A presença de ambulantes nos Altos da Avenida Afonso Pena voltou ao centro do debate em Campo Grande. De um lado, trabalhadores informais relatam medo de perder a principal fonte de renda e aguardam uma definição após reuniões com o município. De outro, a discussão sobre organização do espaço público, circulação e impacto urbano ganha força entre frequentadores da região. A Prefeitura, por meio da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), afirmou que não há retirada imediata dos ambulantes. Segundo a pasta, as ações realizadas até agora têm caráter orientativo e visam garantir organização, segurança e livre circulação, com diálogo e acompanhamento durante eventuais processos administrativos. Ambulantes afirmam que muitos trabalham há anos no local e chegaram a se cadastrar junto ao município, esperando uma regulamentação que nunca se concretizou. Agora, com a intensificação da fiscalização, cresce a sensação de incerteza sobre o futuro dessas atividades. Ao mesmo tempo, parte da população aponta problemas recorrentes, como ocupação irregular de calçadas, falta de estrutura adequada e impactos na mobilidade urbana. O caso escancara um dilema comum nas grandes cidades: como equilibrar o direito ao trabalho com a necessidade de organização e uso coletivo dos espaços públicos.