Sem receber o repasse da complementação do piso salarial, enfermeiros da Santa Casa aderiram, nesta terça-feira (7), à paralisação parcial das atividades. Desde a manhã, parte dos trabalhadores permanecem sentados na entrada principal do hospital. Ao Campo Grande News , o diretor do SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de MS), Lázaro Santana, explicou que a categoria cobra o pagamento referente à competência de fevereiro. “A prefeitura tinha prazo até quinta-feira da semana passada, não fez o pagamento. Na segunda-feira, o sindicato notificou a Santa Casa e também a Secretaria de Saúde, mas não obtivemos nenhuma resposta”, afirmou. Ontem, os trabalhadores se reuniram em assembleia e deliberaram pela paralisação até que o repasse seja efetuado. “Durante a assembleia, também montamos uma comissão que esteve na Secretaria de Saúde. Fomos informados de que hoje, segundo eles, a situação seria regularizada. Mas, como não recebemos nada por escrito, decidimos manter a paralisação até o dinheiro cair na conta”, disse. Atualmente, a Santa Casa conta com cerca de 1,4 mil profissionais entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. Desse total, 300 estão afastados por motivos de saúde. Com a paralisação, apenas metade dos trabalhadores segue atendendo. “Não estamos deixando a população sem assistência, mas haverá morosidade no atendimento”, ressalta. Além da Santa Casa, profissionais de outras unidades, como o Hospital São Julião e o Hospital do Câncer, também não receberam o repasse. Segundo Lázaro, o movimento pode se estender. “Começamos a paralisação hoje, mas nenhum hospital que atende até 60% pelo SUS recebeu da prefeitura. Então, provavelmente, haverá outras mobilizações. Vou a outros hospitais porque pagam a Santa Casa e esquecem os demais”, afirmou. O técnico de enfermagem Jairo de Melo, de 31 anos, conta que decidiu aderir ao movimento devido à recorrência dos atrasos. “Todo mês estamos aqui, nessa mesma situação, porque o repasse atrasa. Isso impacta diretamente nas contas que não conseguimos pagar em dia”, disse. Para conseguir manter os compromissos financeiros, ele recorre a outras fontes de renda, como atuar como cuidador no contraturno e trabalhar com confeitaria. “É algo desonesto com quem está aqui todos os dias em favor da população, prestando um serviço que não pode ser interrompido. A maioria precisa de outro emprego por causa dos atrasos. Temos dívidas, filhos, financiamentos. Nunca conseguimos pagar tudo na data certa com o salário daqui”, conclui. A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para comentar a situação, e foi informada que a pasta irá se posicionar posteriormente.