O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou nesta terça-feira (17) de evento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e afirmou que a relação do território boliviano com o Brasil é histórica. "Com todo respeito aos irmãos do Mato Grosso. Mas somos nós que entramos no Mato Grosso 'do Norte' e Mato Grosso do Sul", disse o presidente boliviano, em referência à extensa fronteira que a Bolívia compartilha com a região. Bolívia faz fronteira com o Brasil em extensão de cerca de 3.423 quilômetros, a maior fronteira terrestre do território brasileiro com qualquer outro país. MS ocupa a posição mais ao sul da fronteira, sendo o ponto de entrada da linha divisória. Corumbá é o único município sul-mato-grossense que divide limites com o país vizinho. Rota Bioceânica - Paz citou as diferentes rotas de escoamento de produção que ligam a Bolívia ao Brasil, incluindo a Rota Bioceânica, corredor que passa por Mato Grosso do Sul e que conecta o centro da América do Sul ao Oceano Pacífico, pelo Chile, e ao Atlântico, pelo Brasil. O presidente defendeu que essas rotas são estratégicas tanto para a Bolívia quanto para o Brasil, e que o potencial logístico boliviano é um diferencial para a região. "Uma delas é o aspecto logístico que a Bolívia representa na América do Sul, tendo cinco fronteiras", afirmou Paz. Ele também reforçou, durante o evento, que os dois países têm economias complementares e que a relação deve ser conduzida com regras claras. "Se a Bolívia é cuidada, o potencial é complementário ao crescimento do Brasil", disse. "Não temos medo de discutir os temas. Falar com clareza em todos os âmbitos para ir com um plano de longo prazo." Sustentabilidade - Paz lembrou ainda que a interdependência entre os dois países vai além do comércio. Segundo ele, 60% da água que abastece o Brasil vem da Bolívia, pelas nascentes da cordilheira dos Andes que alimentam a bacia amazônica. Sobre os incêndios que devastaram o solo boliviano nos últimos anos, Paz afirmou que a destruição atingiu uma área equivalente à soma de Bélgica, Alemanha e parte da França. "Isso já não é um problema de ordem produtiva. Isso é matar a pátria", declarou.