Na época mais doce do ano, o alerta costuma ser sempre o mesmo: cuidado com o chocolate perto de cães e gatos. Mas o que muitos ignoram é que junto com os ovos de Páscoa e bombons vêm embalagens que podem ser tão perigosas quanto o próprio doce. Isso porque, além de poder engasgar com elas, se houver resquícios de chocolate, será suficiente para causar uma série de problemas intestinais. Mas o chocolate é apenas a porta de entrada; existem outras coisas que também ameaçam a vida do seu cachorro ou gato durante a Páscoa. Segundo o médico veterinário Mário Cinato, o perigo está nos plásticos, papéis coloridos e, principalmente, no papel-alumínio. Diferentemente do chocolate, que intoxica, esses materiais representam uma ameaça física. Não são digeríveis e podem ficar presos no esôfago, estômago ou intestino, causando obstruções graves, além de cortes e lacerações no sistema gastrointestinal. O cenário piora quando o pet ingere tudo junto, doce e embalagem. Nesses casos, a orientação é agir rápido, mas com cautela. “Não provoque vômito em casa. Se houver embalagem envolvida, isso pode causar engasgo ou agravar a situação”, alerta o veterinário da Clínica Veterinária Bourgelat. O ideal é retirar qualquer resto do alcance do animal, tentar identificar o que foi ingerido e procurar atendimento imediato. Os sinais de que algo não vai bem podem aparecer horas depois e incluem vômitos repetidos, dificuldade para evacuar, abdômen inchado, falta de apetite e desânimo. Em casos de ingestão de chocolate, os sintomas também podem envolver agitação, sede excessiva, batimentos cardíacos acelerados, tremores e até convulsões. O risco é ainda maior para animais de pequeno porte, já que a chance de obstrução por embalagens é maior. E não para por aí. Além do chocolate tradicional, doces com adoçantes como o xilitol, comum em balas e sobremesas, são altamente tóxicos e podem levar a quadros graves em pouco tempo. Restos de comida da ceia de Páscoa, muitas vezes gordurosos ou temperados, também entram na lista do que deve passar longe dos pets. Quando o assunto é chocolate, o vilão principal é a teobromina, uma substância presente no cacau que o organismo dos animais não consegue metabolizar com eficiência. O resultado é um acúmulo tóxico que afeta o sistema nervoso e o coração. Chocolates mais amargos são ainda mais perigosos por concentrarem maiores quantidades da substância. A recomendação, no fim das contas, é o óbvio: manter ovos, bombons, embalagens e restos de comida fora do alcance dos animais. E, se quiser incluir o pet na celebração, existem alternativas seguras. “Hoje já há ‘chocolates’ próprios para pets, feitos à base de alfarroba, que imitam o sabor, mas não oferecem risco”, completa Mário.