Energia furtada durante 2025 dava para abastecer mais de 500 mil consumidores de baixa renda em Goiás
A crescente quantidade de casos de furto de energia elétrica em Goiás tem chamado atenção da Equatorial, concessionária responsável pelo abastecimento no estado. Um levantamento feito pela própria empresa mostra que, ao longo do ano passado, 488 gigawatts/h de energia não foram faturados devido a furtos, ligações clandestinas, irregularidade na medicação, entre outras fraudes. Com esse volume, 504 mil unidades consumidores de baixa renda no estado, que usam cerca de 186 kWh de energia em média mensal, poderiam ser abastecidas por cerca de 40 dias.
A empresa destaca que Luziânia é o município com mais casos registrados em 2025 e permanece no topo do ranking em 2026. Apesar da quantidade maior de fraude confirmada em relação ao mesmo mês em 2025 – sendo 1334 ante 1331, respectivamente (aumento de 1,75%) – a quantidade de energia furtada diminuiu 32%. A empresa entende como furto de energia qualquer alteração realizada nos medidores por meio de intervenção humana, o que faz com que não haja o devido registro para eventual cobrança.
Para o executivo de Perdas da Equatorial Goiás, Marcelo Quintanilha, o resultado do mês passado demonstra que o combate crescente para coibir o tipo de fraude tem surtido efeito, inclusive com parceria com forças policiais. “Nós temos uma parceria com a Polícia Científica, onde fizemos alguns treinamentos para aprimorar o conhecimento técnico deles, que já é muito bom, mas muito mais voltado e direcionado às fraudes: como que acontece, como que a gente consegue identificar de uma forma um pouco mais eficaz. A Equatorial também fez um grande investimento no laboratório de medição que fica aqui em Goiânia. Hoje, nós temos um laboratório acreditado pelo Inmetro, o que traz uma confiabilidade nas informações que lá são medidas e também uma transparência para o consumidor final”, afirma.
O resultado disso foi um grande volume de operação que foi realizado em conjunto com a Polícia Civil: 370 operações conjuntas, com quase 200 prisões de pessoas que estavam desviando eletricidade. Ao todo, a empresa realizou 155 mil ações de combate ao furto realizadas no ano passado, com 24 mil irregularidades sendo sanadas. Marcelo explica que são 130 equipes espalhadas por todo estado responsáveis por esse levantamento e o que aconteceu no momento em que a irregularidade é encontrada na unidade consumidora.
“O consumidor precisa estar em casa para assinar os documentos de ciência do que está sendo encontrado naquela unidade consumidora. E, dependendo de qual é a criticidade daquele caso, a gente aciona a polícia para poder nos apoiar na integridade física das nossas equipes, mas aí depende de caso a caso. O principal objetivo é dar a ciência do que a gente está encontrando e como que a gente vai recuperar essa energia que provavelmente foi perdida”, destaca.
As regiões que mais tiveram operações foram Goiânia (96), Metropolitana (71), Firminópolis (43), Luziânia (40), Anápolis (37), Iporá (31) e Rio Verde (24). Ele explica como a tecnologia tem sido uma aliada crucial na redução de casos de furto de energia.
“Os medidores que nós temos hoje já são mais tecnológicos do que se tinha no passado e eles já possuem um sistema de comunicação interna com a nossa plataforma, que fica na nossa sede. Desse modo, conseguimos entender e saber quais são as medições que têm um comportamento diferente do que deveriam ter. A gente não consegue precisar, de maneira imediata, se tem uma fraude ou não, mas é um indício muito forte devido às características anormais. Assim, nós encaminhamos uma equipe de campo para poder fazer essa validação”, explica.
Marcelo afirma que o furto de energia pode ser denunciado pelo telefone 0800 062 0196. O anonimato é garantido.
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