Ela ainda não é bombada em seguidores, mas já chama atenção nas ruas e nas redes sociais. De moto cor-de-rosa, Geovana Mendes, de 25 anos, já virou figura conhecida por alguns no trânsito de Campo Grande. Entre entregas e manobras, ela se orgulha de ser uma "mulher do grau" em um universo ainda dominado por homens. Mesmo consciente dos riscos e do fato de que empinar moto hoje é considerada infração gravíssima em via pública, ela defende que deveria existir um espaço adequado para a prática, sem prejudicar outras pessoas. Ser mulher nesse cenário, segundo ela, é ocupar. “Mulher na moto não pede espaço, ela domina e mostra que lugar de mulher é onde ela quiser.” A relação com as motos começou cedo, antes de virar trabalho. “Sempre fui apaixonada por motos”, conta. Antes disso, ela trabalhava como empregada doméstica, até conseguir comprar a primeira moto. A partir dali, não saiu mais das ruas. Hoje, são sete anos trabalhando com entregas. Geovana divide a rotina entre dois empregos, passando o dia inteiro no trânsito. Apesar do cansaço, diz que gosta do que faz. “É estressante, o trânsito é perigoso e a desvalorização é grande, mas eu amo demais. E graças a Deus sempre sou bem recebida pelos clientes, isso faz valer a pena.” A moto rosa, além de marca registrada, também vira motivo de interação. “As crianças adoram”, conta. Todo mundo repara quando ela chega, principalmente porque geralmente o look e a sua bag são cor-de-rosa. Foi no meio dessa rotina puxada que surgiu outra paixão: o grau, como são chamadas as manobras com moto. Tudo começou na curiosidade. “Fui olhando quem sabia, tentando, até dominar a moto”, lembra. Hoje, encara como expressão pessoal. “Grau não é crime, é paixão por duas rodas.” Mas a vida de Geovana tem sempre mais alguma história que te surpreende. No meio da entrevista ela revela que está cursando tanatopraxia, área responsável pela preparação de corpos para velórios. “É o último momento da família com aquela pessoa, então precisa de muito respeito e cuidado”, explica. O trabalho envolve desde a preparação até a chamada necromaquiagem, um processo delicado, que exige técnica e também emocional. Acostumada com o trânsito intenso e os riscos diários, ela diz que a nova área também traz desafios. “A gente vê de tudo… acidente de moto, criança, idoso. Mexe com o psicológico, mas mesmo assim é algo que me deixou apaixonada.” Nas redes sociais a entregadora também aproveita espaço para publicar suas manobras.