Agenda de leituras para 2026 de escritores, intelectuais e jornalistas (Parte 3)
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Heitor Luz
Escritor, cantor e compositor
De olho, na medida do possível, em um cardápio bibliodiversificado, a minha lista é um verdadeiro self service literário de temperos oriundos de distintos continentes sob a forma de contos, romances, poesia e aquilo que sempre me atiça de uma forma acentuada o apetite: histórias em quadrinhos.
Antes de me servir de leituras inéditas, porém, prioridade máxima para terminar duas iguarias iniciadas ainda em 2025 para deixar limpinho o prato do ano que se vai: “Jerusalém: Livro Três — O Inquérito de Vernall” (Veneta), o volume que fecha o romance e obra máxima (até aparecer a próxima?) de Alan Moore; e “As Casas do Sul e do Norte”, livro de contos do goiano Solemar Oliveira (Bula), que me serviu uma apetitosíssima entrada (o seu conto inicial “A carne da oferta”).
Tenho o hábito de retomar leituras abandonadas há tempos e, puxando a fila no momento, está “O Retrato do Artista Quando Jovem”, primeiro romance do James Joyce, que larguei quando ainda era jovem — e o paladar certamente não era o mesmo do atual. No horizonte ainda está terminar as duas das poucas séries de HQs que tenho a coleção completa e que ainda não dei conta: o mangá “Gen, Pés descalços” (Conrad) — faltam 6 volumes, de Keiji Nakazawa, e o título da finada Vertigo ZDM — “Zona Desmilitarizada” (Panini) — faltam 5!, de Brian Wood. Preciso ainda completar o volume 2 do clássico de tiras dominicais “Little Nemo” (Figura).
Agora, pra começar de fato a rechear o prato de ineditismo total em 2026, vamos de: “Alcina”, do poeta Nicolas Behr, dedicado à sua esposa-poesia Alcina; “O Mundo de Rocannon”, primeiro romance publicado da minha favorita do scifi Ursula Le Guin (Morro Branco), mas só servido editorialmente no Brasil bem recentemente; “De Onde Eles Vêm”, do Jeferson Tenório (Cia das Letras) — era pra ter sido esse ano, mas seu magnetizante “Estela Sem Deus” passou na frente; “Canção Para Desaparecer”, da Socorro Accioly (Cia das Letras) — li apenas em 2025 o seu “Cabeça de Santo” e não posso mais deixar de seguir com ela; “Tudo é Rio”, da Carla Madeira (Record, do box com todas as suas obras), “Olhos D’Água”, da Conceição Evaristo (Pallas). Eu avisei: dívida a pagar com a literatura contemporânea é comigo mesmo.
A ficção pode ser o prato principal, a proteína e o carboidrato para sustentar o dia a dia, mas a não ficção é sempre um importante acompanhamento. No topo desse segmento, encontra-se “Maria Erótica e o Glamour do Sexo”, do pesquisador Gonçalo Júnior (Peixe Grande).
Na seção de quadrinhos, a lista tem: “O Livro de Ofélia”, último volume da melhor série de quadrinhos de todos os tempos dos Estados Unidos (Palomar), de Gilbert Hernandez (Veneta); “O Eternauta Segunda Parte” (Pipoca & Nanquim, 2025), continuidade oficial da clássica HQ argentina de Hector Ostherheld e Solano Lopes, que tem bombado recentemente com a série da Netflix; “Monstros”, que levou 17 anos de dedicação do lendário Barry Windsor-Smith (Todavia); “Meu amigo Kim Jong-um”, da sul-coreana Kenum Sunk Gendry-Kim (Pipoca & Nanquim); “Algumas de Suas Verdades Ainda Moram em Mim”, o mais recente do minimalista craque, que deveria ser mais conhecido, Alexandre Lourenço (Conrad); e, pensando em publicações já anunciadas para 2026, o próximo volume de “Prisioneiro dos Sonhos (O Decálogo)” e “3’’, ambos do Marc Antoine Mathieu (Comix Zone), além de “Sargento Kirk”, dos mestres Hector Oesterheld e Hugo Pratt (Pipoca & Nanquim, 2026).
Releituras de HQs nunca podem faltar no menu e liderando a fila aqui temos, pela ordem: Do Inferno, de Eddie Campbell e Alan Moore (Veneta), pois não passo um ano sem reler algo dele e esse é um que nunca reli, apesar de estar no meu top5 do autor; Relatório de Brodeck, do Manu Lacernet (Pipoca & Nanquim), top3 da editora e top20 da vida (obras de Alan Moore à parte); A Arte de Charlie Chan Hock Chye (Pipoca & Nanquim), idem, ibidem; Manual do Minotauro, da Laerte (Cia das Letras), a maior entre os maiores do Brasil, e uma das maiores do mundo; Eles estão por aí, da genial Bianca Pinheiro com Greg Stella (Pipoca & Nanquim).
Releituras de outras categorias de livros são mais escassas, mas também deverão estar no prato. Por ora, na frente está “24 Letras Por Segundo” (Não-editora), organizado por Rodrigo Rosp, com contos de 17 escritores brasileiros que buscam emular na literatura o estilo de cada um dos seus cineastas favoritos (tem Almodóvar, Spielberg, Tarantino, Wong Kar-Wai, David Lynch, Woody Allen, José Mojica Marins, de tudo mais ou menos um pouco). Estou de olho ainda também em reler o “Toda Poesia” do Leminski (Cia das Letras).
O olho, ao que tudo indica, está grande. Porém, quem tem fome tem pressa: que venha logo 2026!
2
Maria Helena Chein
Escritora
Livros e livros são projetos de leitura para o próximo ano, no entanto, os mais significativos já estão enfileirados. Poesia e prosa serão bem-vindas, nas horas em que o tempo se abrir para mim.
Carlos Nejar e seu “Desidério, ou o Gênero Humano” é o primeiro da lista. Romance, Editora Pessôa, é poesia, fábula e ironia, com o cão que devora o livro “Dom Quixote” e narra a história. Carlos Nejar, escritor e poeta gaúcho, imortal da Academia Brasileira de Letras, surpreende-me sempre com seu pensamento e força literária. “Eu deixo que as palavras me inventem” é uma de suas máximas. Conheci-o pessoalmente, quando esteve em Goiânia.
“Sátántangó” (O Tango de Satã), de László Krasznahorkai, escrito em 1985, Nobel de Literatura de 2025, Editora Companhia das Letras. Romance forte, contundente e visionário. Sua obra não é fácil de ser lida e entendida, segundo a crítica. Narra a história de uma aldeia isolada e em ruínas na Hungria, vítima do comunismo. Mais dois romances de sua autoria chegam ao Brasil.
“O Dia Escuro” Contos Inquietantes de Autoras Brasileiras, Editora Companhia das Letras, reúne 20 escritoras de várias partes do Brasil, inclusive duas de Goiás: Fabiane Guimarães, que parece morar em Brasília, e Flávia Stefani, residindo em Amsterdã, na Holanda.
“O Meu Quintal é Maior que o Mundo”, reúne a poesia de Manoel de Barros, em suas várias fases. Natural de Cuiabá, Mato Grosso, é o poeta da simplicidade e da inventiva lírica. Poesia que “desexplica” o cotidiano, a natureza. Teve tristezas em sua vida, como a perda de dois filhos, teve alegrias, por exemplo, quando recebeu o Prêmio Jabuti. Faleceu aos 97 anos.
“Literatura Goiana — Pioneiros e Contemporâneos”, Volume 1, organização de Ademir Luiz, Editora Ex Machina, 2025. O livro, a ser lançado, reúne obras integrais e já publicadas dos seguintes autores: Augusta Faro, Delermando Vieira, Edival Lourenço, Gilberto Mendonça Teles, Hugo de Carvalho Ramos, Gilberto Mendonça Teles, Hugo de Carvalho Ramos, Lêda Selma, Leodegária de Jesus, Maria Helena Chein, Valdivino Braz e Ygino Rodrigues.
“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença.” Não é livro, é Clarice Lispector.
3
Hélverton Baiano
Jornalista e escritor
A lista de leitura que pretendo seguir em 2026 na verdade não vou seguir, porque estaria mentindo (talvez não, só descumprindo mesmo), tem no primeiro lugar, porque já estou lendo e devo entrar o ano com ele, o livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves.
“Um Defeito de Cor” é um livro fácil de ler, mas é grandão, quase mil páginas. A história é boa, faz a gente entrar na vida da escravidão dos negros no Brasil do início do século XIX para cá. A história vivida pela criança negra Kehinde, desde sua captura no Benim, até chegar ao Brasil, passando pelas agruras da viagem. É por aí.
Pretendo entrar na pesquisa, lendo aqui e ali (o que ainda não li) do livro “Literatura Goiana — Pioneiros e Contemporâneos – Volume 1”, organizado por Ademir Luiz e confeccionado pela Editora Ex Machina. Depois passear pelo “A Vida Modo de usar”, de Georges Perec.
“Apassionata”, de Helena Kolody, editora Pássaros Libertos; “O Rastro da Lesma no Fio da Navalha”, de Adérito Schneider, da Patuá; “Raso Quase Fundo”, de Luís Araujo Pereira, editora Cavalo Azul; “Pelos olhos de Maisie”, de Henry James, da Peguin Companhia; “Se um Viajante Numa Noite de Inverno”, de Italo Calvino, pela Companhia das Letras; “ela mesma como fantasma de si”, de Gabriela Queiroz, da Editora Mondru; “O Vidro do Coração” (Antologia Pessoal), de Augusta Faro Fleury de Melo, da Editora Kelps.
“O Último leitor”, de David Toscana, pela Casa da Palavra; “Os Vestígios do Dia”, de Kazuo Ishiguro, da Record/Altaya; “Estação Atocha”, de Ben Lerner, pela Rádio Londres; “Nunca Houve um Castelo”, de Martha Batalha, pela Companhia das Letras; “Stoner”, de John Williams, da Rádio Londres; “Lentes”, de Al-Chater, Editora Mondru: “Inferno”, de Patrícia Melo: “Um Palmo ou Dois Acima do Chão”, de Edival Lourenço, não sei a editora ainda, porque o livro está no prelo. Na verdade, é uma releitura, porque tive a honra de ler no original. E ainda: “Pequi Roído”, de Reyther Vilard, da Editora Mondru.
Sim, além desses, se eu conseguir ler todos, incluo mais alguns da literatura goiana, que vão aparecer ao longo do ano. Também, não posso me esquecer, os livros constantes do Clube do Livro da Revista Bula, uma relação de dez livros que ainda está em fase de curadoria. Aviso aos navegantes: nunca cumpro o que planejo, especialmente em leitura.
4
Veronika Topic Eleutério
Escritora
Começarei meu ano de 2026 com uma pilha cheia de expectativas, não quanto ao valor das obras em si, mas por conta da variedade de assuntos. Embora eu seja muito fã dos clássicos, incluí uma releitura de “A Metamorfose” de Franz Kafka nesta lista, mas decidi que neste ano vou priorizar os contemporâneos, principalmente leituras que me façam entender contextos fora do meu escopo.
Listei como meta “A Família Que Devorou Seus Homens”, da escritora síria Dima Wannus, traduzido por Safa Jubran; “Folhas de Oliveira”, de Mahmud Darwich, traduzido por Alexandre Facuri Chareti, ambos da Editora Tabla. Inclui “Aké: os Anos de Infância”, de Wole Soyinka, traduzido por Carolina Kuhn Facchin, publicado pela Editora Kapulana e “Herscht 07769”, de László Krasznahorkai, da editora portuguesa Cavalo de Ferro. “A Paixão”, de Almeida Faria, da editora Cosacnaify, também estava na lista de espera, e como sou fã de Raduan Nassar, sei que há um reconhecimento mútuo, influência e admiração do autor de “Lavoura Arcaica” pela obra do escritor luso.
Uma grande surpresa nas minhas leituras no ano de 2025 foi o meu primeiro encontro com Coetzee. Há anos na fila de espera, me arrependo demais de ter procrastinado explorar a sua obra, tão impactante. “Desonra” foi a melhor obra que li em 2025. Inclusive, me alegrei em saber que mais uma de suas obras chega ao Brasil, “O Polonês”, lançado pela Cia das Letras, traduzido por José Rubens Siqueira. Será meu livro da primeira semana de janeiro.
Pretendo mergulhar nas obras de várias autoras, entre elas, o livro “Canção Para Ninar Menino Grande”, de Conceição Evaristo; “Batida Só”, de Giovana Madalosso; “Nunca Houve Um Castelo”, de Martha Batalha; “Como se Estivéssemos em Palimpsestos de Putas”, de Elvira Vigna; “O Presidente Pornô”, de Bruna Kalil Othero; “Histórias Reais”, de Sophie Calle, lançado pela Relicário, traduzido por Marília Garcia, e “A Balada de Iza”, de Magda Szabó, da editora portuguesa Cavalo de Ferro, com tradução de Piroska Felcai.
Incluí outra releitura na lista, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, do meu escritor favorito da vida José Saramago. Li há mais de 25 anos e anseio rememorar cada página de sua escrita refulgente.
5
Sueli Maria de Regino
Escritora
No decorrer do ano de 1925, li vários livros de escritores japoneses protagonizados por adolescentes e gatos, que se movimentavam entre estantes de livrarias antigas e mesas de cafés misteriosos. Também reli alguns textos inesquecíveis, entre eles, “Marcas de Nascença”, de Nancy Huston, e “Cien Años de soledad”, de Gabriel García Márquez.
Em julho deste ano tive o privilégio de conhecer o economista e filósofo Thomas Sowell, uma das vozes mais influentes do pensamento econômico, político e social nos Estados Unidos. No início de 2026, pretendo ler outras obras desse autor.
Na minha agenda de leitura para o próximo ano continuam presentes escritores do Japão e da Coreia do Sul e a releitura de contos de autores que me são caros, como Aldous Huxley e Jorge Luis Borges.
O livro “Morte em Pleno Verão”, publicado pela Companhia das Letras (2024), reúne dez contos de Yukio Mishima, autor de romances consagrados como “Cores Proibidas” e “Confissões de uma Máscara”.
Os contos de Mishima tiveram sua primeira edição no Japão em 1953. Neles está exposto o conflito entre a tradição e a modernidade em um país que se reconstrói após a Segunda Guerra Mundial. De acordo com as notas na contracapa, a complexidade psicológica das personagens de Mishima contribui para a produção de “uma obra que assombra por capturar todas as contradições e nuances que compõem a alma humana”.
O romance “A Vegetariana”, da coreana Han Kang, foi lançado em 2007, na Coreia do Sul, e traduzido para o inglês em 2015. Com essa obra, Kang recebeu, em 2024, o Prêmio Nobel de Literatura. Publicado no Brasil pela Editora Todavia, o texto de Kang, surpreendente e inquietante, tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea. Para o autor inglês Ian McEwan, “A Vegetariana é “um pequeno romance sobre sexualidade e loucura que merece seu grande sucesso”.
Hiyoko Kurisu escreve mangás e é autora de “A Doceria Mágica da Rua do Anoitecer”, uma novela publicada pela Editora Arqueiro, que parece ter se especializado em publicações leves e aconchegantes. O livro, “um convite à magia e à doçura que existem na vida de todos nós”, promete momentos de leitura relaxante, embora, acredito, não deva ser indicado para leitores diabéticos ou com resistência à insulina.
No romance “Garota Tsunami” o escritor britânico Julian Sedgwick faz uma interessante parceria com Chie Kutsuwada, uma artista japonesa, desenhista de mangás, que vive em Brighton, na Inglaterra. No Brasil, Garota Tsunami foi lançado em 2024 pela Editora Gutenberg. Narrado parte em prosa e parte em mangá, o romance, finalista do Prêmio Carnegie Medal, conta a história de Yuki, uma garota de 15 anos que viaja ao Japão em 2011 para encontrar o avô. Nessa viagem, ela acaba por enfrentar a tragédia que, naquele ano, abalou o país: o terremoto, seguido de tsunami, na costa leste de Tôhoku. O livro fala sobre o “poder da amizade, da arte e da esperança na superação”.
“Clitemnestra” é o romance de estreia de Constanza Casati. Roteirista e jornalista, Casati nasceu no Texas, mas “cresceu em uma vila ao norte da Itália, onde estudou a língua e a literatura da Grécia Antiga”. Princesa espartana, Clitemnestra, várias vezes citada e amaldiçoada por Homero na “Odisseia”, tem sua história recontada por Casati, que apresenta com brilhantismo, sob uma ótica feminina, o percurso infeliz da “mais injustiçada das personagens da mitologia grega”. No Brasil o romance foi publicado pela Astral Cultural, em 2025.
Em julho comprei duas obras de um autor que descobri ao explorar as estantes de uma livraria: “Thomas Sowell Essencial: Sociedade, Economia e Política” (volume 1) e “Thomas Sowell Essencial: Leis, Raça e Etnia, Educação” (volume 2), ambos lançados em 2025. Li o primeiro volume e, em janeiro, pretendo ler o segundo. No livro que acabei de ler, Sowell discute temas controversos, com uma abordagem que oscila entre perspectivas históricas e econômicas. Seu estilo é elegante, conciso, e marcado por inteligentes toques de humor.
Para ler em 2026, também comprei “Falácias da Justiça Social”, de Thomas Sowell, publicado em 2024 pela editora Alta Cult. Paul Gigot, do “Wall Street Journal”, afirma que esse livro, assim como outras obras de Sowell, “é estimulante na forma como rompe com o conhecimento convencional e as suposições por meio da apresentação de fatos e argumentos lógicos e explica como o mundo realmente funciona”. O National Review refere-se a Sowell como a um “gigante intelectual que afetou profundamente a política pública e a economia durante décadas.”
O “Guia Politicamente Incorreto do Meio Ambiente”, do jornalista Leandro Narloch, foi lançado em 2025, ano em que o Brasil acolheu a COP 30. Nessa obra, que faz companhia a outros guias do “politicamente incorreto”, Narloch enfurece ativistas climáticos com suas ideias sobre o meio ambiente. O escritor foi editor da revisa “Superinteressante”, repórter da “Veja”, além de colunista de “Folha de S. Paulo” e da “Gazeta do Povo”. Mestre em filosofia pelo Birbeck College, University of London, Narloch “sacode vespeiros, expõe falácias e mostra como o ambientalismo de fé muitas vezes prejudica as pessoas e a natureza”.
No livro “Por um Punhado de Prólogos”, o escritor Ademir Luiz, presidente da UBE de Goiás, nos presenteia com alguns dos muitos prólogos que escreveu. Em geral, um prólogo apresenta aos leitores o contexto da obra, preparando-os para a leitura. Assim como os textos do livro “Prólogos com um Prólogo de Prólogos”, de Jorge Luis Borges (a quem o autor homenageia na capa de “Por um Punhado de Prólogos”), os textos de Ademir Luiz incitam a curiosidade do leitor, servindo como estímulo para a leitura dos livros por ele apresentados.
Separei alguns livros para reler neste ano que vem chegando e, entre eles, estão:
“Música na Noite & Outros Ensaios, de Aldous Huxley, um dos maiores intelectuais de seu tempo e autor do quase profético “Admirável Mundo Novo” (1932). Publicado em 2015 pela L&PM, o livro reúne 26 ensaios nos quais Huxley reflete sobre as artes, especialmente música e literatura; sobre as ambiguidades do progresso e a natureza humana. A obra de Huxley é “o auge de uma visão humanista, satírica e premonitória”. Os ensaios de “Música na Noite” trazem reflexões indispensáveis para a compreensão das transformações legadas pelo século XX.
Outro livro que merece ser relido é “As Crônicas Marcianas”, de Ray Bradbury. Publicado pela primeira vez em 1950, reúne contos publicados separadamente, desde 1946, em revistas de ficção científica. O livro também pode ser visto como um romance fragmentado, que tem como tema central a interação entre colonizadores e povos nativos colonizados. Leitura envolvente e emocionante, estimula reflexões sobre a natureza humana. Jorge Luis Borges escreveu o prólogo desse clássico norte-americano, marco da literatura fantástica, incluindo-a em seu livro “Prólogos com um Prólogo de Prólogos” (1975).
Jorge Luis Borges é uma paixão. Há anos os seus contos me fascinam, mas tudo o que li de Borges foi em boas traduções para o português. No próximo ano, porém, pretendo reler em espanhol os contos desse argentino fantástico. A obra “Cuentos Completos” (2016), publicada pela editora Sudamericana, de Buenos Aires, reúne os títulos: “Historia Universal de la Infamia”, “Ficciones”, “El Aleph”, “El Informe de Brodie”, “El Libro de Arena” e “La Memoria de Shakespeare”. Ensaísta, ficcionista, poeta e tradutor, Borges também lecionou literatura inglesa na Universidade de Buenos Aires e é reconhecido como um dos maiores escritores do século XX.
Outra obra que separei para uma releitura é “Persépolis”, de Marjane Satrapi, escritora e ilustradora iraniana, que apresenta, em forma de quadrinhos, a história do que viveu durante a revolução islâmica no Irã. O livro recebeu o prêmio de melhor história em quadrinhos na Feira de Frankfurt de 2004 e foi transformado em um longa-metragem de animação, que recebeu indicação para o Oscar. No Brasil, “Persépolis” foi publicado pela primeira vez em 2007, pela editora Companhia das Letras.
No início deste ano, tive o prazer de ler um livro instigante: “Os Cantos Perdidos da Odisseia”, de Zachary Mason, escritor norte-americano com formação em ciência da computação e inteligência artificial. Mason nos traz um Odisseu de carne e osso, apresentado em episódios estranhamente surpreendentes. “Os Cantos Perdidos da Odisseia”, publicado no Brasil, em 2011, pela editora Companhia das Letras, foi finalista do prêmio New York Public Library (2008), e é descrito por Michiko Kakutani, ex-crítica do “The New York Times” como “inteligente, divertido, tocante e imensamente inventivo”. Pretendo reler esse livro magnífico antes que o ano de 2026 termine, juntamente com a “Odisseia”, traduzida por Donaldo Schüler e publicada em edição bilíngue pela editora L&PM.
Leia a primeira parte da lista
[https://tinyurl.com/38yktjkw]
Leia a segunda parte da lista
[https://tinyurl.com/5ap6uk9h]
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