A família dos jovens Breno Gabriel Soares Cabral, de 21 anos, Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, e Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23 anos, mortos durante o “tribunal do crime” em Campo Novo do Parecis (MT), realiza vaquinhas para custear o traslado dos corpos para Mato Grosso do Sul. O transporte dos corpos foi estimado em R$ 12,5 mil para uma das famílias. Os rapazes foram para o interior de Mato Grosso para trabalhar em um galpão e, no último sábado (4), desapareceram do alojamento onde estavam hospedados. Os corpos foram encontrados na tarde desta terça-feira (7), enterrados em uma estrada vicinal. A família dos três jovens informou à reportagem que não recebeu suporte da empresa pela qual eles foram contratados. “Estamos precisando de ajuda para trazer o corpo dos meninos de volta. A empresa pela qual eles foram contratados não está dando nenhum suporte”, relata Kamila Viana, irmã de Wagner e Wilquison. Mãe de Breno Gabriel Soares Cabral, Elaine Cristina Soares, de 42 anos, relatou ao portal que ainda está atordoada com o ocorrido. Ela tentou conversar com os donos da empresa pela qual os jovens foram contratados e foi informada de que poderiam usar o salário dos rapazes para custear o traslado do corpo. “Quer dizer que meu filho foi trabalhar para morrer? Foi para pagar o próprio enterro?”, lamenta Elaine. Ela relata ainda que, conforme o IML (Instituto Médico Legal) de Mato Grosso, o traslado precisa ocorrer o mais rápido possível, pois o caixão virá lacrado e não pode permanecer muito tempo nessas condições. “Eu só quero dar um enterro digno para ele, não jogar ele em uma vala como foi encontrado”, disse à reportagem A mãe ainda relata que o filho não pertencia a nenhuma facção. "Todo mundo amava meu filho, ele era muito querido por ser trabalhador e não desistir das coisas. Ele não tinha envolvimento com nada. Meu filho era muito amado, não vou deixar o caráter do meu filho ser destruído", disse Elaine. O traslado dos corpos dos dois irmãos foi orçado em R$ 12,5 mil, e a família está recebendo doações pela chave Pix 07701440127. Elaine recebe doações para o transporte do corpo de Breno pela chave Pix 67992750452. Segundo o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, em entrevista à reportagem, o crime está diretamente ligado à atuação de facções criminosas. Ainda de acordo com o delegado, os três foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram a desconfiança de integrantes da facção local. Eles foram levados para uma estrada vicinal, onde foram amarrados e asfixiados. Os três corpos foram enterrados juntos, em uma cova de pouco mais de um metro de profundidade. “Os celulares das vítimas foram analisados e, supostamente, elas seriam integrantes do PCC. Aqui, a região é dominada pelo Comando Vermelho. Houve uma chamada de vídeo, no contexto do chamado ‘tribunal do crime’. As vítimas foram ‘decretadas’, ou seja, foi emitida uma ordem de execução”, afirmou.