Cientista brasileira ganha prêmio correspondente ao “Nobel de Agricultura”
Foi estudando bactérias que a cientista, Mariangela Hungria, de Itapetininga, no interior de São Paulo tornou-se uma das pesquisadoras mais influentes do planeta. Há mais de quarenta anos, ela trabalha na área de Pesquisa Agropecuária na Embrapa Soja. Foi na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária que Mariangela desenvolveu um extenso trabalho sobre como a fixação biológica do nitrogênio pode trazer benefícios para a soja e outros produtos agrícolas. Estudos, como esse, desenvolvidos ao longo de quatro décadaspela cientista, já renderam ao Brasil a economia de mais de R$ 200 bilhões por ano no campo.
O mais novo trabalho de Mariangela concentra-se no estudo de bactérias como rizóbios e Azozpirillum brasiliense que realizam a fixação biológica do nitrogênio baseado no uso de microrganismos benéficos do solo capazes de substituir fertilizantes químicos tradicionais. Esse processo faz com que as plantas absorvam nutrientes de forma natural, descartando a utilização de produtos sintéticos ou agrotóxicos de alto custo econômico e ambiental. Foi a partir do sucesso desta pesquisa que foram criados inoculantes biológicos, hoje, utilizados em milhões de lavouras de soja espalhadas no Brasil e pelo mundo.
O trabalho da engenheira agrônoma brasileira obteve, há poucos dias, um reconhecimento internacional que acabou lhe rendendo o World Food Prize, uma premiação conhecida como o “Nobel da Agricultura” por contribuições únicas e genuínas de grande impacto para a produção de alimentos no mundo. O prêmio internacional reforça a importância da ciência produzida no Brasil e mostra como soluções baseadas na natureza podem expandir de modo correto e biologicamente limpo, a produção de alimentos de forma sustentável com menor impacto ao meio ambiente.
A adoção da tecnologia criada por Mariangela e sua equipe de pesquisadores da Embrapa transformou a agricultura brasileira porque diminuiu a dependência do país por fertilizantes importados,principalmente da Ucrânia e reduziu quase a zero as emissões de gases de efeito estufa já que o sistema evita a liberação de milhões de toneladas de CO². A descoberta premiada ainda gera uma economia de bilhões de reais por safra e fortalece, ainda mais, o agro brasileiro.
Além de ser uma das cientistas mais produtivas do país na área de Biotecnologia do Solo, Mariangela é membro titular da Academia Brasileira de Ciências, acumula uma série de prêmios de grande relevância nacional e internacional. Agora, ela é também detentora do “Prêmio Nobel de Agricultura”.
Leia também
Agromineração: estudo realizado em Niquelândia revela plantas capazes de acumular metais
O post Cientista brasileira ganha prêmio correspondente ao “Nobel de Agricultura” apareceu primeiro em Jornal Opção.
