O legado de corrupção de Ali Larijani
Ali Larijani, o homem que “de facto” governava o Irã como secretário do Conselho de Segurança Nacional, assassinado por Israel na última terça-feira, 10, durante anos foi alvo não só do governo israelense, mas de grupos da oposição iraniana que o acusavam de liderar um esquema de corrupção.
O jornal Al Arabia, em 2020, estimou que a fortuna de Larijani passava de US$ 70 milhões, o equivalente à R$ 350 milhões e que o político mais próximo do ex-líder supremo, Ali Khamenei, figurava entre os mais ricos da elite de clérigos do Irã.
A origem do dinheiro, que fez Larijani tornar-se uma peça-chave do regime dos aiatolás, nunca foi explicada. O silêncio sempre causou estranheza e por isso os questionamentos eram frequentes. No começo de 2020, os irmãos de Larijani foram acusados de participarem de em esquema de corrupção.
As alegações envolviam a invasão ilegal de terras, suborno e 63 contas bancárias pessoais recheadas de bilhões de Rials, a moeda iraniana. Primeiramente, as contas foram atribuídas ao irmão mais velho de Larijani, Sadiq Larijani, ex-presidente da Suprema Corte do Irã.
O caso aumentou ainda mais a disputa pelo poder no parlamento iraniano que Larijani presidiu durante uma década. Nessa época, era ele quem comandava o Legislativo e seu principal rival era o então presidente Mahmoud Ahmadneijad. Ele exibiu um vídeo no plenário que provava os atos de corrupção dos irmãos. Em resposta, Ali Larijani usou o cargo para barrar as investigações no parlamento e o irmão dele fez o mesmo no Judiciário. O caso foi abafado e nunca mais se falou nisso.
Recentemente, um grupo iraniano de direitos humanos, IRAN HRM, divulgou um dossiê em que acusa Larijani de estar envolvido em diversos casos de corrupção como peculato no sistema bancário, invasão de terras e lavagem de dinheiro. Segundo o documento, só no ano passado, ele adquiriu propriedades em Dubai, Malásia e Qatar.
Em 2021, Ali Larijani conduziu um acordo bilionário entre o Irã e a China que previa investimentos no país durante 25 anos. Há suspeitas de que houveram negociações subterfugias e que ele teria recebido o pagamento de comissões dos chineses. Há suspeitas de que toda família de Larijani foi beneficiada.
As sanções do governo americano contra o Irã recaíram também sobre ele. Larijani tinha parte do seu patrimônio bloqueado há alguns anos. Em janeiro de 2026, o Tesouro dos Estados Unidos impôs mais sanções contra ele, alegando que o governo iraniano usava o dinheiro do estado para manter a repressão e o financiamento de grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollá.
O Tesouro observou que foi Larijani o primeiro alto oficial do regime a autorizar o uso da força contra os protestos que se espalharam pelo país em dezembro e janeiro. Na última sexta-feira, 13, Ali Larijani participou de um protesto nas ruas de Teerã contra a guerra e concedeu uma entrevista para a TV estatal. Ele fez uma ameaça de morte ao presidente americano Donald Trump. Na terça, 17, foi enterrado em Teerã.
O post O legado de corrupção de Ali Larijani apareceu primeiro em Jornal Opção.
