Eliane Aparecida dos Santos tinha um sonho de infância que só realizou 40 anos depois: colocar uma Nossa Senhora Aparecida no telhado de casa, ou melhor, próximo dele. Para isso, teve que esperar todo esse tempo até ter a casa própria que tanto imaginou, com um cantinho planejado para a Santa. Quem passa pela Rua Osvaldo Aranha, no bairro Jardim Monumento, deve ter visto a imagem lá no alto. Protegida com um vidro e ainda envolta de luzes de Natal, Nossa Senhora "blinda" a casa de Eliane e da família. Hoje, com 45 anos, ela conta ao Lado B que, desde os cinco, cruzava o caminho entre o Jardim das Perdizes e o bairro Colibri e se encantava com uma casa que tinha uma Nossa Senhora igual à dela, no alto. Foi ali que prometeu a si mesma que, quando tivesse a própria casa, faria igual. Demorou, mas fez. A casa atual tem seis anos. Antes, Eliane morava no mesmo terreno, em uma construção antiga que acabou demolida para dar lugar ao novo lar. E foi justamente nesse recomeço que o sonho antigo voltou com força. “Nessa eu falei que iria colocar ela”, lembra. “Nós recebemos uma bênção de Nossa Senhora, nós ganhamos no Pantanal Cap e foi com esse prêmio que construímos a nossa casa”. Católica, ela vê na imagem um símbolo de proteção, presença e história de vida. A casinha da Santa já fazia parte do projeto desde o início da obra e foi pensada para resistir ao tempo, à chuva e até aos pássaros, por isso a grade ao redor. No bairro Jardim Monumento, onde mora desde os 8 anos, a escolha de permanecer também diz muito. Mesmo quando surgiu a oportunidade de sair, a família decidiu ficar. Ali é tranquilo, diz ela. Agora, também é o lugar onde o sonho de infância ganhou forma concreta, visível para quem passa na rua. A imagem chama atenção. Tem quem ache bonito, quem estranhe, quem pare para olhar com curiosidade. Eliane já se acostumou. Para ela, o que importa é o significado. Mais do que um desejo realizado, a presença da Santa no telhado virou símbolo de uma trajetória inteira. Eliane fala da família como um milagre. São 26 anos de casamento, algo que, para ela, já é prova de proteção e fé. “Colocamos a Santa na casa nova porque na antiga não tinha condições de receber, a casinha dela foi construída desde o projeto. Eu não sei muito o tamanho da casinha nem quantos metros do chão, mas é a altura de uma escada grande”. Ela conta que ainda aguarda o marido comprar uma escada grande o suficiente para poder fazer a manutenção da santa. “Tem que tirar os pisca-pisca de Natal que estão há 2 anos lá e limpar o vidro, trocar a lâmpada. Quero trocar o manto, limpar. Aliás, eu que fiz a coroa dela com pérola e o manto. A coroa era de gesso normal e eu incrementei”.