Mulheres bombeiras conquistam espaço em carreira historicamente masculina e inspiram novas gerações
Sirenes ligadas, equipamentos prontos e a missão de salvar vidas. Essa é a rotina dos bombeiros militares, uma profissão historicamente masculina, mas que tem contado cada vez mais com a presença de mulheres que conquistam espaço e enfrentam desafios.
Em Goiás, o Corpo de Bombeiros conta com 399 mulheres na corporação. Elas atuam em diversas áreas, demonstram alta capacitação e um grande amor pela profissão. Esse é o caso da cabo Alessandra Riad Iskandar. Ao Jornal Opção, ela relatou que já viveu diversas situações marcantes ao longo da carreira, desde o enfrentamento de um câncer de mama até episódios de machismo, além de resgates e ocorrências que exigiram superação.
Para ela, a presença feminina também contribui para um atendimento mais humanizado às vítimas. “A mulher no Corpo de Bombeiros tem muito esse olhar mais maternal. Mesmo com as ocorrências ficando automáticas com o tempo, conseguimos olhar para a vítima com mais carinho, atenção e cuidado”, relatou.
A militar destaca que a presença feminina representa uma conquista importante. Segundo ela, no concurso em que ingressou, em 2013, a participação das mulheres ainda era bastante limitada. “É uma conquista muito grande. No meu concurso, em 2013, apenas 10% das vagas eram destinadas às mulheres. Hoje isso já é equiparado, então a tendência é que haja cada vez mais mulheres”, afirmou.
Para ela, a ampliação da presença feminina é resultado da força e persistência das próprias mulheres. “A gente precisa ter força dentro das corporações. Eu só quero ver a mulherada tomando conta, com garra, força e dedicação”, declarou.
A presidente do Comitê para Questões da Mulher e da Diversidade, major Joyce Ferreira Faria, explica que esse cenário vem mudando gradualmente desde 2019, após a criação de iniciativas voltadas à valorização e proteção das mulheres. “Em 2019, com o governo do governador Ronaldo Caiado, foi desenvolvido o Pacto Goiano pelo fim da violência contra a mulher. Dentro desse pacto, a Secretaria de Segurança Pública criou comitês nas instituições do Estado para desenvolver políticas de melhorias para os servidores”, explicou.
Semana da Bombeira Militar 2026
Ao longo desta semana, entre os dias 2 e 6 de março, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás realiza a Semana da Mulher Bombeira 2026. O evento conta com a participação de diversas autoridades e tem como objetivo promover a valorização e o reconhecimento das mulheres na instituição.
A presidente do Comitê para Questões da Mulher e da Diversidade destaca que a iniciativa também busca ampliar o debate sobre a presença feminina nas forças de segurança. “O evento foi pensado para valorizar as bombeiras militares e reconhecer as conquistas e contribuições das mulheres, além de abrir espaço para o diálogo sobre temas importantes e destacar lideranças femininas na segurança pública.”
Durante a solenidade de abertura, também foi anunciada a portaria interna que institui o Dia da Mulher Bombeira Militar de Goiás, que passa a ser comemorado em 4 de fevereiro.
A expectativa da corporação é que ações como essa fortaleçam ainda mais a presença feminina na instituição e inspirem novas gerações de mulheres a seguir carreira no Corpo de Bombeiros.
Mulheres na segurança pública
A presença feminina também tem avançado em outras áreas da segurança pública. Cada vez mais mulheres ocupam cargos estratégicos e posições de liderança em instituições responsáveis pela proteção da sociedade, contribuindo para a construção de políticas públicas e para o fortalecimento das forças de segurança no país.
Para a superintendente da Polícia Federal em Goiás, Marcela Rodrigues de Siqueira Vicente, a presença de mulheres em instituições historicamente masculinas também representa um passo importante para transformações culturais.
“Ser mulher em uma instituição majoritariamente masculina é um ponto de reflexão. É algo necessário para uma mudança cultural. Esse é o primeiro passo para qualquer tipo de inovação e transformação, sobretudo em um contexto de feminicídio que, infelizmente, ainda existe não só em Goiás, mas no Brasil e no mundo”, disse.
A superintendente também ressalta que a transformação dentro das instituições passa pela conscientização e pela coragem de promover mudanças, especialmente em ambientes historicamente dominados por homens.
“O primeiro passo para qualquer mudança é a conscientização, o conhecimento e o discernimento, aliados à estratégia e à coragem de ocupar esses espaços. É preciso que essa atuação feminina não seja apenas uma voz que ressoa, mas que realmente promova a conscientização de que essa pauta não diz respeito apenas às mulheres, e sim a toda a sociedade”, afirmou.
Segundo ela, ainda existem desafios para as mulheres que atuam em ambientes majoritariamente masculinos. “Infelizmente, em muitos momentos, a mulher precisa trabalhar dez vezes mais do que qualquer colega homem para provar sua capacidade”, ressaltou.
A diretora do Fundo Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Camila Pintarelli, também destacou a importância do protagonismo feminino nos espaços de decisão e liderança. “O que eu tenho a dizer para a mulher que hoje ocupa um espaço público, seja nas funções mais básicas ou em cargos de chefia, é: seja protagonista das suas decisões, dos seus objetivos e da sua missão. Não cabe a nós apenas questionar ou tentar equiparar ações com o que os homens já têm. Precisamos ser tratadas com mais respeito e com a importância equivalente à que damos à sociedade. Para isso, é fundamental que sejamos protagonistas dos nossos posicionamentos e da nossa missão.”
Diante desse cenário, a presença feminina nas instituições de segurança pública segue ganhando força e representatividade. Entre desafios e conquistas, mulheres que atuam nas mais diversas áreas, do atendimento direto à população às posições de liderança, mostram que coragem, competência e compromisso com a sociedade não têm gênero, inspirando novas gerações a ocupar cada vez mais esses espaços.
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