Alvo de protestos de representantes da cultura de Campo Grande, o leilão do antigo Cine Campo Grande pelo Sesc (Serviço Social do Comércio) não foi bem-sucedido devido à falta de pagamento. O arrematante deveria ter transferido 40% do valor em até três dias após a data do leilão, que ocorreu em 25 de março deste ano na plataforma on-line do leiloeiro Reinaldo Perdomo. O montante equivaleria a R$ 495,4 mil, considerando que o lance foi de R$ 4,9 milhões. Não houve disputa e o lance dado foi igual ao lance original. A reportagem consultou o leiloeiro e a assessoria de imprensa do Sesc sobre o nome ou segmento comercial ao qual o arrematante pertence, mas a resposta foi que “há impedimento legal para se fornecer a informação” e que ela é de caráter interno e “será dita em momento oportuno”. Passados 12 dias após o arremate, nem o Sesc nem o leiloeiro disponibilizaram documentos que confirmassem a compra ou informassem o nome do arrematante, o que levou à suspeita de cancelamento da operação. Questionado, Perdomo não quis se manifestar e pediu para que o vendedor fosse consultado. Por sua vez, o Sesc repetiu a resposta de que “o processo está sendo tratado internamente”. A informação sobre a falta de pagamento veio da vereadora Luiza Ribeiro (PT), que acompanha qual destino será dado ao prédio. Ela apoiou o protesto contra o leilão. Uma audiência pública marcada na Câmara Municipal para esta quarta-feira (8), às 9h, foi motivada pelo caso e vai discutir caminhos para a produção e difusão do cinema em Campo Grande. "Sabemos, informalmente, que não ocorreu o pagamento em dinheiro e parece que o comprador quer pagar em créditos de carbono, o que não estava previsto no edital do Leilão. Exigimos transparência sobre esse processo e temos todo interesse que esse patrimônio não seja transformado em ativos financeiros. O Cine Campo Grande é muito maior e mais importante do que qualquer valor em dinheiro", afirmou. Último cinema de rua - O espaço fica na Rua 15 de Novembro, 750, no Centro de Campo Grande. Foi o último cinema de rua que funcionou na Capital. De acordo com o edital do leilão, ele tem dois pavimentos e subsolo, com área total construída de 1.307,36 m². No pavimento térreo, estão o cine 1 e o cine 2. No pavimento superior, há salas de espera, banheiros, cabines de projeção e salas técnicas. No subsolo, são encontradas salas de manutenção, cabine de força, antecâmara e caixa d’água. O prédio foi comprado pelo Sesc em 2013, depois do fechamento do cinema em 2012. A promessa era que seria transformado em um centro cultural, porém, entraves como a exigência de vagas de estacionamento e problemas jurídicos emperraram o projeto. Em 2024, a instituição chegou a anunciar que as obras começariam no segundo semestre, mas nada avançou. Recentemente, o Sistema Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de MS), do qual o Sesc faz parte, assumiu a reforma no Horto Florestal de Campo Grande. Segundo o presidente da instituição, Edilson Araújo, havia a necessidade de acelerar a venda do prédio para custear as obras, orçadas em R$ 3,5 milhões. O valor do leilão chegou a ser reduzido após o lançamento. “A prioridade é diminuir o valor para vender mais rápido e investir na reforma”, informou.