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Menina de Itaberaí que furou bloqueio e entregou carta ao presidente Figueiredo, há 43 anos, conta sua história: “Bolei o plano por 2 semanas”

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Fim de tarde de um dia de julho de 1983. O general e então presidente João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar que imperou no Brasil por 21 anos, descia a rampa do Palácio do Planalto quando percebeu uma confusão. Uma menina franzina, de olhos claros e cabelos desgrenhados, foi interceptada por seus seguranças ao tentar correr na direção dele. Nas mãos dela, um pedaço de papel.

A menina era Andréa de Oliveira, de 13 anos. Ao ver o desespero da garota para se aproximar, Figueiredo deu a ordem: “Soltem ela”. Aos prantos, Andréa correu até o militar, entregou o papel e o abraçou.
Momentos depois, passada a confusão, Andréa foi rodeada por jornalistas afoitos e contou que era natural de Itaberaí, em Goiás, e que havia furado o bloqueio de segurança do presidente para entregar uma carta na qual pedia uma casa para ela, os cinco irmãos e a mãe, que estava desempregada.

Em dezembro do ano passado, 43 anos depois, o vídeo desses momentos foi publicado pela página Arquivo Nacional e viralizou nas redes sociais. As cenas da goiana de 13 anos, que viu a chance de fazer um pedido ao presidente do Brasil e não mediu esforços para isso, chegaram a toda parte, e as perguntas foram muitas: “Ela conseguiu a casa?”, “Como ela está hoje?”.

Mais de quatro décadas depois, o Jornal Opção encontrou Andréa de Oliveira, que contou, com exclusividade e em detalhes, como foi furar um bloqueio presidencial após um plano minuciosamente pensado por mais de duas semanas.

Os tempos eram difíceis. Hoje, Andréa tem 56 anos, trabalha como cuidadora de idosos e mora em Brasília. No entanto, nasceu em Itaberaí, onde viveu até os 10 anos. No início da década de 1980, sua mãe, a empregada doméstica Maria Elvira, já separada do marido, decidiu se mudar com os seis filhos para a capital federal, em busca de uma vida melhor.

A família vivia de aluguel em uma casa apertada no Núcleo Bandeirante. “A gente tinha muito pouco. Tínhamos uma cama de solteiro, uma de casal e um fogão. Não tinha geladeira, não tinha nada disso. Minha mãe era sozinha, fazia faxina e trabalhava como garçonete em um bar à noite para poder ganhar um pouco mais e nos sustentar, e era terrível. Muitas vezes a gente tinha que ir à casa dos outros pedir o que comer”, relembra Andréa, a mais velha dos seis irmãos.

O plano de Andréa

À época, a menina de 13 anos cursava a antiga terceira série no Colégio Santa Rosa. Em um passeio da escola, Andréa narra que viu, ao longe, uma movimentação na Esplanada. Era o presidente Figueiredo descendo a rampa. Foi quando teve a ideia.

“Eu olhei para ele descendo e falei para mim mesma: ‘Eu vou pedir uma casa pra esse homem, ele vai poder me ajudar’. Eu não contei isso para ninguém, nem a minha mãe sabia disso. Ninguém sabia”, conta a goiana, que relembra que a situação da família, que já não era boa, havia piorado naquela ocasião. “Minha mãe tinha ficado desempregada, ela era analfabeta, é até hoje. A gente ia ser despejado. Então foi uma ideia que tive para fazer alguma coisa.”

À reportagem, Andréa conta que planejou a abordagem por duas semanas. Na época, o Palácio do Planalto ainda não contava com as grades na fachada que tem hoje, e ela viu nesse cenário uma oportunidade de se aproximar do militar e fazer o pedido de uma casa própria.

A menina percebeu, no entanto, que aquela era sua única chance. “Eu descobri o dia em que ele ia descer, e, no dia em que eu fui, seria a última descida dele. Eu pesquisei, fui atrás para saber e descobri que, no dia seguinte, ele iria para Cleveland, nos Estados Unidos, fazer uma cirurgia no coração.”

Andréa abraça Figueiredo | Foto: Arquivo nacional

Em julho de 1983, Figueiredo foi para Ohio, nos Estados Unidos, onde foi submetido a uma cirurgia na The Cleveland Clinic e recebeu uma ponte de safena. Ele reassumiria o governo meses depois.

O plano já estava traçado na cabeça de Andréa. Sem revelar nada à mãe e aos irmãos, a garota de 13 anos foi para a escola no período da manhã, mas não voltou para casa ao fim da aula. “Saí do colégio quase uma hora da tarde, levei umas roupas na mochila e troquei no colégio para tirar o uniforme. Minha mãe imaginou que eu tinha ido para a casa de uma colega, porque às vezes eu ia mesmo para estudar. Planejei tudo. Eu pensava: ‘Tenho que fazer isso hoje’”, recorda.

Somente com o dinheiro da passagem, Andréa pegou um ônibus e foi para a Esplanada, onde ficou por horas, até o fim da tarde, quando Figueiredo apareceu. A carta, um pedaço de papel escrito à mão, tinha uma mensagem de desespero, infantil, escrita por uma menina que via no presidente a última chance de ajudar a mãe.

“A carta era muito pequenininha, muito simples, uma folha de caderno. Só escrevi pedindo que ele me desse uma casa, mas não coloquei mais nada, como endereço ou dados de contato”, conta.

“Me falou que eu podia descansar”

Na inocência de uma criança, Andréa revela que não sabia que havia seguranças do presidente nas redondezas e na pequena multidão de pessoas que esperava para ver o chefe do país descer a rampa. Ela relembra ter corrido na direção do militar assim que o viu, mas, quando foi segurada pelos homens a serviço do presidente, o desespero foi imediato.

“Eu senti medo, muito medo. Tive medo de a minha mãe brigar comigo, me bater. Senti medo de ser segurada daquele jeito. Eu acreditava que, quando eu atravessasse, ia chegar lá do outro lado e não teria ninguém. Para mim, aqueles homens que estavam parados ali, olhando, estavam ali só para olhar, não para me segurar. Na hora em que eu ia subir, tinham uns dez seguranças em cima de mim. Agora imagina, uma menina de 13 anos. E eu tenho 1,55 de altura. Imagine uns homens altos segurando uma menina de 1,55.”

Seguranças tentaram impedir Andréa de chegar ao presidente | Foto: Arquivo Nacional/Reprodução

A goiana narra que, ao ver a confusão e perceber que se tratava de uma menina, Figueiredo ordenou que a deixassem se aproximar. É quando acontece a cena que viralizou nas redes sociais. “Ele falou que eu não precisava mais me preocupar, para eu descansar, que ele ia resolver o problema. A palavra foi essa. Ele apontou para o doutor Ludovic, que estava com ele, e falou para o doutor Ludovic resolver o problema.”

Após ser bombardeada pelas perguntas dos jornalistas, Andréa conta que foi levada pela equipe do presidente para dentro do Palácio do Planalto, onde teve seus dados coletados. De lá, os seguranças a levaram de carro para casa.

“Foi aí que a minha mãe ficou sabendo do que tinha acontecido, porque ainda não existia essa repercussão que temos hoje, com tecnologia e redes sociais. A notícia saiu depois em um jornal da Globo e, em seguida, apareceram várias emissoras lá em casa, no Núcleo Bandeirante. Depois que eles foram embora, ela brigou muito. Disse que eu poderia ter morrido”, relata.

Visitante frequente e pedido atendido

Após o ocorrido, Andréa de Oliveira diz que passou a frequentar o Palácio do Planalto. “Não vi mais o presidente, mas os ajudantes dele diziam: ‘Olha, tal dia você volta aqui’. Virei assídua do Planalto.”
Seis meses depois, no final de 1983, o pedido da menina foi atendido. “Tem esse bairro mais distante de Brasília, o P Norte. Fica a uns 40 quilômetros. Foi lá que ele me deu a casa. Não tinha governador do Distrito Federal ainda, então essa questão de habitação era com o governo federal. Estava surgindo um conjunto habitacional lá, a baixo custo, mas a minha foi de graça. Não pagamos nada”, recorda.

Andréa revela que o imóvel foi entregue totalmente mobiliado. “Não lembro dos detalhes, mas lembro que, quando nos mudamos para lá, entramos e vimos todos os móveis, tudo. Pronta para morar.”

Ela desconfia, também, que o governo pagou o aluguel de sua casa no Núcleo Bandeirante até a moradia própria ser entregue, uma vez que o proprietário não apareceu mais e nunca mais as ameaçou de despejo, mesmo com os aluguéis atrasados.

43 anos depois

Menos de quatro anos após ganhar a casa no P Norte, Andréa lembra que a mãe voltou a trabalhar e a família conseguiu se estabilizar. Foi quando decidiram vender o imóvel que haviam ganhado, juntar o dinheiro que conseguiram guardar e comprar uma casa melhor.

Ela diz, no entanto, que fez questão de agradecer ao presidente. “Mandei um cartão postal para ele, pelo Palácio do Planalto, e ele me respondeu”, conta, lamentando também ter perdido o documento em meio às mudanças que fez ao longo dos anos.

Andréa de Oliveira atualmente, aos 56 anos | Foto: Arquivo pessoal

Hoje, Andréa de Oliveira mora sozinha em um apartamento próprio, em Brasília. Aos 56 anos, ela continua ativa profissionalmente, tem três filhos, oito netos e uma bisneta. A família, no entanto, por anos duvidou de sua história. “Nem meus filhos acreditavam. Eu falava: ‘Mas eu já conversei com o presidente’. Algumas pessoas que já sabiam da história falavam, por um tempo: ‘Olha aí a menina do presidente!’.” A descrença, no entanto, durou até o momento em que o vídeo veio à tona.

“Meu sobrinho me mandou o vídeo e disse: ‘Tia, não é você?’, e eu falei: ‘Sim, sou eu. Nossa, como você achou isso? 43 anos atrás!’. E meu rosto mudou muito pouco. Eu envelheci, mas meu rosto é o mesmo.”

Mais de quatro décadas depois, Andréa diz que já não fala mais com a mãe sobre o ocorrido, Maria Elvira, que, inclusive, está prestes a completar 76 anos. Entretanto, a itaberina garante nunca ter esquecido o que sentiu ao se desvencilhar dos seguranças e entregar a carta ao presidente do Brasil.

“Hoje, 43 anos depois, eu me lembro exatamente de quando eu entrei naquela casa. Nós abrimos o portão e entramos, e a casa tinha tudo. Senti uma grande esperança de que tudo ali iria mudar, mudar para melhor. E, graças a Deus, foi melhorando.”

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