Doze dias após o atropelamento que deixou a comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, em estado grave, o principal suspeito do caso, o mecânico Reinaldo Henrique da Silva Pamplona, de 28 anos, ainda não foi localizado. O crime ocorreu na madrugada de 14 de março, na Rua Brilhante, em Campo Grande. A vítima teve parte da perna arrancada com o impacto. Diante dos elementos, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito no dia 19, cinco dias após o crime. No entanto, nesta quarta-feira (26), uma semana depois, o pedido ainda aguarda decisão judicial. Ao Campo Grande News , o delegado Sam Ricardo Suzumura, responsável pelo caso, destacou que a prisão sem mandado só é possível em situação de flagrante. “Prisão sem mandado judicial só se for em flagrante e, no caso específico, não há falar em flagrante mais”, afirmou. Tentativa de homicídio - A investigação mudou o enquadramento do caso. Inicialmente tratado como lesão corporal culposa no trânsito, o episódio passou a ser investigado como tentativa de homicídio, com base em indícios de dolo eventual. Segundo o delegado, durante coletiva à imprensa no dia 18, o excesso de velocidade e a conduta do motorista após o atropelamento pesaram na decisão. Ainda conforme a investigação, há indícios de que o veículo trafegava muito acima do limite permitido. “Não é que ele estava pouco acima da velocidade. Ele estava muito além. A suspeita é de que estava acima do dobro do permitido”, disse. Outro agravante apontado é o fato de o carro circular em faixa exclusiva de ônibus no momento do atropelamento. “O total desrespeito, o menosprezo, isso tudo a gente está considerando para caracterizar o dolo eventual”, completou. As investigações também apontam comportamento considerado suspeito após o atropelamento. De acordo com a esposa, o mecânico saiu de carro na madrugada do acidente e retornou a pé para casa. Dias depois, o veículo foi encontrado escondido no quintal da residência do casal, no Bairro São Conrado, coberto por panos. O carro, um Citroën C3 de cor escura, apresentava avarias como retrovisor quebrado, ausência do protetor do paralama dianteiro direito e o vidro do passageiro estilhaçado. A localização ocorreu após denúncias anônimas. No imóvel, apenas a esposa do suspeito foi encontrada. Ela afirmou desconhecer que o veículo estava no local e relatou estranhamento com o comportamento do marido após o acidente. Segundo ela, o casal passou a permanecer em casas de familiares. A hipótese de participação em racha não está descartada. Imagens de câmeras de segurança mostram dois veículos em alta velocidade na região, mas ainda não há confirmação sobre outro condutor envolvido. O suspeito possui passagem por violência doméstica registrada em 2023.