Com o calendário de planejamento praticamente fechado, o Governo de Mato Grosso do Sul concluiu nesta quinta-feira (19) a rodada de contratos de gestão para 2026. Coube à Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) encerrar o ciclo, apresentando um pacote de metas que coloca no centro da estratégia três palavras-chave: equilíbrio fiscal, eficiência e modernização. Na prática, o recado é direto: manter as contas em ordem para abrir espaço a investimentos. O desafio não é novo, mas ganha contornos mais rígidos diante de um cenário de maior pressão sobre receitas e despesas públicas. Ao assinar o contrato, o governador Eduardo Riedel reforçou a lógica que vem pautando a gestão: planejamento com metas claras e acompanhamento permanente. Já o secretário estadual de Fazenda, Flávio César, destacou que a atuação da pasta passa por um papel transversal — ou seja, impacta todas as áreas do governo. “Nosso papel é garantir o equilíbrio fiscal e dar suporte às demais secretarias. É isso que sustenta os investimentos e a qualidade dos serviços públicos”, afirmou. O que está em jogo Entre as principais propostas apresentadas pela Sefaz estão: Aperto no controle de gastos, com maior rigor na qualificação das despesas públicas Modernização da arrecadação, com uso de tecnologia e revisão de processos internos Eficiência orçamentária, buscando melhor distribuição dos recursos Sustentação da saúde financeira do Estado, condição considerada essencial para novos investimentos A aposta é que, ao melhorar a gestão interna da máquina pública, o Estado consiga não apenas equilibrar as contas, mas também ampliar sua capacidade de investimento em áreas como infraestrutura, saúde e educação. Da meta ao resultado Com a assinatura do contrato da Sefaz, o governo fecha um pacote de 36 acordos de gestão envolvendo secretarias, autarquias e fundações. Agora, começa a fase considerada mais sensível: tirar os projetos do papel. Segundo o secretário-executivo de Gestão Estratégica e Municipalismo, Thaner Castro Nogueira, o modelo entra em uma etapa de monitoramento contínuo, com avaliações ao longo do ano. O cronograma já está definido: Maio: primeira rodada de avaliação com secretários Segundo semestre: reunião geral de acompanhamento com o governador Fim de 2026: balanço final dos resultados “O modelo está consolidado. Cada secretaria define suas entregas e, a partir de agora, o foco é execução e resultado para a população”, explicou. Mais do que números Embora o discurso oficial destaque equilíbrio fiscal e governança, o pano de fundo é político e estratégico: manter Mato Grosso do Sul com capacidade de investimento em um ambiente de restrições orçamentárias crescentes. Na prática, o sucesso do contrato da Sefaz será medido menos pelo ajuste das planilhas e mais pelo impacto concreto na vida do cidadão — seja na entrega de obras, na melhoria de serviços ou na ampliação de políticas públicas. Ao fechar o ciclo de contratos, o governo sinaliza que 2026 será um ano de cobrança por resultados. E, no centro dessa equação, está a velha máxima da gestão pública: sem caixa organizado, não há entrega que se sustente.