Chafariz em vaso egípcio? Água e fogo dividindo o mesmo espaço? Já ouviu falar? A estética rústica virou tendência e passou a incluir algo que antes servia apenas para acomodar plantas. O “upgrade” é a versão de vasos com água e fogo no meio, que ligam até por controle remoto. Aqui o intuito é transformar ambientes e fugir do óbvio. A ideia é atender pessoas que sonham em ter um pequeno chafariz ou fonte em casa, mas não dispõem de espaço adequado. Com esses modelos, é possível relaxar com o som da água caindo em praticamente qualquer canto, seja no jardim de inverno, na sala, na varanda ou em áreas externas. Segundo o arquiteto e paisagista Nestor Neto, a inovação está justamente na convivência de três elementos: água, chama e minério, material que reveste o vaso. Ele explica que, até pouco tempo, ter vasos grandes ou chafarizes em casa exigia espaço, obra hidráulica e manutenção constante. Hoje, o próprio vaso funciona como reservatório e também como fonte. Basta um ponto de energia elétrica. O ponto positivo de ter o chafariz mais próximo, em cômodos que antes não tinham essa possibilidade, é que o som da água, segundo ele, contribui para o relaxamento e a sensação de conforto. O estilo fica a cargo do projeto, mas a tendência atual já não passa pelos vasos esmaltados. A preferência agora são peças com textura e cores pastel. Além dos vasos com água e fogo, há também modelos que imitam lareiras para áreas externas, conhecidos como bacias texturizadas. "No caso do vaso egípcio com fogo ele tem um suporte de metal reciclado onde se coloca o papel ou algodão embebido em álcool de cereal. Essa é a diferença. Ali ele fica aceso por algumas horas. A chama acende e não explode. Pode colocar em um papel e não vai queimar o papel”. O modelo egípcio sempre foi associado ao requinte, especialmente os de inspiração vietnamita. Com o tempo, versões semelhantes, com estética próxima e custo menor, ampliaram o mercado e tornaram esse tipo de peça mais acessível. O que também obrigou quem faz a se diferenciar. Os modelos desenvolvidos por Nestor na NBN Vitrine Verde Conceito são revestidos de minério para criar textura. Os preços variam conforme tamanho, largura, altura, número de bicas e presença de fogo. Um vaso simples pode ser transformado em chafariz a partir de cerca de R$ 800, dependendo da potência da bomba. Peças maiores, com mais de uma bica ou com fogo, podem ultrapassar R$ 4.500. "Não é barato, mas também não se compara ao custo de lareiras fixas ou projetos hidráulicos tradicionais". Ele destaca ainda que o formato deixou de ser um limitador. O modelo mais estreito continua sendo um clássico, mas não é regra. Vasos baixos também podem virar chafariz. O que define a peça não é a silhueta, mas o sistema interno. Se a pessoa já tem um vaso desses também pode investir em apenas transformá-lo em chafariz, vaso de fogo ou bacia fogueira. O arquiteto ressalta que em alguns projetos, a bica fica escondida atrás de um painel verde, e a água cai dentro do próprio vaso. O mecanismo desaparece visualmente, o que favorece ambientes pequenos, como salas e espaços antes ignorados da casa. A escolha das plantas segue a mesma lógica prática. Nem tudo funciona em vaso, e insistir nisso costuma gerar erro. Entre as espécies mais usadas estão azaleia, primavera, alguns tipos de pinheiros, pleomeles verdes, fita, ficus lyrata, zamioculca, plantas africanas de Madagascar e a orelha-de-elefante. A decisão depende sempre da claridade do ambiente, seja ele externo, um jardim de inverno ou um espaço interno bem iluminado. “A gente só precisa entender os ambientes, mas existe uma gama de plantas que dá certo em vasos. Em ambientes externos, poderia ser em jardim de inverno que muitas casas têm, dá para usar o vaso fogueira. Criar um ambiente com areia e colocar a bacia. Mas isso também dá para fazer em área ou quintal de casa”.