Nos últimos dias, muito se falou sobre a aprovação da lei que trata da misoginia. Mas, dentro das empresas, o ponto mais importante não começa na legislação — começa na rotina. No que é permitido, ignorado ou normalizado no dia a dia da operação. Comentários inadequados tratados como brincadeira, situações desconfortáveis que ninguém corrige e ambientes onde o respeito não é conduzido pela liderança não são “coisas pequenas”. São sinais claros de desorganização interna. Quando isso não é enfrentado, vira cultura. E cultura não corrigida vira risco. Risco de perder pessoas boas, de desgastar a equipe, de afetar a experiência do cliente e, inevitavelmente, de gerar consequências jurídicas. Empresas organizadas não reagem ao problema — previnem. Definem limites, constroem cultura e deixam claro o que é aceitável desde o início. Porque, no fim das contas, a lei não cria o problema — ela apenas expõe o que já estava desorganizado. E liderança não é discurso. É prática diária, decisão firme e posicionamento claro, principalmente quando é desconfortável agir. Porque o que você tolera dentro da sua empresa não fica interno por muito tempo. Uma hora, isso aparece — no time, no cliente, no mercado… ou na Justiça.