Jackson Alves Ramão e Renne Mendes, guardas civis metropolitanos de Campo Grande, foram demitidos do serviço público municipal. As decisões foram publicadas nesta segunda-feira (9) no Diário Oficial e resultam da conclusão de processos administrativos disciplinares instaurados após episódios graves de violência registrados no ano passado. Jackson Alves Ramão, que ocupava o cargo de guarda da classe especial da GCM (Guarda Civil Metropolitana), foi demitido por agressão contra um jovem de 27 anos, ocorrida no dia 4 de junho do ano passado, no bairro Morada Verde. A agressão foi registrada em vídeo, que mostra a vítima já dominada e, mesmo assim, sendo brutalmente espancada por guardas municipais. O jovem havia sido amarrado por moradores antes da chegada da equipe. Vídeo enviado ao Campo Grande News mostra o jovem sendo espancado por Jackson e outros guardas. Já imobilizado no chão, o rapaz de traços indígenas é ofendido, sufocado e arrastado por metros entre vegetação rasteira e o asfalto. As cenas são fortes. O homem identificado apenas como “Buguinho” está caído, com os punhos amarrados, enquanto um dos guardas pisa em seu rosto, coloca o joelho no pescoço, dá tapas violentos e chutes na cabeça. Durante a agressão, outro agente comenta: “Ele é bocudo”. O jovem tenta se defender dizendo: “Eu não fiz nada” e pede socorro. Mas os agentes de segurança continuam ofendendo o rapaz, chamando de "filho da p..." e outros xingamentos. Após alguns minutos, um dos guardas o arrasta pela corda e o joga dentro da viatura. Na época, a Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) confirmou o afastamento imediato dos dois servidores envolvidos, com recolhimento das armas e abertura de processo administrativo disciplinar. A medida foi oficializada no Diário Oficial de 9 de julho do ano passado. Com a conclusão do processo, Jackson foi definitivamente desligado do cargo. Tentativa de homicídio - Já Renne Mendes, inspetor da GCM, foi demitido por um caso ocorrido em junho do ano passado, no bairro Aero Rancho, na região sul de Campo Grande. Segundo a denúncia, ele teria tentado matar um jovem de 21 anos, efetuando disparos de arma de fogo após uma discussão em frente à casa da família da vítima. A denúncia foi registrada pela mãe do jovem no dia 25 de agosto do ano passado. A mãe do rapaz contou na época que o guarda estava bebendo em uma conveniência que funciona em anexo à sua residência. Ao sair do local, teria fechado o portão da família e iniciado a confusão. “Meu filho só não morreu porque foi livramento de Deus. Se não fosse isso, eu já teria enterrado meu filho há mais de um mês. Isso é impunidade, é injustiça. Esse homem não está preparado para estar nas ruas”, desabafou. Nos dois casos, a Prefeitura de Campo Grande concluiu que as condutas são incompatíveis com o exercício da função pública na área de segurança. A punição aplicada foi a demissão, a penalidade mais grave prevista no regime disciplinar dos servidores municipais.