Paciente de Itumbiara é o segundo em Goiás a receber tratamento com polilaminina
Manoel Astrogildo, morador de Itumbiara, se tornou o segundo paciente em Goiás a receber o tratamento com polilaminina, substância em fase de pesquisa voltada à recuperação de lesões medulares. O procedimento foi realizado na última quinta-feira, 26, no Hospital Estadual de Itumbiara São Marcos (HEI), após decisão judicial que autorizou o uso do composto.
Manoel ficou tetraplégico após sofrer um acidente no dia 10 de novembro de 2025, quando ele retornava de Goiânia. Na ocasião, ele sofreu uma fratura na coluna cervical, na região da C5, o que causou a perda total dos movimentos e da sensibilidade dos ombros para baixo.
Após a aplicação da polilaminina, a família organizou uma campanha de arrecadação para custear as terapias necessárias. Em publicação na vaquinha online, os familiares destacaram que “os gastos são grandes, por isso estamos fazendo uma vaquinha pra ajudar com o máximo possível”. A meta estabelecida é de R$ 50 mil, mas, até o momento, cerca de R$ 2 mil foram arrecadados.
Agora, Manoel passa pela fase de reabilitação intensiva, considerada essencial para potencializar os possíveis efeitos da polilaminina. O tratamento da substância aposta na regeneração das células nervosas lesionadas, o que pode contribuir para a recuperação parcial ou, em alguns casos, até total dos movimentos.
Desenvolvida pela cientista Tatiana Sampaio, a polilaminina é um composto derivado da laminina, proteína presente naturalmente no organismo humano e essencial para a organização dos tecidos e crescimento celular. A pesquisa é conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e propõe a aplicação direta da substância na área afetada da medula, geralmente em dose única, seguida de fisioterapia intensiva.
No início deste ano, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram o início da fase 1 de estudos clínicos para avaliar a eficácia e segurança da polilaminina, que está em fase experimental. Até o momento, a substância apresentou bons resultados em testes com animais e em um grupo reduzido de pacientes, mas ainda precisa cumprir todas as etapas regulatórias.
Em Goiás, o primeiro paciente a receber o tratamento foi o delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, que ficou tetraplégico após um acidente em julho de 2025, na GO-330. Ele realizou o procedimento em janeiro deste ano, no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), também após autorização judicial.
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