A Justiça revogou, na terça-feira (14), a prisão de Antonio Lucas Bispo da Silva e Alex dos Santos Silva, investigados pelas mortes do advogado Cássio de Souza, 40 anos, e do servidor Hugo Centurião Enciso, 49, ocorridas a tiros após briga entre conhecidos, no Bairro Capitão Vigário, em Caarapó, na madrugada de 1º de março. A decisão se baseou no relatório final do inquérito, que apontou outro envolvido como autor dos disparos. Com a decisão, Antonio Lucas e Alex não foram indiciados e devem ser soltos após a expedição dos alvarás. Antonio Lucas estava na PED (Penitenciária Estadual de Dourados) e Alex permanecia custodiado em Caarapó. Já Antônio Marques da Silva segue preso, apontado pela investigação como responsável pelos tiros. A Polícia Civil concluiu que os disparos partiram de Antônio Marques. O relatório apontou a dinâmica do crime, com base em depoimentos, imagens e exames técnicos, e indicou a posição das vítimas no momento dos tiros. A defesa de Antonio Lucas informou que a revogação ocorreu após a conclusão do inquérito, entregue no fim de março. Segundo o advogado Rodrigo Bueno, foi necessário ingressar com habeas corpus para acelerar a análise do pedido, o que resultou na decisão favorável. A advogada Mayane Ferreira, que representa Alex, afirmou que o inquérito reuniu laudos periciais, análise de celulares e reconstituição da cena. De acordo com ela, as provas não indicaram participação do cliente nas mortes. O caso teve início após discussão em uma conveniência na área central da cidade. Testemunhas relataram que o desentendimento envolveu amigos de longa data e começou após troca de ofensas durante a madrugada. Depois da primeira briga, os envolvidos seguiram para uma casa na Rua Américo Vespúcio, no Bairro Capitão Vigário. No local, houve nova discussão e, em seguida, os disparos que atingiram o advogado e o servidor. Equipes foram acionadas por volta das 3h e encontraram uma das vítimas na rua e a outra no quintal do imóvel. As mortes ocorreram ainda no local. Após o crime, parte dos envolvidos deixou a cidade em dois veículos. Um deles levava o revólver calibre 38, apreendido posteriormente dentro do carro. No dia seguinte, dois suspeitos foram localizados quando retornavam para Caarapó. Durante a investigação, versões conflitantes marcaram os depoimentos. Os envolvidos atribuíram a autoria dos tiros uns aos outros. A reconstituição, realizada no dia 19 de março, ajudou a esclarecer a sequência dos fatos e sustentou a conclusão do inquérito. Com o encerramento da apuração, o procedimento foi encaminhado ao Judiciário e ao Ministério Público, que analisam o caso.