nesse contexto, nomes como Carlos Willian, Simone Athayde, José M. Umbelino Filho, Rodriana Costa e Renan Alves Melo representam diferentes caminhos possíveis dentro da literatura goiana contemporânea. Há quem escreva com a precisão de um ourives, quem transite entre o romance e a literatura infantil, quem construa narrativas a partir da memória e quem transforme a própria vivência em matéria literária. Em comum, todos compartilham a consciência de que escrever, em Goiás, é também um gesto de resistência.

Ao lado deles, surgem outras vozes que ampliam esse panorama, como João Fernandes, com sua poesia de viés simbolista e intenso mergulho existencial, e Solemar Oliveira, que, vindo da Física, constrói na ficção universos marcados por tensões humanas e ambientes hostis, como em As Casas do Sul e do Norte. Completam esse mosaico autores como Thaise Monteiro, Pablo Mathias e Chris Resplande, representantes de uma nova geração que, mesmo diante de um mercado limitado, seguem produzindo e buscando espaço.

Mais do que um retrato individual, este conjunto de escritores revela um ecossistema literário em formação – ainda fragmentado, muitas vezes pouco visível, mas potente em sua diversidade. Entre a poesia e a prosa, entre o acadêmico e o intuitivo, entre o regional e o universal, a literatura goiana contemporânea se constrói como um território de múltiplas vozes, onde cada autor, à sua maneira, insiste em transformar experiência em linguagem.

Renan Alves Melo

Renan Alves Melo | Foto: Divulgação

A literatura de Renan Alves Melo não nasce da pressa, mas, sim, do acúmulo. Nascido em 1987, em Inhumas, interior de Goiás, o escritor e publicitário construiu uma trajetória marcada por pausas longas e retornos intensos, em um movimento que, não por acaso, se aproxima da imagem que atravessa sua obra: a água.

Autor de Mar Escrito (contos) e Caminharias (poesia), ambos lançados em 2012, Renan passou anos afastado da escrita. O reencontro veio durante a pandemia e, com ele, uma produção mais madura e centrada na própria experiência. “Parece que tudo que estava acumulado em mim está saindo em vários projetos”, afirma.

Desse retorno surgiram Verde Novo Mar (2023) e Novitámbulos (2024), este último vencedor da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, uma das mais tradicionais premiações literárias do país. A partir daí, a escrita ganhou ritmo contínuo: um romance já concluído, um livro infantil em espera e um novo livro de poesia em fase de encaminhamento.

Seu terceiro livro publicado, Ver de Novo o Mar, marca também sua estreia pela Mondru Editora e sintetiza o momento atual de sua literatura. A obra reúne 20 contos que giram em torno de uma mesma ideia: a redenção.

“É um mergulho no mais íntimo de personagens machucadas, solitárias e incompletas”, define o autor.

O livro apresenta figuras atravessadas por conflitos profundos: um pai que transforma o amor em tragédia, uma mulher que cultiva por anos uma vingança silenciosa, uma jovem que projeta suas culpas em uma árvore estéril, uma criança que cruza um limite sem volta… Histórias distintas, mas unidas por um mesmo eixo: a tentativa de ressignificar a dor.

O título, segundo Renan, não é apenas imagem, é proposta. “Ver de novo o mar é olhar para a imensidão do próprio ser humano”, diz.

Essa busca por profundidade também marca uma mudança em sua forma de escrever. Se antes havia uma preocupação em agradar o leitor, hoje o movimento é mais íntimo e necessário. “Eu sinto que cada vez mais a minha obra tem voltado para o que de fato importa, que é a minha vivência, o Renan no mundo.”

O amadurecimento, segundo ele, passa justamente por abandonar a expectativa externa. “No começo, eu tentava escrever pensando no outro, no que o leitor gostaria. Hoje eu entendo que preciso escrever o que eu preciso escrever.”

Esse deslocamento também estrutura um projeto maior: uma trilogia que percorre três gêneros — conto, poesia e romance — tendo a água como elemento central. “A água assume formas diferentes e, a partir desse reflexo, eu tento compreender a imensidão do próprio ser humano.”

O romance, ainda inédito, encerra esse ciclo, mas enfrenta um desafio prático: a extensão. Com cerca de 600 a 700 páginas, a obra esbarra em custos editoriais mais altos e em negociações mais complexas para publicação.

Mesmo diante dessas dificuldades, Renan mantém uma relação quase artesanal com a literatura. Escreve à mão, lê livros físicos e valoriza a experiência sensorial da leitura. “Eu sinto que a relação com o livro precisa ser mais forte. Quando você tem o papel em mãos, a obra cresce de forma diferente.”

Essa defesa da literatura como experiência também aparece em sua leitura sobre o cenário cultural goiano. Para ele, a baixa taxa de leitura na capital reflete um problema mais amplo. “Vivemos um tempo em que se valoriza o que é útil, o que traz resposta imediata. A literatura faz o contrário: ela questiona.”

Ele vai além e aponta uma fragilidade estrutural no incentivo à cultura. “Eu sinto que existe muito esforço individual. É um CPF fazendo a cultura acontecer, não um CNPJ”, critica.

Mesmo tendo sido premiado pela Bolsa Hugo de Carvalho Ramos, Renan relata que a publicação da obra prevista no edital ainda não se concretizou. “Um governo empurra para o outro, e a publicação não acontece”, diz, apontando o descompasso entre reconhecimento e efetivo apoio institucional.

Apesar disso, sua própria trajetória mostra o impacto que o incentivo pode ter. Foi em uma escola pública, durante a Semana de Artes (SACEM), que começou a escrever, incentivado por professores. “Tudo nasce do incentivo”, resume.

Hoje, mais do que buscar alcance, Renan busca profundidade. “É mais importante ter poucos leitores que sejam transformados pelo texto do que muitos que esqueçam depois.”

Para ele, a literatura não tem a função de salvar o mundo, mas de expô-lo. “Quem tem que salvar o mundo não é a literatura. A literatura mostra os problemas para que mais pessoas queiram mudá-los.”

No fim, escrever permanece como necessidade vital. “A gente escreve para se manter vivo e, de alguma forma, para fazer o outro se sentir mais vivo também.”

Entre pausas e retomadas, Renan Alves Melo segue escrevendo como quem retorna ao mar: não para encontrar respostas, mas para continuar mergulhando.

José M. Umbelino Filho

José M. Umbelino Filho | Foto: Divulgação

Há escritores que escolhem a literatura. Outros são escolhidos por ela. No caso de José M. Umbelino Filho, nascido em Goiânia em 1986, a escrita não parece ter sido uma decisão, mas uma condição.

Jornalista de formação, mestre em Comunicação e doutor em Sociologia, servidor público da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e membro da União Brasileira de Escritores (UBE-GO) desde 2013, Umbelino construiu uma trajetória sólida, marcada por prêmios e reconhecimento — da menção honrosa no Prêmio Sesc de Literatura (2014) à recente conquista do Prêmio Bariani Ortêncio de Literatura, em 2025, com a obra Santo Antão no Deserto. No percurso, publicou poesia e prosa, incluindo Festa para Raquel, seu primeiro romance.

Mas antes dos títulos e premiações, houve um menino e um caderno.

Ainda na infância, em uma atividade escolar simples — escrever uma história curta — Umbelino voltou para casa e produziu, à mão, cerca de 20 páginas. “Era uma história sobre um cachorro”, relembra. No dia seguinte, diante de colegas que haviam escrito apenas um parágrafo, ele carregava um pequeno “calhamaço”. Mais do que o volume, o que ficou foi a descoberta: o fascínio de transformar pensamento em palavra. “Talvez tenha sido a primeira vez que senti esse encanto.”

Essa relação com a escrita, segundo ele, nunca foi exatamente racional. “Acho que é uma coisa que presta com a gente”, diz. A linguagem, o texto e a literatura acabaram conduzindo tanto sua escolha profissional quanto seu percurso artístico.

Apesar da consolidação no meio literário, Umbelino não romantiza o ofício. No Brasil — e, de forma ainda mais acentuada, em Goiás — viver exclusivamente da literatura permanece um desafio estrutural. “Eu não vivo da literatura”, afirma, com franqueza. A escrita, para ele, oferece outro tipo de retorno: reconhecimento simbólico, circulação intelectual e presença cultural.

A constatação não é isolada. A dificuldade de profissionalização acompanha escritores desde outros períodos históricos. Hoje, ela se soma a um cenário ainda mais complexo: público restrito, mercado editorial competitivo e a necessidade constante de mediação, seja por editais, concursos ou redes sociais.

Nesse contexto, Umbelino aponta caminhos possíveis. Concursos literários, por exemplo, ainda são uma das portas mais acessíveis para novos autores. Editoras independentes, algumas com modelos de pré-venda, também surgem como alternativas. Há ainda as leis de incentivo, embora envolvam processos burocráticos que vão além da escrita: elaboração de projetos, gestão de recursos e articulação cultural.

Mas talvez o maior obstáculo não esteja apenas no mercado e,sim, no leitor.

Uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura colocou Goiânia entre as capitais com menor índice de leitura no país. Para Umbelino, o dado, embora duro, não é surpreendente. Ele aponta duas raízes principais: a histórica elitização da literatura e uma cultura utilitarista.

“A literatura nunca foi, no Brasil, uma arte de massa”, afirma. Durante muito tempo, o acesso à leitura esteve restrito a grupos privilegiados. Ao mesmo tempo, consolidou-se uma lógica prática: lê-se aquilo que “serve” — textos técnicos, religiosos ou de autoajuda. A ficção, nesse cenário, aparece como dispensável.

“Para que serve um poema?”, questiona, ecoando uma dúvida recorrente. A resposta, no entanto, não cabe em métricas imediatas. A literatura, defende, atua na formação cultural e cognitiva — ainda que seus efeitos sejam menos visíveis.

Diante disso, desistir seria uma opção? Para Umbelino, não. Porque, no fundo, não se trata de escolha.

“Se eu fosse médico ou advogado, continuaria escrevendo”, diz. A literatura, para ele, não é profissão no sentido convencional — é ofício no sentido mais antigo da palavra: aquilo que se professa. “Não tem nada mais prazeroso do que ver algo do cotidiano virar história.”

O conflito surge quando a escrita encontra o mercado. A pressão para produzir aquilo que “vende”, a tentação de agradar um público abstrato, a dúvida entre autenticidade e reconhecimento. “Você pode até tentar escrever o que o outro quer, mas isso não garante sucesso e pode ser uma forma de não escrever o que é seu.”

Entre a necessidade íntima e as exigências externas, o escritor goiano segue construindo sua obra — um espaço onde silêncio, linguagem e experiência se encontram. Em um cenário que ainda lê pouco, escrever, para ele, continua sendo um gesto de insistência. E, sobretudo, de permanência.

Simone Athayde

Simone Athayde | Foto: Divulgação

Para Simone Athayde, escrever nunca foi um gesto isolado. É continuidade de uma vida inteira atravessada pela leitura. Goiana, radicada em Anápolis, pós-graduada em Língua Portuguesa e formada também em Odontologia, a autora construiu uma trajetória sólida na literatura, transitando entre romances, contos e livros infantis, sempre acompanhada de uma atuação ativa no cenário cultural.

“O meu pai era um grande leitor. E todo final de semana a gente ia à banca comprar revistinha. Então, assim, eles me moldaram como leitora”, relembra.

Esse incentivo inicial se desdobrou em uma produção constante. Desde a estreia com Calipso e Ulisses, em 2008, Simone mantém uma regularidade rara: “De ano em ano, ou de dois em dois anos, eu estou lançando um livro.”

Entre suas obras estão romances como O chão sobre as águas (2024), O aprendiz de Tiradentes — que recebeu menção honrosa da Academia Goiana de Letras — e A descoberta de Tales, vencedor da Bolsa de Publicações João Luiz de Oliveira. Também assina contos como Hemoglobina Literária, e uma série de livros infantis, entre eles O espelho amalucado e O girassol que só olhava para baixo, adotado em escolas.

A dualidade entre escrever para adultos e crianças não é, para ela, um conflito, mas uma escolha natural. “Eu gosto dessas duas vertentes. Tanto escrevo romances quanto escrevo para crianças”, afirma.

Essa multiplicidade também se reflete no processo criativo. Simone não segue um método rígido: sua escrita nasce do cotidiano, de pequenos acontecimentos que se transformam em narrativa. “Tudo inspira”, diz.

Ela cita um exemplo simples: ao ver girassóis crescendo no asfalto, teve a ideia de um de seus livros infantis. “Um deles estava pendente, não olhava para o sol. E isso virou uma história.”

Além da escrita, Simone atua diretamente na formação de leitores. Membro da União Literária Anapolina (ULA), da Academia de Letras de Anápolis (ALEA) e da União Brasileira de Escritores (UBE-GO), participa da organização de eventos como feiras literárias, cafés culturais e antologias. Também leciona e promove clubes de leitura.

“Eu gosto de trabalhar com educação. É onde eu me identifiquei mais”, afirma.

Apesar da produção consistente e do envolvimento cultural, ela não romantiza o mercado literário. “É muito mais fácil escrever do que divulgar e comercializar. É quase uma missão impossível vender livros”, diz.

A constatação dialoga com um cenário mais amplo. Dados recentes apontam baixos índices de leitura em Goiás, especialmente em Goiânia. Para Simone, o problema é estrutural e envolve múltiplos fatores.

“Primeiro, é cultural. As pessoas não têm a leitura como hábito de lazer. Hoje o celular é um grande concorrente”, explica. Além disso, ela critica a forma como a literatura é trabalhada nas escolas. “Não existe uma formação real do leitor. Muitas vezes são só trechos, resumos. Falta despertar o prazer da leitura.”

Ainda assim, ela identifica movimentos positivos, como o surgimento de clubes de leitura, dos quais participa ativamente. “A gente tem tentado trabalhar com textos mais curtos, para facilitar o acesso e incentivar as pessoas.”

A viabilização dos livros também passa por desafios financeiros. Simone conta que, no início, investia recursos próprios, mas hoje depende majoritariamente de editais. “Atualmente, eu só lanço livros se conseguir aprovação em algum edital. É uma maravilha quando dá certo.”

Seu romance mais recente, O chão sobre as águas, por exemplo, foi viabilizado pelo Fundo Estadual de Cultura. Já novos projetos seguem em busca de incentivo.

Mesmo diante das dificuldades, a escrita permanece como eixo central de sua vida — não apenas como produção artística, mas como ferramenta de transformação.

“Eu sempre gostei muito de ler. E acho que isso foi o que moldou tudo.”

Entre salas de aula, projetos culturais e páginas publicadas, Simone Athayde segue construindo uma literatura que nasce do cotidiano e retorna a ele, formando leitores, ampliando repertórios e insistindo, livro após livro, em um hábito que ainda precisa ser cultivado.

João Fernandes

João Fernandes | Foto: Redes Sociais

A rotina de João Fernandes se divide entre cálculos e versos. Engenheiro civil, responsável por projetos de grande escala em Goiânia — incluindo trabalhos ligados à revitalização do Serra Dourada —, ele atravessa as madrugadas escrevendo poemas. É nesse intervalo entre o concreto e o simbólico que nasce sua literatura.

“Minha vida é basicamente isso: eu trabalho muito, e depois saio daqui de madrugada e fico escrevendo, bebendo café”, resume.

A escrita, no entanto, não é recente. Começou ainda na infância, por volta dos nove anos, quando vivia com a avó na Vila União. “Eu sempre tive essa sensibilidade, esse olhar diferenciado para as coisas. Para o ritmo, para a melodia, para essas questões mais filosóficas”, conta.

Desde então, a poesia se consolidou como eixo central de sua vida — ainda que tenha seguido outro caminho profissional. A escolha pela engenharia, segundo ele, não foi apenas vocacional, mas estratégica. “Eu quis construir uma carreira para que as pessoas também me respeitassem como escritor”, afirma.

Sem nunca ter publicado um livro, apesar de anos escrevendo, João prepara agora sua estreia: A Flor do Abismo, obra prevista para ser lançada ainda este ano. O livro reúne poemas de forte influência simbolista, decadentista e romântica, com predileção por sonetos e uma linguagem marcada pela intensidade estética.

“Minha poesia é muito inspirada em Baudelaire. Eu sinto um decadentismo na cidade ainda hoje”, explica. Para ele, Goiânia carrega traços de uma melancolia contemporânea que ecoa o cenário descrito pelo poeta francês no século XIX. “Eu ando pela cidade e sinto essa tristeza, essa sujeira, essa depressão. E minha poesia dialoga com isso.”

A estrutura do livro também reflete esse mergulho progressivo na escuridão. Dividido pelas horas da noite, o percurso começa ao entardecer, com poemas mais românticos, e avança para territórios cada vez mais densos. “À medida que as horas passam, vai ficando mais reflexivo, depois mais depressivo. Meia-noite traz assombrações. E três horas da manhã… é o ápice, com esse simbolismo mais sombrio”, descreve.

Apesar das referências ao imaginário obscuro, João faz questão de marcar o caráter alegórico de sua escrita. “Não é literal. É o ‘satã’ como símbolo da revolta, da inconformidade com o que está instituído”, explica.

A poesia, para ele, é um processo intenso e quase obsessivo. “Quando estou escrevendo, eu entro em um estado de transe. Fico pensando naquele poema sem parar.” Esse nível de exigência também explica sua demora em publicar. “Eu nunca me senti pronto. E ainda não me sinto totalmente. Mas entendi que, se esperar demais, isso nunca acontece.”

A busca pela perfeição transforma cada poema em uma peça lapidada. “Um poema, para mim, é como uma joia”, define.

Essa relação visceral com a escrita convive com uma visão crítica do meio literário. João observa um movimento crescente de publicações, mas nem sempre acompanhado de rigor estético. “Eu via muita gente querendo publicar por publicar, pensando em dinheiro. Eu queria fazer algo que prestasse.”

Nesse processo, destaca a importância da crítica. Ele cita o escritor Carlos William como uma figura decisiva em sua formação. “Enquanto todo mundo me elogiava, ele apontava falhas. E aquilo fazia sentido. Eu precisei me isolar um tempo para melhorar.”

Hoje, mesmo sem buscar popularidade, João reconhece o lugar específico de sua literatura. “Eu sei que não vou ser um escritor popular. O que eu escrevo seleciona quem vai me ler. E está tudo bem.”

Entre suas referências estão nomes como Baudelaire, Cruz e Sousa, Florbela Espanca, Álvares de Azevedo, Machado de Assis, além de autores do terror e do simbolismo como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft. Mas, acima de tudo, há um eixo que atravessa sua obra: a estética.

“Eu sou aficionado pela beleza. Para mim, a beleza é algo próximo do sagrado.”

Essa busca se manifesta tanto na poesia quanto na própria forma de ver o mundo — seja na arquitetura, na filosofia ou na figura feminina, que ele descreve como uma de suas principais inspirações.

Apesar da intensidade e das contradições que marcam sua fala, João sintetiza sua relação com a literatura em uma frase direta: “A poesia sempre me salvou.”

Entre projetos de engenharia e versos escritos na madrugada, ele constrói uma obra que nasce do excesso — de pensamento, de sensibilidade, de inquietação. Uma escrita que, como o próprio título anuncia, se volta para o abismo — não como queda, mas como forma de olhar.

Carlos Willian

Carlos Willian Leite: poeta, jornalista e editor | Foto: Luiz Augusto

Para Carlos Willian, a literatura não nasce da urgência de publicar, mas da exigência de construir. Em uma trajetória marcada mais pelo rigor do que pela quantidade, o escritor goiano consolida uma obra que se desenvolve lentamente, atravessada por anos de maturação, leitura e reescrita.

Sua relação com a palavra começou ainda na infância. “Publiquei meu primeiro livrinho aos 12 anos, em 1988. Era, evidentemente, um projeto muito marcado pela idade, pela descoberta, pelo entusiasmo inaugural”, relembra. Hoje, ele olha para essa experiência como um gesto de iniciação: “Foi ali que tudo começou”.

A formação literária, segundo ele, está profundamente ligada ao ambiente familiar. “Meu pai era um leitor voraz, alguém que lia o tempo todo, e essa convivência com os livros foi decisiva para mim. Minha mãe, por sua vez, tinha uma relação muito forte com a poesia.” Dessa convivência nasce o que define como uma dupla herança: “de um lado, a presença constante da leitura; de outro, a sensibilidade poética como experiência viva”.

Apesar do início precoce, Carlos considera que sua estreia literária acontece de fato em 1999, com Intempéries do Vento, obra contemplada pela Bolsa Cora Coralina. “Já nasceu de um trabalho formal rigoroso, de uma preocupação concreta com a arquitetura do poema”, afirma.

A partir daí, sua produção se desenvolve de forma contínua, ainda que sem pressa. Em 2006, publica Noves Fora: Nada, livro premiado com o Prêmio Walmir Ayala. Em 2010, experimenta outro gênero, com uma obra teatral composta por esquetes. Depois disso, entra em um longo período sem publicar, mas não sem escrever.

Esse intervalo foi, na verdade, um tempo de maturação, explica.

O retorno acontece com Trapezista sobre Cama de Faquir, obra contemplada pela Bolsa Hugo de Carvalho Ramos e construída ao longo de aproximadamente 15 anos.

É um livro que não nasceu da pressa, mas da insistência; não do impulso imediato, mas do amadurecimento, diz.

A forma como Carlos compreende a literatura ajuda a entender esse percurso. Para ele, escrever nunca foi apenas interesse, mas compromisso. “Sempre a entendi como uma atividade paralela no plano prático, mas central no plano da exigência.”

Essa exigência se traduz em uma postura clara diante da escrita.

Nunca me interessou escrever em quantidade. Sempre me interessou escrever com precisão. Cada palavra precisa justificar a sua presença. O que me move nunca foi o volume, mas a qualidade; nunca a pressa, mas a densidade.

A construção dessa voz literária passa, sobretudo, pela leitura. “Minha voz literária foi moldada, antes de tudo, pela convivência intensa com a grande poesia.” Entre suas principais referências estão nomes como T. S. Eliot, Ezra Pound, Arthur Rimbaud e Herberto Helder, além de Ferreira Gullar, no Brasil. “São autores que não apenas admirei, mas que me tensionaram e me obrigaram a pensar a poesia em níveis mais radicais de elaboração.”

Além da literatura, experiências de vida também atravessam sua escrita. Ele destaca o período em que viveu em Brasília como especialmente marcante. “Foi uma fase conturbada, intensa e, justamente por isso, muito formadora.”

Embora tenha nascido e vivido em Goiás, Carlos não trabalha a região como tema explícito. “Goiás aparece na minha escrita menos como cenário programático e mais como matéria de experiência, memória e formação”, explica. Sua poesia, segundo ele, é profundamente autobiográfica, mas não regionalista. “O que me move não é a representação de um território, mas uma investigação mais funda da condição humana.”

No cenário local, ele também reconhece influências importantes. Cita nomes como Edival Lourenço, Pio Vargas, Delermando Vieira e Valdivino Braz como autores que contribuíram para sua formação literária e sensível.

Atualmente, o foco está na chegada de seu novo livro ao público. Mais do que uma publicação, Trapezista sobre Cama de Faquir representa um ciclo inteiro de trabalho. “Ele carrega o tempo em sua própria matéria”, define.

E, embora já pense no futuro, Carlos mantém o olhar no presente — fiel à sua própria concepção de literatura: um processo contínuo, paciente e rigoroso.

“Há nele um grau de condensação e de exigência que só o tempo poderia produzir.”

Thaise Monteiro

Thaise Monteiro | Foto: Fábio Lima (@aconteceimagens)

A trajetória de Thaise Monteiro se constrói no encontro entre a palavra e a cena. Nascida em Campo Grande (MS), mas radicada em Goiás desde a infância, a escritora encontrou na poesia e no teatro dois caminhos complementares de expressão — ambos atravessados por uma investigação constante sobre o humano.

Foi ainda jovem que essa relação começou a se consolidar. Em 2006, fundou a Cia de Arte Poesia que Gira, espaço onde desenvolve trabalhos como atriz e que se tornou um eixo importante de sua atuação artística. Ao longo dos anos, também integrou grupos teatrais da capital goiana, como o Grupo de Teatro Guará, Farandôla Teatro, Arte Fatos e o Corpo de Voz, coletivo voltado à vocalização de poesia.

Essa vivência cênica atravessa diretamente sua escrita. Na dramaturgia, é autora de espetáculos como Rato de Biblioteca e A menina que fala poemas descalça. Já na poesia, constrói uma obra reconhecida pelo rigor formal e pela densidade sensível.

Seu primeiro livro, Modus operandi, recebeu menção honrosa na Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, em 2015, e foi publicado em 2017. No ano seguinte, Equinócio foi vencedor do mesmo prêmio na categoria poesia, consolidando seu nome no cenário literário goiano.

A produção poética de Thaise se expandiu ao longo dos anos com títulos como A casa da rua 1013, Sobressalto, quedas e outros voos e Tanatose ou breve estudo das necessidades do fim, além de À moda de 22, escrito em parceria com Jamesson Buarque e vencedor do Prêmio de Publicação dos 100 anos da Semana de Arte Moderna, concedido pelo Ministério da Cultura.

“Acho que eu vou morrer em processo. Porque eu acho que a vida é isso, né? A gente está sempre buscando. Está sempre trabalhando. Então, eu acredito que eu ainda não tenho uma voz consolidada. Estou em processo, com seis obras publicadas”, afirma Thaise.

Sobre sua escrita, a poeta e crítica Micheliny Verunschk destaca, em prefácio, a combinação entre técnica e sensibilidade. Seus poemas, segundo ela, são estruturados com “rigor e sensibilidade” e revelam “um olhar que ora transita da grande angular para a particularidade”. Nesse movimento, o foco recai sobre dimensões essenciais da experiência humana: “a dor, a angústia, a solidão, a respiração”.

Eu senti a necessidade de contar a minha história, que é por meio da poesia, que acaba sendo a história de muita gente

Segundo ela, se os escritores não contarem suas histórias, a história oficial não vai contar. “A gente precisa dar conta disso. Para que essas histórias não se percam. E aí, por meio da poesia, eu quis contar essas memórias”, relata sobre sua obra A casa da rua 1013.

A formação acadêmica acompanha essa densidade literária. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Thaise seguiu na pesquisa acadêmica, tornando-se mestre em 2014 e doutora em Estudos Literários em 2018.

Além da poesia e do teatro, sua produção também alcança o público infantil. Atualmente, trabalha no livro As aventuras do incrível Glauco na terra dos que veem, em fase de edição, ampliando ainda mais o alcance de sua escrita.

Entre palco e página, Thaise Monteiro constrói uma obra que não separa linguagem e corpo. Sua literatura se move — como sua própria companhia artística sugere — em um gesto contínuo, onde poesia, voz e presença se entrelaçam na tentativa de compreender aquilo que pulsa dentro e fora do sujeito.

“Eu quero brincar e falar das coisas do mundo, do cotidiano, dos meus sentimentos, das notícias do dia a dia”, conclui a escritora.

Solemar Oliveira

Solemar Oliveira | Foto: Divulgação

A trajetória de Solemar Oliveira transita entre dois campos que, à primeira vista, parecem distantes: a ciência e a literatura. Físico, doutor e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), ele constrói, na ficção, um espaço onde a lógica do mundo real cede lugar às tensões humanas, às ambiguidades e às múltiplas possibilidades da existência.

Autor de uma obra extensa, que reúne contos, romances, novelas e até experimentações coletivas, Solemar tem títulos como Rosa de Vênus (2012), vencedor da Bolsa de Publicações João Luiz de Oliveira; Desconstruindo Sofia (2017), que recebeu menção honrosa na Bolsa Hugo de Carvalho Ramos; e As casas do Sul e do Norte (2019), também vencedor da mesma premiação. Sua produção mais recente inclui Atirador de facas (2023) e Vela Apagada por um Sopro (2025), consolidando uma escrita marcada pela diversidade formal e temática.

Apesar da constância na publicação, ele relativiza a ideia de profissionalização na literatura. “Não há um momento exato para isso acontecer. Ser profissional é algo complicado”, afirma. Para ele, o compromisso com a escrita se constrói ao longo do tempo: “Acho que adquiri um certo profissionalismo com a maturidade, que aconteceu lá pelo quinto livro.”

Essa maturidade está diretamente ligada à leitura — elemento que ele aponta como central na formação de qualquer escritor.

Se você escreve um livro, tem que ter lido pelo menos 100 antes. O segredo para uma boa escrita e uma voz distinta é a leitura.

Entre as obras que marcaram sua trajetória, ele cita títulos como O túnel, de Ernesto Sabato, Meridiano de sangue, de Cormac McCarthy, e O estrangeiro, de Albert Camus. “Alguns livros me deixaram marcas indeléveis e me influenciaram”, afirma.

Sua literatura, embora nascida em Goiás, não se prende a um regionalismo explícito. “Aparece pouco”, diz sobre a presença do Estado em sua obra. Ainda assim, elementos locais surgem de forma orgânica. “Histórias de infância com peculiaridades locais, crenças, comidas, ditados, também surgem eventualmente.”

Essa mesma lógica se aplica às suas referências literárias, que atravessam diferentes tradições. Entre os autores que mais o influenciam estão Franz Kafka, Albert Camus, Fiódor Dostoiévski, Jorge Luis Borges, Juan Rulfo e Elena Garro — nomes que ajudam a compor uma escrita voltada para questões existenciais e para a complexidade da condição humana.

Atualmente, Solemar mantém uma produção ativa. “Estou lançando a segunda edição de Confraria dos homens invisíveis e trabalhando em um novo romance com título provisório ‘As ruínas’”, conta. Além disso, desenvolve um projeto em parceria com o escritor Ademir Luiz: “um romance chamado ‘O relógio quântico’, que é um livro de minicontos com fotografias de Ana Paula Faria.”

Entre fórmulas, teorias e narrativas, Solemar Oliveira constrói uma obra que reflete sua própria formação múltipla. Se, na Física, busca compreender as leis que regem o universo, na literatura investiga aquilo que escapa a qualquer cálculo: as escolhas, os conflitos e as forças invisíveis que moldam o percurso humano.

Pablo Mathias

Pablo Mathias | Foto: Arquivo

A literatura de Pablo Mathias nasce do deslocamento — geográfico, humano e sensível. Biólogo de formação, atuando com consultoria de fauna e meio ambiente, ele constrói sua escrita a partir da vivência em campo, do contato com diferentes territórios e das histórias que emergem desses encontros.

“Estou sempre em campo e acho que essa experiência com diversas pessoas em diversos lugares do país ajudaram muito a querer contar histórias”, afirma.

Antes de consolidar uma obra individual, Pablo participou de diversas antologias, incluindo publicações da Editora Negalilu e projetos ligados à União Brasileira de Escritores (UBE). Mas foi com Tamarindos, seu livro de contos, que sua trajetória ganhou forma mais definida. A obra venceu a Bolsa Hugo de Carvalho Ramos em 2021, na categoria Prosa, e foi publicada em 2023.

Os seis contos que compõem Tamarindos estruturam uma única narrativa ficcional expandida: um périplo elaborado a partir de fragmentos interconectados, explica.

Segundo ele, o livro constrói uma rede de relações que ultrapassa o humano. “Originária do reino vegetal, uma teia sutil revela e dá sentido a relações humanas e não humanas, conduzindo leitoras e leitores à apreciação de abismos abertos pelo silêncio.”

A relação com a literatura não surgiu de forma abrupta, mas como um processo gradual. “Não lembro bem o momento certo. Ao longo das leituras, o desejo de escrever foi surgindo aos poucos, ao longo dos anos”, conta. E completa: “A cada livro, romance, conto, crônica e poema ia aumentando a vontade de também contar histórias.”

Essa construção lenta se mistura à sua trajetória profissional. Desde a infância, a literatura esteve presente como refúgio.

Sempre foi um hobby, uma válvula de escape, diz.

Com o tempo, as duas dimensões se encontraram. “Daí em determinado momento acho que as duas coisas se uniram.”

Em sua obra, Goiás aparece como território inevitável. Em Tamarindos, por exemplo, o cenário é explicitamente regional. “Todos os contos são ambientados em Goiás, o sertão goiano, o Araguaia, a nossa gente e nossa cultura”, afirma. Mesmo quando a narrativa se desloca para o espaço urbano, como em seu próximo romance, a identidade permanece. “As personagens, as ideias, o livro todo são goianos. Acho que não temos como fugir disso.”

As influências literárias de Pablo atravessam diferentes tradições e épocas. Ele cita autores da geração beat, como Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg, além de nomes como Albert Camus, Ernest Hemingway, Virginia Woolf e Mercè Rodoreda. Entre contemporâneos, menciona Elena Ferrante, Carol Bensimon e Sergio Sant’Anna, além de escritores goianos como Larissa Mundim, Luiz Gustavo Medeiros e Tarsilla Couto.

“Atualmente estou trabalhando no romance Réptil, que deve sair em abril/maio pela Negalilu Editora”, revela. A fase final do livro tem exigido dedicação intensa. “A finalização deste material está consumindo um bom tempo.” Depois disso, ele pretende retomar um projeto já iniciado, que envolve a ferrovia Mogiana, ligando Araguari a Goiânia.

Entre a ciência e a literatura, Pablo Mathias constrói uma escrita que observa, registra e transforma. Histórias que nascem do território — mas que, como suas próprias palavras sugerem, se expandem em fragmentos, conexões e silêncios.

Chris Resplande

Chris Resplande | Foto: Divulgação

A trajetória literária de Chris Resplande nasce de forma recente, mas carrega uma densidade construída ao longo de toda uma vida de leitura. Ao falar de si, ela recorre ao humor de Mário Quintana: “Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo.” A citação, além de situar sua relação com a literatura, revela também o tom sensível e reflexivo que atravessa sua obra.

A leitura sempre esteve presente.

Cresci em uma família generosa e acolhedora, porém austera, de muito rigor quanto ao estudo e grande incentivo à leitura, conta.

Ainda assim, a escrita só se firmou mais tarde, em um contexto específico: a pandemia.

“A escrita surgiu de fato na pandemia, em 2020. Descobri na poesia um modo de enfrentar aquele período terrível que passamos.” O que antes eram textos esparsos ganhou forma e constância. “A poesia brotava e entendi que minha existência tinha ali uma síntese e que ainda teria muito a dizer.”

Esse processo se fortaleceu com a participação em oficinas literárias.

Esta inquietação se aguçou com oficinas de poesia que participei com ‘mestres da palavra’ que me deram a coragem suficiente para seguir e dizer que sou poeta.

A partir daí, a escrita deixou o espaço íntimo e passou a circular. Chris criou um perfil nas redes sociais e começou a publicar seus poemas. Em seguida, deu início a um projeto que se tornaria central em sua trajetória: encontros poéticos online, realizados em parceria com o Museu Antropológico da UFG.

“Em 2021, surge um projeto de poesia online, no YouTube, que produzo e apresento”, explica. A iniciativa abriu caminho para novas experiências: “Estes encontros puxaram outros momentos, palestras, rodas de conversa, encontros com autores.”

Além da produção individual, Chris também atua como organizadora de obras coletivas. Ela assina três antologias — Sala de Espelhos (2022), Plural (2023) e Janelas (2025) — reunindo poetas de Goiás e de outros estados. “São resultado dos encontros poéticos online”, afirma.

Sua atuação inclui ainda a publicação de uma biografia, em coautoria com o poeta Luiz de Aquino, e a preparação de seu primeiro livro solo de poemas. “Em abril próximo vou lançar Silêncios Guardados, pela editora NêgaLilu”, conta. A obra integra uma premiação literária da qual foi vencedora.

Apesar dos avanços, Chris encara a literatura como um processo em construção. “Creio que ainda não percebi bem isto da literatura como carreira profissional; está em construção e leva tempo”, afirma. O que já se consolidou, no entanto, é o compromisso com a escrita. “Percebi isso quando autores que admiro passaram a me reconhecer como poeta.”

A formação de sua voz literária está diretamente ligada à escuta. “Costumo dizer que esta voz fala em dissonâncias ou muito baixinho”, diz. E aponta como experiência decisiva os encontros que promoveu. “Nestes cinco anos entrevistei cerca de 120 poetas e, de cada um, aprendi algo. Aprendi principalmente a ler como uma escritora.”

Em sua literatura, Goiás aparece como pertencimento. “É a aldeia que de tão minha, é universal”, define.

Suas referências literárias remontam à infância, com autores como Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, e se estendem à poesia brasileira, especialmente Adélia Prado, a quem chama de “minha poeta maior”, além de nomes como Manoel de Barros, Cecília Meireles e Mário Quintana.

Atualmente, divide o tempo entre a escrita e a pesquisa acadêmica, como mestranda em Ciências da Religião. Ainda assim, novos projetos já estão em curso. “Tenho o projeto de um novo livro de poesia em parceria com meu irmão Júlio, a ser publicado em 2027.”

Entre a descoberta tardia e a construção contínua, Chris Resplande afirma sua escrita como espaço de escuta, encontro e permanência — uma poesia que nasce do silêncio, mas encontra, no outro, sua ressonância.

Rodriana Costa

Rodriana Costa | Foto: Divulgação

A literatura de Rodriana Costa nasce do encontro entre memória, formação acadêmica e imaginação. Natural de Pires do Rio, a escritora construiu uma trajetória que transita entre a pesquisa e a ficção, articulando sua atuação como professora, pesquisadora e autora.

“Desde a minha adolescência escrevi diários e cartas em forma de orações”, relembra. A escrita, no entanto, ganhou outro contorno na vida adulta, quando encontrou na área de Letras seu caminho. “Apaixonei-me pela Literatura, não pela parte crítica, mas pela leitura e escrita de universos ficcionais.”

Sua formação acadêmica acompanha esse percurso. Graduada em Linguística e Língua Portuguesa, concluiu mestrado pela UFG e doutorado pela UnB, período em que passou a publicar textos científicos e consolidar sua trajetória intelectual. “Hoje me considero uma escritora, professora e pesquisadora cuja trajetória profissional transita com notável fluidez entre a produção literária e a investigação acadêmica”, afirma.

A produção literária se desenvolve em paralelo à acadêmica. Rodriana escreve contos e crônicas publicados em sites, coletâneas e livros, além de ter obras reconhecidas em premiações. Entre seus destaques estão o conto “Minha amiga Esmeralda”, publicado em uma antologia internacional em Cabo Verde, e “A camareira”, premiado pelo Prêmio VIP de Literatura em 2024.

Entre seus livros, Aromas e Memórias (2022) reúne narrativas que giram em torno de lembranças, especialmente de personagens femininas. Já Casulo da Borboleta (2025) aprofunda esse olhar, trazendo 14 contos que exploram diferentes dimensões da experiência humana. “As personagens, sufocadas por suas realidades e possibilidades limitadas, lutam para encontrar um sentido em meio ao caos”, explica.

Sua escrita é profundamente atravessada pelo território de origem. “Em meus contos, o estado de Goiás é central”, afirma. E reforça: “Goiás está em mim, é inevitável!”

Esse vínculo aparece tanto na ambientação quanto na construção das personagens e das memórias que estruturam suas narrativas. Em Aromas e Memórias, por exemplo, a autora homenageia sua cidade natal, enquanto em Casulo da Borboleta constrói um percurso que acompanha transformações femininas ao longo do tempo.

O momento em que a literatura deixou de ser apenas interesse também está ligado à sua formação acadêmica. “Quando ingressei na carreira acadêmica e publiquei meu primeiro texto científico”, diz sobre a virada de chave que consolidou o compromisso com a escrita.

As influências literárias são marcadas por grandes nomes da tradição. “Machado de Assis foi minha referência clássica”, afirma, citando também Clarice Lispector, por quem declara forte admiração. Entre autores estrangeiros, destaca Dostoiévski, além de Virginia Woolf e Jane Austen.

“Escrever imersa em outro mundo é uma experiência surreal em que as personagens ganham vida, esquivando-se do meu controle”, define, ao descrever seu processo criativo.

Atualmente, Rodriana trabalha em novos projetos, incluindo um romance em fase editorial, Ousadia, e um romance histórico em desenvolvimento. “Estou debruçada em pesquisas do século XIX, para a construção de um cenário de época”, conta.

Entre a memória pessoal, a formação acadêmica e a criação ficcional, Rodriana Costa constrói uma escrita que busca compreender o humano em suas camadas mais íntimas — sempre ancorada em suas origens, mas aberta a múltiplas possibilidades de mundo.

Leia também: Mercado editorial em Goiás e suas dificuldades em um estado alheio à leitura

O post Os novos caminhos da literatura em Goiás: nove escritores em foco apareceu primeiro em Jornal Opção.






Загрузка...


Губернаторы России

Спорт в России и мире

Загрузка...

Все новости спорта сегодня


Новости тенниса

Загрузка...


123ru.net – это самые свежие новости из регионов и со всего мира в прямом эфире 24 часа в сутки 7 дней в неделю на всех языках мира без цензуры и предвзятости редактора. Не новости делают нас, а мы – делаем новости. Наши новости опубликованы живыми людьми в формате онлайн. Вы всегда можете добавить свои новости сиюминутно – здесь и прочитать их тут же и – сейчас в России, в Украине и в мире по темам в режиме 24/7 ежесекундно. А теперь ещё - регионы, Крым, Москва и Россия.


Загрузка...

Загрузка...

Экология в России и мире




Путин в России и мире

Лукашенко в Беларуси и мире



123ru.netмеждународная интерактивная информационная сеть (ежеминутные новости с ежедневным интелектуальным архивом). Только у нас — все главные новости дня без политической цензуры. "123 Новости" — абсолютно все точки зрения, трезвая аналитика, цивилизованные споры и обсуждения без взаимных обвинений и оскорблений. Помните, что не у всех точка зрения совпадает с Вашей. Уважайте мнение других, даже если Вы отстаиваете свой взгляд и свою позицию. Smi24.net — облегчённая версия старейшего обозревателя новостей 123ru.net.

Мы не навязываем Вам своё видение, мы даём Вам объективный срез событий дня без цензуры и без купюр. Новости, какие они есть — онлайн (с поминутным архивом по всем городам и регионам России, Украины, Белоруссии и Абхазии).

123ru.net — живые новости в прямом эфире!

В любую минуту Вы можете добавить свою новость мгновенно — здесь.






Здоровье в России и мире


Частные объявления в Вашем городе, в Вашем регионе и в России






Загрузка...

Загрузка...





Друзья 123ru.net


Информационные партнёры 123ru.net



Спонсоры 123ru.net