O policial militar que entrou na casa da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, após ouvir o disparo no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, relatou que, ao acessar a sala da residência, encontrou Gilberto Jarson, de 50 anos, em uma ligação enquanto segurava a arma que teria atingido a companheira. O suspeito de feminicídio tinha três chamadas no histórico: para a Polícia Militar, para o cunhado e para o advogado. O crime ocorreu por volta das 12h desta segunda-feira (6) e é o 9º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul. Ainda conforme o boletim de ocorrência, ao qual o Campo Grande News teve acesso, ao ouvir o disparo, a testemunha foi imediatamente até a casa de Marlene e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas. O policial militar pediu que o pintor abrisse o portão, mas, diante da demora, precisou pular o muro. Ao entrar na residência, viu o suspeito segurando a arma em uma das mãos e o telefone na outra. Marlene foi encontrada pelo vizinho ainda com sinais vitais, que acionou o Corpo de Bombeiros. Mesmo com a chegada do socorro, a subtenente não resistiu aos ferimentos causados pelo disparo e morreu no local. Segundo o registro, a vítima foi encontrada de farda, próxima à janela da sala. No local, além de um revólver calibre .38, também foi localizada a pistola 9 milímetros de uso institucional, que estava no coldre. Durante o atendimento, Gilberto apresentou versões diferentes sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, afirmou que não percebeu quando Marlene teria pegado a arma e efetuado o disparo, dizendo que estava no quintal, cobrindo uma motocicleta com uma lona. Depois, declarou que poderia haver resquícios de pólvora em suas mãos, pois teria tentado impedir o disparo. Segundo ele, no momento do tiro, chegou a segurar a mão da vítima. Vizinhos ouvidos pela polícia relataram que as discussões entre o casal eram frequentes e que, em ocasiões anteriores, já haviam escutado gritos e até pedidos de socorro vindos da residência. Marlene foi uma das pioneiras da Polícia Militar feminina e atuou na CIPMFlo (Companhia Independente de Polícia Militar Florestal), hoje chamada de PMA (Polícia Militar Ambiental). Ela chegou a se aposentar, mas retornou recentemente à ativa, passando a trabalhar no Comando-Geral da Polícia Militar. A subtenente será velada às 13h, no Cemitério Memorial Park, localizado na Rua Francisco dos Anjos, 442. O sepultamento está previsto para as 17h30. Este é o 9º caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026 e o primeiro ocorrido em Campo Grande. Casos registrados em 2026: Josefa dos Santos, 44 anos, morta em 16 de janeiro, em Bela Vista; Rosana Candia Ohara, 62 anos, morta em 25 de janeiro, em Corumbá; Nilza de Almeida Lima, 62 anos, morta em 22 de fevereiro, em Coxim; Beatriz Benevides da Silva, 18 anos, morta em 25 de fevereiro, em Três Lagoas; Liliane de Souza Bonfim Duarte, 52 anos, agredida em 3 de março, em Ponta Porã, e morta três dias depois; Leise Aparecida Cruz, 40 anos, morta em 6 de março, em Anastácio; Ereni Benites, 44 anos, morta em 8 de março, em Paranhos; Fátima Aparecida da Silva, 58 anos, morta em 23 de março, em Selvíria; Marlene de Brito Rodrigues, 59 anos, morta em 6 de abril, em Campo Grande.