A aprovação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para que a Arauco assuma o controle da Alempor marca um passo decisivo na estruturação logística do Projeto Sucuriú, um dos maiores investimentos industriais em curso em Mato Grosso do Sul. A autorização, concedida na última quinta-feira (26), está condicionada à transferência da titularidade do Terminal de Uso Privado (TUP), localizado em Alemoa, no Porto de Santos (SP). Com isso, a companhia chilena avança nos trâmites para concluir a aquisição da Alempor, movimento considerado estratégico para garantir acesso mais competitivo ao mercado internacional. Na prática, o terminal deve funcionar como elo direto entre a futura planta de celulose em Inocência e o principal corredor de exportação do país, reduzindo custos logísticos e ampliando a eficiência no escoamento da produção. “Isso representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência”, afirma o presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras. Apesar da autorização, a operação ainda depende de etapas formais, incluindo ajustes societários e validações regulatórias. A expectativa da empresa é concluir a transação em até 90 dias. Corredor de exportação e impacto regional O TUP em Santos é peça-chave para integrar o Projeto Sucuriú a uma cadeia logística considerada essencial para viabilizar a competitividade internacional da celulose produzida em Mato Grosso do Sul. A estratégia reforça o posicionamento do Estado como novo polo da indústria de base florestal no Brasil, especialmente no segmento de celulose, que tem atraído bilhões em investimentos nos últimos anos. Com a estrutura completa — que inclui ferrovia, rodovia e terminal portuário — a Arauco pretende garantir previsibilidade operacional e ganho de escala, fatores determinantes para disputar mercados globais. Mega investimento em Inocência Orçado em US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú representa a entrada da Arauco no segmento de celulose no Brasil. A planta, em construção a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra curta por ano. Instalado em uma área de 3.500 hectares, o empreendimento teve a terraplanagem iniciada em 2024 e tem previsão de entrar em operação no fim de 2027. Durante a fase de obras, a estimativa é de geração de mais de 14 mil empregos. Após o início das operações, cerca de 6 mil postos de trabalho devem ser mantidos entre as áreas industrial, florestal e logística. Além do impacto direto na economia local, o projeto deve ampliar a arrecadação e atrair novos investimentos para a região, consolidando o leste do Estado como corredor de desenvolvimento industrial. Sustentabilidade como eixo A empresa afirma que o projeto segue diretrizes ambientais, com monitoramento contínuo da biodiversidade e mapeamento de áreas prioritárias para conservação. A atuação também está alinhada a práticas ESG e certificações internacionais, como o selo FSC, voltado ao manejo florestal responsável. Presente no Brasil desde 2002, a Arauco atua nos segmentos florestal e de madeira, com cinco unidades industriais no país e mais de 3 mil colaboradores. A fábrica de Inocência será a primeira da companhia no setor de celulose em território brasileiro — e um dos principais vetores de transformação econômica para Mato Grosso do Sul nos próximos anos.