Quem olha as fotografias de Arthur Freitas ou Tucco Pitanga, como ele assina, até desconfia que as imagens foram feitas por Inteligência Artificial. Os detalhes e as cores são tão expressivas que a dúvida não é incomum. Embora pareça, o trabalho é manual e tem uma inspiração que não abandona o fotógrafo nunca: os animais e a cultura latino-americana. Aos 20 anos, o campo-grandense usa a moda e a direção de arte para mostrar a identidade da fronteira e também do Pantanal. O apelido de Tucco veio de casa, foi dado pela mãe e pela avó, e o sobrenome artístico é uma lembrança do pé de fruta no quintal da infância. Natural de Campo Grande, ele carrega uma mistura de raízes paraguaias, mineiras e baianas. O olhar para a estética não veio do nada. Criado com os avós, ele aprendeu a pintar e desenhar com a avó artesã e pegou o gosto pela escrita com o avô poeta. Hoje, ele está no último ano do curso de História na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) onde pesquisa cultura afro-brasileira e a relação entre música e moda. Para completar a formação, também buscou cursos de direção criativa e styling em lugares como a Vogue. "A arte é a minha maior carta de alforria. É através dela que encontro liberdade para existir e me expressar, criar é uma forma de transcender e, ao mesmo tempo, despertar nas pessoas a liberdade que também existe dentro delas". No currículo, Tucco já acumula trabalhos com nomes da cena nacional. Entre os projetos autorais, ele destaca as séries “Latinos do Pantanal”, “Vestígios” e “Piratas do Sul”, que usam a arqueologia e a história do estado para criar imagens que questionam o que foi "escondido" ou retirado do território ao longo do tempo, além de mostrar a beleza das pessoas e animais. "Fotografia e direção de arte exigem bastante trabalho. Algumas imagens levam até um mês para ficarem prontas, entre planejamento, captura e edição. Inclusive no meu Instagram eu compartilho um pouco desse processo, mostrando como fotografar e usar programas de edição". Para o jovem, o trabalho com a arte tem um significado direto. É por meio dele que Tucco busca retratar elementos que fazem parte do cotidiano e da identidade da região. A proposta é revisitar aquilo que muitas vezes passa despercebido e trazer um novo olhar para o que já existe, mas que raramente é valorizado. Foi por isso que ele fez a série fotográfica “Territórios da América Morena”, na tentativa de mostrar um olhar sobre a identidade cultural e territorial da região de fronteira. Inspirada na ideia de “terra morena”, a série conecta Mato Grosso do Sul à América Latina, destacando as relações culturais, históricas e simbólicas presentes nessa América do Sul fronteiriça. Nos próximos meses, ele planeja levar sua visão do Pantanal para outros cantos do país, com produções previstas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.