Vilmar Rocha diz que Caiado vai deixar debate presidencial mais “claro e contundente” e aposta em um desgaste de Lula na campanha
Em entrevista ao Jornal Opção, Vilmar Rocha, ex-deputado federal e ex-presidente do PSD em Goiás, postula que a entrada de Ronaldo Caiado na disputa para a Presidência da República fará com que o debate de propostas fique mais “claro, contundente e definido”. Na sua concepção, as últimas aparições de Caiado na televisão o tem ajudado a ganhar notoriedade em todo o país e mostrado robustez e consistência nos argumentos diante dos assuntos abordados.
Além disso, Vilmar Rocha diz acreditar em um eventual desgaste na imagem de Lula até às eleições, o que pode beneficiar o governador de Goiás. Assim como Flávio Bolsonaro, o petista-chefe tem envolvimento em diversos problemas, algo que, na sua visão, não acontece com o chefe do Executivo goiano. O ex-parlamentar defende que o trabalho realizado por Caiado na área de segurança pública pode se tornar um trunfo, tendo em vista a escalada da violência em vários Estados brasileiros.
O nome de Ronaldo Caiado ganhou força para ser lançado como pré-candidato dentro do partido após a desistência de Ratinho Jr. O governador de Goiás se encontrou com Gilberto Kassab nesta terça-feira, 24, para acertar os últimos detalhes. A expectativa é que o nome dele seja oficializado nesta semana, entre quarta e sexta-feira.
João Paulo Alexandre — O senhor vai amanhã para São Paulo. Há algum encontro marcado com o presidente do PSD, Gilberto Kassab? Se sim, qual será o teor da conversa?
Eu vou para São Paulo amanhã para o lançamento do livro “Juntos Chegaremos Lá“, as memórias de Guilherme Afif Domingos, que vai acontecer às 20h, no Shopping Iguatemi, na Livraria da Travessa. Não tenho um encontro marcado com Gilberto Kassab, mas devo falar com ele, até mesmo porque estará no lançamento do livro.
João Paulo Alexandre — Sobre esse encontro desta terça-feira entre Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab: o que já está realmente acertado?
A única coisa que se pode falar até o momento é que o nome de Ronaldo Caiado vai ser anunciado até o fim dessa semana como pré-candidato oficial do PSD para presidente da República.
João Paulo Alexandre — Tem um lugar previsto sobre onde será feito esse anúncio?
Ainda não. Certamente será em São Paulo. Eu acho que será um anúncio sem muita coreografia e, mais na frente, aí é um pensamento meu, deve se fazer uma solenidade, um evento para o lançamento da candidatura.
Euler de França Belém — O sr. avalia que a entrada de Ronaldo Caiado no jogo pode mudar a configuração do debate nacional na disputa presidencial?
Acredito que mudar, não, mas vejo que o debate ficará mais claro, contundente e definido. Porque Ronaldo Caiado tem posições muito claras e é contundente nas posições. Por exemplo, no debate que foi realizado no Monte Líbano, várias pessoas de São Paulo gostaram e falaram que ele tem uma posição firme, que tinha propriedade sobre o que estava falando. Os demais ficavam menos definidos, menos claros, com relação, por exemplo, ao governo do PT. Ronaldo Caiado não é assim. Ele tem clareza, definição e acho que isso é importante, pois pessoas querem políticos com posições claras, objetivas.
João Paulo Alexandre — Um dado divulgado pelo instituto Quaest mostra que Ratinho Jr. estava à frente nas pesquisas que envolviam os três nomes do PSD. Ronaldo Caiado ficou na segunda colocação e Eduardo Leite foi o menos votado dentre os três. Outro dado mostra que os eleitores de Ratinho Jr. preferem transferir votos para Flávio Bolsonaro (PL) e até para Lula (PT) do que para Caiado. Como que o governador de Goiás pode reverter isso?
As pesquisas indicam que 30% do eleitorado não querem nem Lula nem Flávio. Então é um eleitorado expressivo. É claro que esses eleitores não vão todos para Ronaldo Caiado. Isso vai depender, por exemplo, se Romeu Zema vai ser ou não candidato.
Agora é o seguinte: é um longo caminho daqui até a campanha, e pode acontecer um desgaste tanto de Lula quanto de Flávio. Eu tenho uma intuição política, e venho falando disso há muito tempo, que Lula vai desgastar muito daqui até a eleição. Mais do que já está. E outra coisa: Flávio tem problemas também, coisa que o Caiado não tem e, no debate, acho que Ronaldo Caiado vai crescer. E mais: Caiado conseguiu a bandeira da segurança. Se ela pegar e empolgar, se a sociedade identificar mesmo ele como o cara da segurança, isso pode ajudá-lo também na eleição.
João Paulo Alexandre — O senhor trouxe o nome de Romeu Zema e ele estaria articulando sair do Novo e ir para o PSD. Zema é um bom nome para a vice de Ronaldo Caiado?
O vice-governador que assumiu como governador no domingo, 22, Mateus Simões, é do PSD, inclusive Gilberto Kassab esteve no evento. Há essa conexão. O candidato do Zema para governador em Minas é do PSD. Mas, se Zema quiser ser candidato à Presidência da República mesmo, acho que será pelo Novo, para fortalecer o partido e, no segundo turno, estarão todos unidos.
Sobre ser vice, eu não sei afirmar. Acho que ele não sairia para Senado, pelo fato de ser pré-candidato a presidente, mas, eventualmente, pode aceitar a ser vice.
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