A concessionária Motiva Pantanal apresentou nesta quarta-feira (25), na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), um balanço dos primeiros meses à frente da BR-163, com promessa de investimentos bilionários e avanço nas obras, mas ainda sob pressão por problemas antigos na rodovia. A reunião foi convocada pelo deputado estadual Junior Mochi (MDB) e reuniu diretores e equipe técnica da concessionária, além de parlamentares que acompanham a concessão, entre eles Mara Caseiro (PSDB), Roberto Hashioka (União) e Pedro Kemp (PT). O encontro marcou a primeira prestação de contas após a repactuação do contrato, assinada em 2025. Segundo os dados apresentados, cerca de R$ 1 bilhão deve ser investido apenas em 2026, dentro de um pacote que prevê R$ 9,3 bilhões ao longo de 29 anos de concessão. No relatório técnico exibido aos deputados, a concessionária aponta avanço físico nas obras, com frentes de duplicação em cidades como Campo Grande, Jaraguari e São Gabriel do Oeste. Em alguns trechos, a execução já supera o previsto para o período, enquanto outros ainda seguem em ritmo inicial. Entre os principais números apresentados estão 22 quilômetros de duplicação em andamento, além de faixas adicionais, marginais, acessos e implantação de estruturas como pontos de parada para caminhoneiros e passagens de fauna. Só neste ano, os investimentos somam cerca de R$ 1 bilhão, com maior concentração na ampliação da capacidade da rodovia. Apesar do discurso de avanço, o tom da reunião deixou claro que a cobrança continua. Junior Mochi afirmou que o momento exige mais do que ajustes contratuais e cobrou resultados práticos. “Não há por que continuar avançando apenas com soluções contratuais. O que queremos é que a parceria funcione de fato”, disse. O parlamentar também apontou pontos críticos que ainda preocupam, como o aumento do tráfego pesado em regiões industriais e cruzamentos considerados perigosos. Um dos exemplos citados foi o acesso próximo a um frigorífico em São Gabriel do Oeste, que recebe entre 50 e 70 carretas por dia. “Não podemos esperar acontecer uma tragédia para depois buscar solução”, afirmou. Outro problema destacado foi o cruzamento entre a BR-419 e a MS-338, onde há desnível e risco para motoristas. Segundo Mochi, situações como essa exigem intervenção urgente. Do lado da concessionária, o diretor-presidente Nelson Soares Neto destacou o impacto econômico da concessão e a expectativa de ampliação da arrecadação. “Foram quase R$ 35 milhões destinados para distribuição entre os municípios contemplados. Com os investimentos previstos, a estimativa é chegar a aproximadamente R$ 75 milhões por meio do ISS (Imposto Sobre Serviços)”, afirmou. Ele também ressaltou a geração de empregos vinculada às obras. “Hoje temos 653 colaboradores próprios, além de cerca de 170 terceirizados. E, com os investimentos, estimamos cerca de 2.270 empregos indiretos”, disse. Outro ponto abordado foi a arrecadação de pedágios, que registrou aumento expressivo após a repactuação do contrato. Segundo a concessionária, a alta de mais de 90% na receita se deve, principalmente, a mudanças contábeis que passaram a reconhecer integralmente os valores tarifários, e não a um crescimento real da arrecadação. Na prática, o ganho efetivo foi de cerca de 1,2%, influenciado pelo reajuste tarifário aplicado em 2025.