A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul vê indícios de tentativa de homicídio no atropelamento que deixou a comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, em estado grave, na madrugada de sábado (14), na Rua Brilhante, em Campo Grande. O principal suspeito é um mecânico, de 28 anos, identificado como Reinaldo Henrique Da Silva Pamplona, que segue foragido. Inicialmente tratado como lesão corporal culposa no trânsito, o caso teve novo encaminhamento após análise da conduta do motorista. Conforme o delegado responsável, Sam Ricardo Suzumura, o comportamento do suspeito após o acidente, somado ao excesso de velocidade, passou a sugerir dolo eventual. “A gente entendeu, no primeiro momento, que era uma conduta culposa. Mas o comportamento dele após o incidente, de não se apresentar e não se responsabilizar, está sugerindo o dolo eventual”, afirmou. Segundo o delegado, há indícios de que o carro estava em velocidade muito acima da permitida para a via. “Não é que ele estava pouco acima da velocidade. Ele estava muito além. A suspeita é de que estava acima do dobro do permitido”, disse. Além disso, o fato de o veículo trafegar em faixa exclusiva de ônibus também é considerado agravante. “O total desrespeito, o menosprezo, isso tudo a gente está considerando para caracterizar o dolo eventual”, completou. Diante disso, a Polícia Civil representou pela prisão do suspeito e encaminhou o caso como tentativa de homicídio, além do crime de fuga do local do acidente. Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o comportamento do mecânico após o atropelamento. Segundo relato da esposa, ele saiu de carro na madrugada do acidente e retornou a pé para casa. Dias depois, o veículo foi encontrado escondido no quintal da residência do casal, coberto por panos, no Bairro São Conrado. O carro, um Citroën C3 de cor escura, apresentava diversas avarias, como retrovisor quebrado, ausência do protetor do paralama dianteiro direito e o vidro do passageiro completamente estilhaçado. A localização ocorreu após denúncias anônimas que indicaram um veículo com características semelhantes. No imóvel, os policiais encontraram apenas a esposa do suspeito. Ela afirmou que não sabia que o carro estava ali e disse ter estranhado o comportamento do marido nos dias seguintes ao acidente. Segundo ela, o casal deixou de frequentar a casa após o ocorrido e passou a ficar em residências de familiares. A hipótese de racha não está descartada. Imagens de câmeras de segurança mostram dois veículos em alta velocidade na região, embora ainda não seja possível confirmar a participação de outro condutor. O mecânico já possui passagem por violência doméstica registrada em 2023. Jamile permanece internada na Santa Casa. Ela teve a perna esquerda amputada após ser atingida enquanto atravessava a rua com o marido, Dorival Ribeiro, de 47 anos, após fecharem a conveniência da família.