Mais da metade do público do MotoGP em Goiânia deve ser estrangeiro, aponta pesquisa
A realização do MotoGP Goiânia 2026 já impacta diretamente o turismo e o setor aéreo. Levantamento da Goiás Turismo sobre a emissão de passagens mostram crescimento expressivo tanto no público estrangeiro quanto na procura dentro do Brasil.
Atualmente, 56% dos bilhetes emitidos são internacionais, enquanto 44% são nacionais. Na comparação com o mesmo período de 2025, a demanda internacional cresceu 240%, e a nacional, 221%.
Além disso, a intenção de viagem vem crescendo ao longo dos meses, com três picos: em julho de 2025 (anúncio do evento), outubro de 2025 (início das vendas de ingressos) e início de 2026, com a proximidade da corrida.
Entre os turistas estrangeiros, a Espanha lidera com 29% das emissões, seguida por Itália (14%), Estados Unidos e Reino Unido (7% cada) e Argentina (6%). Países como Japão (+1900%), Alemanha (+625%) e Itália (+629%) registraram crescimento acelerado na procura.
No recorte nacional, o protagonismo é do Sudeste. São Paulo lidera com folga, concentrando 68% dos bilhetes emitidos, seguido por Rio de Janeiro (13%), Santa Catarina (3%), Distrito Federal (2%), Paraná (2%), Bahia (2%), Rio Grande do Sul (1%), Rio Grande do Norte (1%), Ceará (1%) e Pernambuco (1%).
O destaque vai para o crescimento de alguns estados, como Rio Grande do Norte (+800%), Ceará (+600%) e Pernambuco (+500%), indicando expansão do interesse pelo evento além dos grandes centros. A tendência é de aumento contínuo na procura por viagens até a realização do MotoGP.
Observatório do Turismo
Coordenadora do Observatório, Amanda Borges afirma que a dimensão da procura só se tornou clara após a análise dos dados. “A gente sempre tem ideia de que vai aumentar, claro, pelo tamanho do evento, mas quando a gente consegue quantificar isso, sem quantificar a gente nunca saberia o tamanho que é essa procura”, disse.
A organização do evento envolve diferentes frentes do governo estadual. A Secretaria-Geral de Governo (SGG) coordena a estrutura geral, enquanto a Goiás Turismo ficou responsável por capacitação e pesquisa.
“A Goiás Turismo ficou responsável pela parte de treinamento e pela parte também da pesquisa”, explicou Borges. De acordo com ela, cerca de 300 bolsistas do programa ProBem foram treinados para atuar no atendimento ao turista.
Eles estarão distribuídos em 13 Centros de Atendimento ao Turista (Cates), instalados em pontos estratégicos como aeroporto, rodoviária, hotéis e nas imediações do autódromo.
“Parte desses alunos são bilíngues, então eles têm a identificação no crachá. A gente fez treinamento em hospitalidade, sobre o MotoGP e também sobre como abordar em inglês, espanhol e português”, afirmou.
Além disso, parcerias com instituições como a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e ações do trade turístico complementam a preparação. Um guia oficial do evento, com versão em inglês, também foi disponibilizado online.
Apesar do alto volume de turistas esperado, o estudo atual não mensurou o impacto econômico direto do evento. Segundo Borges, isso será feito apenas durante o MotoGP.
“Essa é uma pesquisa preditiva, de demanda aérea. A pesquisa que a gente vai aplicar durante o evento é que vai perguntar sobre gastos com hospedagem, lazer e transporte. É assim que a gente consegue ter essa noção do impacto econômico”, explicou.
Os dados também revelam diferenças no perfil dos visitantes. Entre os estrangeiros, 12,6% vêm a trabalho, número bem superior aos 0,5% registrados entre turistas nacionais. “Isso acontece porque vem muita gente da equipe, da logística, da imprensa. Não vem só o piloto, vem todo um staff muito grande”, disse Borges.
Já o turismo de lazer predomina: 87,4% entre estrangeiros e 99,5% entre brasileiros. Houve ainda um crescimento expressivo de 26% na demanda aérea em comparação ao ano anterior.
O estudo considera apenas passageiros que chegam por via aérea ao Aeroporto de Goiânia, incluindo conexões internacionais. Turistas que desembarcam em Brasília ou outros aeroportos e seguem por transporte terrestre não foram contabilizados.
“Não retrata totalmente o perfil de quem participa do evento, porque não pega quem vem por meio terrestre. Mas já é uma noção importante”, ponderou Borges. Além disso, foram excluídos residentes de Goiânia e passageiros em conexão para outros destinos, para garantir maior precisão nos dados.
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