Alvos da operação Malebolge, realizada há um ano para combater a corrupção na Prefeitura de Água Clara, a 193 km de Campo Grande, as servidoras Denise Rodrigues Medis e Ana Carla Benette “ganharam” estabilidade no serviço público. As duas chegaram a ser presas, mas respondem em liberdade. Denise foi declarada estável no serviço público municipal no cargo de assistente de administração, no qual foi empossada em 28 de setembro de 2022. Em fevereiro do ano passado, quando foi realizada a operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), ela era secretária de Finanças. Com o escândalo, perdeu o posto no primeiro escalão. Na gaveta da mesa de trabalho de Denise, a operação apreendeu R$ 2.500 em cédulas. Ana Carla foi declarada estável no serviço público municipal pelo cargo de professora de Língua Portuguesa, no qual foi empossada em 9 de fevereiro de 2022. Na casa de Ana Carla, foram encontrados R$ 9 mil (em notas de R$ 100), mas a servidora tem remuneração de cerca de R$ 4.500. De acordo com a investigação, ela ainda aparece num vídeo, gravado em 12 de junho de 2023, contando R$ 18 mil em dinheiro vivo, com bolinhos de cédulas colocados na cama. As portarias foram publicadas ontem (dia 19) no Diário Oficial de Água Clara. Os documentos são assinados por Sebastião Ottoni. De acordo com o Estatuto dos Servidores Públicos de Água Clara, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 36 meses (três anos), com avaliação de aptidão e capacidade para desempenho do cargo. Nesse período, são avaliadas assiduidade, disciplina, саpаcidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade. Após a declaração de estabilidade, o servidor só perderá o cargo em virtude da sentença judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa. Malebolge – Em julho de 2025, a Vara Única de Água Clara declinou da competência e transferiu o processo para a Vara Federal de Três Lagoas. A justificativa foi de que a verba para a licitação da merenda vem da União. “Desse modo, sendo o objeto da denúncia diretamente relacionado à malversação de verbas federais, ainda que transferidas ao ente municipal por meio de convênio ou repasse fundo a fundo, a competência para processar e julgar os fatos é da Justiça Federal”, afirma o juiz substituto Pedro Gonçalves Teixeira. A reportagem solicitou informações à Prefeitura de Água Clara e aguarda retorno. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .