Uma simples girada no pulso pode literalmente salvar a vida de uma mulher diante de um puxão inesperado na rua, mas elas não sabiam disso até a aula de autodefesa acontecer. Para começar a praticar e entender como usar o corpo a favor delas na hora de uma briga ou tentativa de agressão de um homem, o professor Tiago Brandão resolveu levar um "aulão" para o Shopping Norte Sul. Apesar da timidez, 30 mulheres compareceram e praticaram técnicas básicas que fazem a diferença em momentos de risco. Entre os ensinamentos, houve tutorial de como dar um soco certeiro, como se proteger de um golpe e até técnicas mais extremas, como o mata-leão. Foram 45 minutos de descobertas e medos. Algumas riam, outras firmavam o pé no chão e se colocavam em posição de luta com facilidade. A atividade foi promovida como parte da programação especial do mês das mulheres. As participantes tiveram contato com movimentos de proteção pessoal, defesa contra agarramentos, ataques a pontos sensíveis do corpo, chutes e estratégias para sair rapidamente de uma situação de perigo. Tiago ministra treinamentos há mais de 30 anos e segundo ele, o foco da autodefesa não é incentivar o confronto, mas ensinar caminhos para reagir e fugir com segurança. “O principal problema é quando a pessoa não sabe o básico da defesa pessoal. A mulher precisa entender como sair do agressor e pedir ajuda. O foco não é a força, é a técnica. É como andar de bicicleta: primeiro você aprende o básico e depois pratica”, explicou. Para o mestre, além de contribuir para a segurança, a prática também estimula condicionamento físico e melhora a qualidade de vida. Entre as participantes estava a servidora pública federal Ana Alves Ribeiro, que disse ter se surpreendido com os aprendizados. “Aprendemos movimentos simples para o dia a dia que eu não tinha noção. Nunca sabemos o que pode acontecer. Valeu muito a experiência, principalmente quando mostrou pontos de defesa como garganta, punho e nariz”, contou. A bombeira Cíntia Rodrigues, de 47 anos, também participou da atividade e destacou a importância de disseminar esse tipo de conhecimento. Para ela, a aula ajuda a despertar consciência e confiança. “É muito importante quando trazem a defesa pessoal. A gente fica muito feliz de ver todo mundo participando, independente se já sabia ou não. Isso é conhecimento, tenho certeza que plantou uma sementinha em cada um”, afirmou. Mesmo com experiência profissional em situações de risco, Cíntia lembra que ninguém está totalmente livre de enfrentar um momento de perigo. “Como sou bombeira, consigo me defender e reagir com mais facilidade, mas ainda assim não estou livre de passar por isso”, completou. A segurança Raisa Helena dos Santos, de 35 anos, contou que começou a se interessar pelo tema depois de entrar para a profissão. Hoje, ela vê na defesa pessoal uma ferramenta importante para o trabalho e para a vida. “Antes de virar segurança eu nunca tinha presenciado uma luta. Agora sempre busco aprender mais. Fazer aula de defesa pessoal é bom para renovar e complementar o que já sabemos. O mais diferente foi aprender movimentos como o mata-leão e como sair de uma investida”, relatou. Quem quiser aprender também terá outra oportunidade em breve. Um novo treinamento está previsto para abril, durante o Festival de Artes Marciais, que será realizado entre os dias 15 e 19, com vagas abertas para pessoas de todas as idades interessadas em aprender técnicas básicas de autodefesa.