Mato Grosso do Sul acaba de conquistar um espaço inédito na cena cultural brasileira. Pela primeira vez, uma house de vogue do país foi selecionada para o Palco Giratório, maior projeto de circulação de artes cênicas do Sesc. Quem representa esse marco é a House of Hands Up MS, que vai rodar o Brasil com o espetáculo “Peça Única”. A conquista não é pequena. Além de ser o primeiro grupo do estado a entrar com essa linguagem no projeto, também é a primeira vez que um espetáculo de vogue, ligado à cultura Ballroom, integra a programação nacional. Criada em 2016, a Hands Up MS é um coletivo que trabalha com dança, performance e moda como forma de expressão e afirmação de identidades LGBTQIAPN+. O espetáculo que agora ganha o país nasceu justamente dessa proposta: mostrar que a arte feita dentro da cena Ballroom também tem força de palco. “Só de saber que nosso trabalho seria visto nacionalmente já era muito importante. Mostra que uma comunidade LGBTQIAPN+ de MS produz arte de qualidade”, diz Roger Pacheco, que é o “mother” da house. O espetáculo “Peça Única” reúne 11 performers em cena e mistura vogue, estética fashion e performance para discutir temas como identidade, beleza e pertencimento. A montagem foge do formato tradicional e aposta no improviso, na experimentação e até na precariedade como linguagem artística. Mais do que um espetáculo, a apresentação carrega um contexto social. A cultura Ballroom, de onde nasce o vogue, surgiu como espaço de acolhimento para pessoas marginalizadas — principalmente pessoas negras, trans e LGBTQIAPN+. E é essa força que o grupo leva para o palco. “A arte tem esse poder de transformar o olhar. Quando as pessoas conhecem, entendem melhor e quebram preconceitos”, afirma Roger. A turnê começa em maio e deve passar por mais de 15 cidades brasileiras ao longo de 2026. Para muitos integrantes, a viagem também representa uma conquista pessoal, com experiências inéditas como andar de avião e conhecer novos lugares. Enquanto se preparam para cair na estrada, o sentimento é de mistura entre ansiedade e orgulho. “É algo muito grandioso. A gente sabe da responsabilidade e quer dar o nosso máximo em cada apresentação”, resume.