Goiás já registra quase 600 acidentes com picadas de cobra em 2026
Entre janeiro a abril deste ano, Goiás já registrou 584 acidentes envolvendo picadas de cobra, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES). O número é 3% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram noticados de 566 casos. O valor já se aproxima da metade de acidentes com répteis registrado em todo ano passado, que foi de 1.449 casos, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)
Segundo a médica infectologista do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Marina Roriz, a maioria dos acidentes que chegam à unidade de saúde são de cobras conhecidas no Brasil, como jararaca, jararacuçu e cascavel. Para ela, o aumento de casos chama atenção exatamente pela quantidade de leitos que os pacientes vêm ocupando na unidade de saúde.
“Geralmente a gente já espera que tenha mais acidentes nesse período por causa das chuvas e do período de reprodução das cobras. Esse ano realmente a gente percebeu um aumento importante. Agora nós temos dois, três, quatro pacientes internados ao mesmo tempo”, pontua.
Atendimentos
Ela explica que os pacientes que chegam ao HDT já passaram por uma unidade de pronto atendimento, que envolve classificação da gravidade e uso de soro antiveneno, distribuído pelo sistema de saúde. “A gente classifica se o acidente foi leve, moderado ou grave e, a partir disso, prescreve o número de ampolas de soro. Tem pacientes que, às vezes, precisam de hemodiálise e até mesmo de cirurgia.”
O atendimento, segundo ele, tem sido mais recorrente entre homens adultos e até mesmo idosos. Segundo a médica, muitos acidentes ocorrem em situações cotidianas. “Eles vêm muito com histórias de estar pescando, foi pegar uma fruta no pé, foi colher algum produto.”
Como dica, ela conta que, ao ser picado, o paciente deve lavar o local com água e sabão para evitar a entrada de bactérias e não postergar a ida ao médico. Diferentemente do que se imagina, ela ressalta que não é necessário matar o animal para que o tratamento seja preciso.
“Se vir algum bicho, não tentar capturar. Chamar a Defesa Civil ou ajuda especializada. Se o paciente não viu que cobra foi, a gente vai pela manifestação clínica. Geralmente faz muita reação no local, fica inchado, vermelho, muito dolorido, além de poder apresentar confusão mental, pitose palpebral, sonolência, visão turva. Então ele tem mais sintomas neurológicos’, reforça.
Além disso, não é recomendado fazer uso de torniquetes, passar algum produto no local, não cortar ou sugar o veneno e nem fazer uso de bebidas alcoólicas.
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