Ele já registrou inúmeros fundos de mares, rios cristalinos, silhuetas humanas perdidas no azul de cavernas e mergulhadores diante de cenários quase irreais. Mas são raras as imagens em que Ruver Bandeira aparece fazendo aquilo que mais ama na vida: fotografar embaixo d’água. Foi em Bonito que ele encontrou um lugar para pensar mais em si e acabou se apaixonando por lá. Desde então não parou mais de voltar à cidade. As fotos já renderam até prêmios internacionais, mas o que muita gente não sabe é como tudo isso começou. Ao Lado B , ele conta que é professor de Geografia e que a coisa aconteceu como uma brincadeira curiosa. A natureza, sempre subaquática, chamou a atenção dele, antes mesmo de ser fotógrafo profissional. “Foi em um concurso de desenho da Disney que ganhei minha primeira câmera, uma Kodak repetecu. Antes era mais difícil ver alguma imagem dentro da água, fosse doce ou salgada. Sempre fui apaixonado pelo mar e por tubarão. Em 1998, fiz a primeira viagem para Fernando de Noronha e fiz o primeiro mergulho. De lá pra cá, fui estudando.” Naquele momento, o pernambucano nem imaginava onde chegaria e que Bonito conquistaria tanto o coração dele. “Quando mergulhei lá, não tinha curso, aí anos depois fiz. Tudo o que eu via embaixo da água tinha o prazer de mostrar pra minha família e amigos, aí foi nascendo uma paixão pela fotografia. Comecei a estudar sobre para poder melhorar o que eu fazia. Estudava pela internet, fiz um curso especializado em fotografia subaquática depois e foi uma brincadeira que acabou ficando mais séria.” Nesse caminho, Bonito se tornou fundamental, especialmente nas imagens feitas em cavernas. Em 2021, Ruver participou de ensaios inéditos por aqui, com modelos usando roupas comuns em ambientes submersos como o Rio da Prata, o Abismo Anhumas, Lagoa Misteriosa e Bodoquena. Produções que exigiram planejamento, técnica e extremo cuidado ambiental. “Foi essencial dentro desse processo, principalmente das imagens realizadas em cavernas. Eu tenho uma gratidão por Bonito, que sempre me acolheu muito bem. Se hoje minha carreira está crescendo foi por conta da repercussão das fotos em Bonito, tenho carinho especial, gosto demais da cidade. Fazia três anos que não voltava, fui em dezembro e a verdade é que já estou com saudade.” O que mais o marcou para ele foi perceber a natureza tão viva e próxima das pessoas. O contato direto entre ser humano e ambiente natural, mesmo perto de pequenos centros urbanos. Ele conta que encontrou ali o que busca há tantos anos, o equilíbrio entre natureza e aproximação do homem. Ruver volta ao passado e conta que em 2010 já publicava artigos fotográficos em revistas especializadas em mergulho, mas em 2014 participou do primeiro campeonato nacional de fotografia subaquática. Desde então, acumula cerca de 40 premiações, nacionais e internacionais. Apesar do reconhecimento, o foco nunca foi apenas o prêmio. A fotografia, para ele, é uma ferramenta de conexão. Mais do que exibir beleza, ela precisa ensinar a gostar do ecossistema retratado. “O foco principal da minha fotografia não só mostrar só a beleza do lugar, mas através dela as pessoas aprendam a gostar daquele ecossistema e com isso aprendam a preservar. Porque o que a gente ama a gente cuida. Isso é meu objetivo principal.” Os ensaios aquáticos podem durar horas, precisam de apoio de equipes e uma logística para imprevistos. Mas Ruver não se arrepende de ter largado a carreira nas salas de aula para ser fotógrafo em lugares que nunca imaginou pisar. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .