Fábrica de brinquedos Gala e Pais e Filhos, atingida por incêndio criminoso em Aparecida do Taboado, já havia sido condenada pela Justiça Regional do Trabalho por submeter uma funcionária a práticas reiteradas de assédio moral, incluindo punições consideradas abusivas no ambiente de trabalho em Paranaíba. Apesar de estarem em municípios diferentes, as duas unidades possuem o mesmo nome e os mesmos sócios. Decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região manteve, por unanimidade, a condenação da empresa ao pagamento de indenização por danos morais. O processo descreve um ambiente marcado por cobranças excessivas, advertências públicas e mudanças constantes de setor sem justificativa. Entre as situações apontadas no processo está a imposição de tarefas punitivas, como a limpeza geral da fábrica, atividade que não fazia parte das atribuições da funcionária, contratada como auxiliar. Testemunhas relataram que as condutas eram frequentes e provocaram crises de choro na trabalhadora. O relator do caso, desembargador João de Deus Gomes de Souza, afirmou que a empresa extrapolou o poder diretivo ao adotar práticas abusivas e reiteradas, que violaram a dignidade da empregada. A decisão também reconheceu rebaixamento funcional, apontando que a retirada da função de liderança ocorreu em meio a perseguições e cobranças desproporcionais. A defesa da empresa apresentou testemunha para contestar as acusações, mas o depoimento foi considerado frágil pelo colegiado, por não refletir a rotina do setor onde ocorreram os fatos. Em primeira instância, o juiz Márcio Kurihara Inada já havia fixado indenização de R$ 3.028, valor mantido pela Turma por ser considerado proporcional ao dano causado. O histórico trabalhista da empresa veio à tona após o incêndio que destruiu parte da unidade industrial no fim de semana. Um funcionário de 20 anos é investigado por atear fogo no local após esperar a saída de cerca de 1,2 mil colegas. Segundo a Polícia Civil, o suspeito relatou que era alvo de humilhações no ambiente de trabalho. Ele utilizou álcool disponível na própria fábrica para iniciar o incêndio, que começou no setor de almoxarifado e causou prejuízo milionário. A Justiça decretou a prisão preventiva do investigado, e o caso segue em apuração.