Uma motorista de Campo Grande contesta uma multa de trânsito aplicada pela Guarda Municipal por transitar em faixa exclusiva de ônibus durante uma conversão. A infração, registrada no mês de junho, tem valor próximo de R$ 293,47 e foi enquadrada como circulação em via exclusiva para o transporte coletivo, o que é classificado como infração gravíssima pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro). A penalidade foi descoberta apenas meses depois, quando a motorista Sandra Maria Guedes tentou pagar o licenciamento do veículo, em outubro. “Eu descobri pelo aplicativo que tinha uma multa por trafegar na faixa de ônibus e que o prazo de recorrer já tinha passado”, relatou. Mesmo assim, ela decidiu procurar a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para tentar contestar a autuação. Segundo Sandra, após insistência, conseguiu dar entrada no recurso administrativo, mesmo fora do prazo inicial, e desmembrar a multa para conseguir pagar o licenciamento. “Eu falei que não ia pagar a multa sem recorrer. Consegui entrar com o processo e pagar o licenciamento”, explicou. A motorista afirma que a infração ocorreu quando ela entrou brevemente na faixa exclusiva da Rua Rui Barbosa para realizar a conversão à direita na Rua 15 de Novembro. “Eu estava me organizando, entrando na faixa de ônibus apenas para virar”, disse. Para ela, a situação revela uma incoerência na fiscalização. “Como que eu não vou entrar no corredor de ônibus para virar na 15 de Novembro? Se eu tivesse andando cinco quilômetros na faixa, tudo bem, mas não foi isso que aconteceu”, argumentou. Antes de protocolar o recurso na Agetran, Sandra procurou a agência para solicitar as imagens do momento da autuação. No entanto, segundo ela, foi informada de que as gravações ficam disponíveis por apenas 30 dias. “Um funcionário me disse que não seria possível fornecer as imagens. Pedi isso por escrito algumas vezes para formalizar a informação, mas não tive mais resposta”, contou. A motorista também cita relatos frequentes de acidentes no corredor de ônibus da região, envolvendo veículos que tentam realizar conversões. “Já vi muitos problemas ali, justamente porque o carro entra para virar e acaba acontecendo acidente com ônibus ou entre carros”, afirmou. Sandra segue tentando reverter a multa junto à Agetran e defende que a situação precisa ser revista de forma mais ampla. “No dia a dia os motoristas trafegam e motos também estacionam nessa faixa da Rui Barbosa. Isso revolta o cidadão que trabalha suado para pagar suas contas, enquanto outras pessoas, assim como eu, estão sendo multadas apenas para conseguir virar na outra rua”, desabafou. “Solicitei para a Agetran rever isso não só para mim, mas para todos os moradores motoristas de Campo Grande. É uma multa injusta.” De acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), transitar em faixas ou vias exclusivas para ônibus é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e acréscimo de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A conversão à esquerda é liberada desde que o motorista tenha comércio ou residência do lado da via, ou ela seja usada apenas para conversões, tanto rotineiras quanto de veículos de emergência. Fora isso, não é permitido trafegar na faixa de forma contínua. Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, no ano de 2025, 5.664 infrações por transitar em faixas de ônibus foram registradas. A reportagem do Campo Grande News procurou a Agetran questionando sobre o armazenamento curto de vídeos que registram as infrações de trânsito, porém ainda não obteve resposta.